Ambientalistas criticam atraso na implantação do programa

Fonte:  Valor | Por Daniela Chiaretti

A mudança tecnológica nos motores de caminhões e ônibus a diesel, aliada a um combustível com bem menos enxofre, pode significar redução de mais de 40% na emissão de poluentes, o que nos grandes centros significa ganhos em saúde pública. O ponto positivo, no entanto, perde força com o número crescente de veículos nas ruas. E o atraso no cronograma do programa de controle das emissões dos veículos também joga as conquistas ambientais na lama.

"Cada mês que a gente perde é uma consequência para os próximos 30 anos", diz Rudolf de Noronha, gerente de qualidade do Ar do Ministério do Meio Ambiente. "É por isso que ficamos desesperados com os atrasos."

Noronha registra os avanços que estão por vir, tanto na tecnologia mais moderna dos motores de caminhões e ônibus, como na alteração do diesel, com menos enxofre. "Em janeiro entraremos em uma fase revolucionária", diz. A fase P-7 (o P é sigla para veículo pesado, ou seja, caminhões e ônibus), explica, exige motores e diesel muito diferentes dos de hoje. "Esta nova fase muda totalmente a indústria de motores pesados do Brasil e também de combustíveis."

Menos enxofre no diesel significa uma redução de 42% nas emissões de óxido de nitrogênio (NOx), um formador do ozônio, poluente que, no ar dos grandes centros, tem efeito desastroso na saúde de crianças, idosos e gente com problemas respiratórios. "O NOx forma o ozônio que, no ar das cidades, gera inundação de crianças nos postos de saúde", explica. A outra novidade, a inclusão do Arla 32, representa um pós-tratamento dos poluentes depois da combustão do diesel. "A fumacinha que sai do motor, ao invés de ir direto para a atmosfera, transformará o NOx em hidrogênio e água", explica. "Esta é uma grande revolução". Outros poluentes também são reduzidos com as mudanças.

Mas o aumento nas vendas de caminhões e ônibus a diesel que a partir de janeiro terão motores que irão poluir bem mais do que os novos, é, evidentemente, um problema. Noronha, no entanto, lembra que o destino dos veículos velhos é ir parar em cidades menores, com menos fiscalização e menos poluição, o que alivia a pressão nos grandes centros. "Naturalmente os que poluem mais estão saindo das áreas onde produzem o maior impacto." Do ponto de vista ambiental, o problema "é a soma das emissões de tantos veículos."

Noronha deixa claro onde está a dificuldade: "O meu problema ambiental é o caminhão dos anos 90, que vai circular por mais 20, 30 anos e com um potencial de emissão muito mais alto comparado aos de hoje". Ele cita os ganhos obtidos pelo Proconve, o programa de controle de emissões veiculares que o Brasil implantou em 1986. "A comparação entre um carro de passeio de hoje, novo, com um carro que saiu da fábrica nos anos 80 é assim: precisamos de 56 carros de hoje para emitir o que um único dos anos 80 emitia."

O Brasil saltou a fase 6 do Proconve, que deveria ter começado em 2009 e terminado agora, em 2011. O objetivo era reduzir as emissões de material particulado (MP), óxido de nitrogênio (NOx) e hidrocarbonetos (HC), trabalhando, principalmente, com um diesel com menos enxofre. Mas a confusão de 2009, com o jogo de empurra entre a Petrobras e as montadoras, adiou a execução do programa. A partir de janeiro irão vigorar limites de emissão ainda mais rígidos com a venda ao mercado de um óleo diesel com teor de 10 partes por milhão de enxofre.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *