Ambev investe R$ 1 bilhão em ações ambientais

Silvia Zamboni/Valor

Figueiredo, da Ambev: "Para atingir novas metas, o desembolso vai ser maior"

A Ambev estabeleceu no fim de 2013 metas ambientais para cumprir até 2017, em linha com os objetivos da sua controladora Anheuser-Busch InBev NV (AB InBev). Nesse intervalo, a companhia investiu R$ 1 bilhão e superou seis das sete metas estipuladas.

Rodrigo Figueiredo, vice-presidente de sustentabilidade e suprimentos da Ambev, disse que a companhia ainda discute as metas para os próximos quatro anos, mas é certo que os desembolsos irão superar R$ 1 bilhão. "O investimento em sustentabilidade cresce ano a ano. E para atingir novas metas, o desembolso vai ser maior", afirmou. Ele acrescentou que a Ambev avalia metas mais ambiciosos nas áreas em que já trabalha, como na economia de água e energia, redução de emissão de gases de efeito estufa e aumento de uso de materiais reciclados nas embalagens.

Na avaliação do executivo, essas iniciativas geram ganhos ambientais e também proporcionaram redução de custos para a companhia. "À medida em que a empresa consome menos energia e menos água, o custo produtivo cai", observou Figueiredo.

Das metas estabelecidas, a Ambev não conseguiu reduzir o consumo de energia em 10%, entre 2013 e 2017. Até setembro deste ano, a queda foi de 3,5%. Até dezembro, Figueiredo estima obter uma redução acumulada de 4,5% no consumo de energia.

Beatriz Oliveira, gerente de meio ambiente da Ambev, disse que a meta não foi alcançada em função das mudanças nos tipos de embalagem de bebidas. Para se ter uma ideia, a embalagem de vidro retornável, grande aposta da companhia, demanda 25% mais energia na sua produção do que a fabricação de latas de alumínio. "Mas, ainda assim, foi um índice muito bom de consumo de energia globalmente", afirmou Beatriz.

O Credit Suisse estima que as garrafas retornáveis já representam 30% do volume de vendas da Ambev em supermercados. Em 2014, esse índice era de 4%. As garrafas retornáveis, que haviam sido deixadas de lado, foram reintroduzidas em supermercados em 2013. Beatriz disse que a companhia busca reduzir o consumo de energia na produção dessas garrafas, com uso de vidro reciclável, que demanda 35% menos energia em comparação ao material virgem.

A Ambev também investiu recentemente, na substituição de 15 mil luminárias de vapor metálico por LED em 23 cervejarias no país, para reduzir o consumo de energia. E instalou equipamentos para aumentar a eficiência energética nas cervejarias.

Excluindo a meta de consumo de energia, a Ambev superou a meta de compra de refrigeradores ecológicos – que consomem 30% menos energia em comparação a um refrigerador comum. A intenção era comprar 70% de refrigeradores com modelos mais ecológicos. No ano passado, 88,2% dos refrigeradores adquiridos eram ecológicos. Até o fim de 2017, Figueiredo prevê elevar esse índice para 96,5%. A Ambev possui 419 mil refrigeradores em pontos de venda, dos quais 47,24% são ecológicos

A companhia também superou a meta de reduzir o volume de água para envasar um litro de bebida de 3,24 litros para 3,2 litros. Em 2016, a Ambev consumiu, em média, 3,04 litros de água por litro de bebida envasada. A Ambev investiu neste ano em um novo sistema de tratamento de efluentes, na fábrica de Jaguariúna (SP), para fazer o reúso da água em outras áreas da fábrica.

Fora das cervejarias, a Ambev comprometeu-se a promover iniciativas de proteção a mananciais. A empresa já participava do Projeto Bacias, em parceria com a WWF, para a recuperação de mananciais em Gama (DF). Neste ano, o projeto foi expandido para Jundiaí (SP), Sete Lagoas (MG) e Guandu (RJ).

Outra meta superada pela Ambev foi a redução de emissão de gases de efeito estufa na cadeia logística em 15%. A companhia reduziu as emissões em 22% até setembro, segundo Figueiredo.

A companhia também fixou como meta reduzir a emissão total de gases de efeito estufa em 10% até 2017. Em quatro anos, o volume de emissões apresentou queda de 39,2%. Para isso, a Ambev substitui combustíveis fósseis e energia elétrica por fontes renováveis, como óleo vegetal, biomassa e biogás.

Por fim, a companhia pretendia reduzir em 100 mil toneladas a matéria-prima usada na produção de embalagens. Para a região da América Latina e Caribe, a meta era de 17,5 mil. Em 2016, a redução chegou a 64,6 mil toneladas no mundo e a 34,4 mil toneladas na América Latina e Caribe. A expectativa é atingir a meta global até o fim deste ano.

Para os próximos anos, a Ambev já definiu uma meta: até 2025, pretende usar apenas energia de fontes renováveis. A Ambev consome aproximadamente 1 terawatt / hora de energia por ano e 76% desse consumo vem da energia hidrelétrica. O restante é energia térmica, eólica, energia de biomassa e biogás. "A geração própria de energia é pequena e vem principalmente da produção de biogás. O objetivo é ter outras fontes, como solar ou de PCHs [pequenas centrais hidrelétricas]", disse Figueiredo.

Por Cibelle Bouças | De São Paulo

Fonte : Valor

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