Alta nas commodities embalam boas perspectivas dos produtores do cerrado da Bahia para 2011

Se o clima ajudar, 2011 deverá ser o melhor ano agrícola das últimas décadas, mesmo com o câmbio desfavorável. Esta é a estimativa da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), cujos executivos reuniram-se ontem, 21, com a imprensa em Salvador, para um balanço sobre o agronegócio baiano e brasileiro, e a atuação da Aiba, que completou 20 anos em 2010. No encontro, realizado no restaurante Barbacoa, o presidente Walter Horita, os vices, Sérgio Pitt e Aldemiro Andrighetti, o diretor executivo da Associação, Alex Rasia, e o diretor regional João Lopes Araujo trataram de safra, mercado, logística, novos cenários políticos para 2011, além do Plano de Adequação e Regularização Ambiental da Bahia/ Plano Oeste Sustentável, e da edição 2011 da Bahia Farm Show, a maior feira de tecnologia agrícola e negócios do Norte-Nordeste.

De acordo com Horita, em uma situação inusitada, as principais commodities do Oeste da Bahia – soja, milho e algodão – estão, simultaneamente, em excelentes patamares de preço. A situação destoa de anos anteriores, sobretudo, da realidade até 2008, ano em que sobreveio a crise financeira mundial, abalando fortemente câmbio, preços dos insumos agrícolas e o mercado internacional. A média histórica de preços da soja até 2008 era de US$6 por bushell. Hoje, o mercado trabalha a US$13 por bushell. O milho, cujos preços médios até 2008 eram de US$3 por bushell, está cotado acima de US$6. Já o algodão chegou a patamares jamais vistos. Saiu de 50 centavos de dólar por libra-peso para US$1,40 por libra peso.

Estes níveis, bem acima do que o mercado vinha praticando, se devem, principalmente, a uma elevação do consumo na China e na Índia, diz o presidente da Aiba. “Não houve nenhuma quebra significativa de safra no mundo. É a população mundial que está aumentando, assim como a renda média, e, consequentemente, o acesso a alimentos e bens de consumo”, explica Walter Horita. A situação favorável dispensou os produtores dos mecanismos de subvenção do Governo Federal, como o Pepro para o algodão. Entretanto, adverte Horita, não há nenhuma garantia que esta situação se sustente permanentemente. “Basta que China e Índia diminuam em apenas 10% seus consumos para tudo isto se reverter”, argumenta.

Alerta

Apesar de melhor remunerados, os produtores vêem com ressalvas os preços altos. “São um claro indicativo de que os estoques mundiais estão em níveis críticos, o que representa o perigo não apenas de falta de alimentos, como do alto custo que eles terão para o consumidor final”, avalia. A solução para este problema é produzir mais para atender à demanda. “O Brasil é estratégico para a segurança alimentar mundial, mas, para isso, precisa investir ainda mais em tecnologia para crescer com sustentabilidade ambiental”, diz Walter Horita, citando o exemplo do Oeste da Bahia, cujo investimento em pesquisa e tecnologia, possível graças à ação organizada e conjunta dos produtores, vem garantindo médias recordes de produtividade na região nos últimos 20 anos. “E, mais que nunca, o país vai precisar de uma revisão coerente da legislação ambiental”, completa. O presidente da Aiba destacou a necessidade de investimento em infra-estrutura logística, como um fator determinante para o Brasil e a Bahia produzirem mais, com custos menores.

Safra 2009/10

De acordo com o 1º Levantamento de Intenção de Plantio do Oeste da Bahia – 2010/11, realizado pelo Conselho Técnico da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), a área plantada com algodão na região Oeste será 22,9% maior do que na safra anterior, atingindo 301 mil hectares. A produção deve atingir 1,21 milhão de toneladas, alta de 31,2%, com produtividade de 270 arrobas por hectare.   

A soja, que bateu recorde de produção na última safra, manteve os níveis. A área plantada com a oleoginosa cresceu 1%, passando para 1,06 milhão de hectares. A produção na safra 2010/11 deve atingir 3,18 milhões de toneladas (-1%), com produtividade estimada de 50 sacas de 60 kg por hectare, enquanto na safra 2009/10 cialis herbal alternative a produtividade foi de 51 sacas/ha.

O milho, após alcançar recordes históricos de produção e produtividade na safra 2009/2010, registra uma redução de 10% da área plantada, caindo de 170 mil para 153 mil hectares. Apesar dos bons preços do momento, a substituição do milho por outras culturas é conseqüência dos preços baixos praticados na comercialização da última safra, agravados pela falta de mecanismos que sustentem negócios futuros.

A área total plantada com culturas no Oeste da Bahia na safra 2010/11 deve crescer 2,61% em relação à safra passada, passando para 1,79 milhão de hectares, e a produção deve acumular alta de 1,09%, chegando a 5,85 milhões de toneladas.

Recorde – Na safra 2009/10, a soja alcançou a maior produção da sua história no Oeste da Bahia, crescendo 28,2% em relação à safra anterior, e superou pela primeira vez os 3 milhões de toneladas, atingindo 3,21 milhões de toneladas. A área cultivada foi de 1,05 milhão de hectares, com produtividade também recorde de 51 sacas/ha.

A produção do milho alcançou 1,47 milhão de toneladas, com produtividade de 145 sacas/ha, numa área de 170 mil hectares. O algodão, na região Oeste, teve queda na área plantada (-6,4%), ficando em 244 mil hectares, mas com alta de 7,6% na produção, alcançando 929,4 mil toneladas de algodão em capulho (370 mil toneladas de pluma). Já no Sudoeste da Bahia, a área de algodão cultivada foi de 13,6 mil hectares, com produção de 34,7 mil toneladas de algodão em caroço (13,2 mil toneladas de pluma).

Os dados do 1º Levantamento da Safra 2010/11 serão revisados na primeira quinzena de janeiro, e a expectativa é de elevação na área ocupada pelo algodão, em decorrência da conjuntura favorável do mercado.

Cenário político

Segundo Walter Horita, grandes avanços ocorreram no primeiro governo de Jaques Wagner, como a Ferrovia da Integração Oeste Leste (Fiol), cuja ordem de serviços foi assinada este mês em Ilhéus, e a implantação do Plano de Adequação e Regularização Ambiental dos Imóveis Rurais da Bahia / Plano Oeste Sustentável. Este último, uma grande ação de parceria entre o Governo, produtores e a sociedade civil organizada para regularizar o passivo ambiental na Bahia. “A ferrovia foi um assunto tratado com o governador e abraçado por ele em seu primeiro mês de governo e, quatro anos, depois ela começa de fato a sair do papel. Sua chegada reduzirá à metade os custos do produtor com o frete”, diz.

O vice presidente Sérgio Pitt destacou que as questões de logística e meio ambiente são os grandes gargalos para a produção no momento. “A prioridade do governo a estes pontos é fundamental para a segurança do produtor em saber que ele pode investir e continuar em atividade. Resta agora os órgãos ambientais obedecerem à legislação que eles mesmos ajudaram a criar”, afirma Pitt, em uma referência ao recorrente descumprimento do Ibama ao Plano, do qual também faz parte.

Meio Ambiente

Os recentes desrespeitos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente – Ibama ao Plano de Adequação e Regularização Ambiental dos Imóveis Rurais levaram a Aiba a se manifestar junto ao Governador do Estado e aos parlamentares estaduais em novembro. O objetivo foi externar a insatisfação dos produtores com o órgão ambiental federal que, apesar de ser anuente ao Plano, vem multando e embargando propriedades no Oeste da Bahia, sob o escudo de um parecer da sua Procuradoria Geral, que alega que nenhuma lei ou decreto estadual tem alcance para impedir o poder de polícia do Ibama.

Através de uma carta ao Governador, outra ao presidente da Assembléia Legislativa da Bahia, Marcelo Nilo, e de um manifesto entregue a cada um dos parlamentares baianos, a Aiba relatou a arbitrariedade e a inconstitucionalidade dos atos do Ibama, que, além de minimizar a legislação estadual, ferem a Constituição Federal, na medida em que não atendem aos procedimentos básicos de notificação prévia e direito à defesa dos produtores nos casos de multas e embargos. Todas as denúncias foram acompanhadas de uma série de documentos entregues ao governador e aos deputados, dentre os quais, o Protocolo de Intenções assinado em 05 de junho de 2009, pelo então presidente do Ibama, Roberto Messias, pelo então ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e pelo governador Jaques Wagner, no qual se comprometeram a envidar esforços, através do Plano de Regularização, para resolver o problema do passivo ambiental no estado. Nos documentos constava ainda a cronologia do Plano, construído sobre sólido alicerce legal.

O caso está agora em avaliação pelo procurador geral da Assembléia Legislativa da Bahia, Graciliano Bonfim, que recebeu uma cópia dos documentos entregues ao deputado Marcelo Nilo. Segundo o procurador, a inobservância da lei estadual por um órgão federal deverá ser discutida em conjunto. Ele informa que, a princípio, foi pedida uma reunião com o procurador geral do Estado da Bahia, Rui Morais Cruz, e também com o procurador geral do Município de Salvador, Pedro Guerra, uma vez que a capital baiana vem tendo problemas semelhantes aos que acontecem na região Oeste, e que muitos deles foram levados aos tribunais.

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