Alta dos volumes sustenta receita de vendas externas

A receita das exportações do agronegócio brasileiro está sendo sustentada mais pela elevação dos volumes vendidos do que pelo câmbio, conclui o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.

Em levantamento divulgado ontem, o Cepea indicou que a queda dos preços internacionais de importantes commodities agrícolas fez a receita em dólar do setor recuar 12% de janeiro a setembro de 2015, ante o mesmo intervalo de 2014, para US$ 67 bilhões.

Mas com o dólar firme em relação ao real, o faturamento das vendas externas cresceu 2,47% na moeda brasileira. O Cepea não informou a receita em real, uma vez que só calculou as variações e não transformou os valores com base no câmbio de cada mês.

Nos nove primeiros meses de 2015, explicou o Cepea, o real se desvalorizou 15% ante o dólar, enquanto os preços na moeda americana caíram mais: 18,7%. Com isso, em real, os preços de venda ao exterior recuaram 6%, reforçando que os maiores volumes exportados têm contribuído mais que o câmbio para dar suporte à receita.

No acumulado do ano, os embarques do agronegócio cresceram 8,12% em volume, nas contas do Cepea. Entre os produtos tradicionalmente exportados pelo Brasil, o destaque ficou por conta do óleo de soja, com alta de 20,4%. O milho avançou 11,32%, e a soja em grão, 11,02%. "Estão se acentuando as tendências de queda dos preços internacionais e também de aumento do volume", destacou o Cepea, no levantamento.

Do lado da receita, produtos como café e milho apresentaram preços em real maiores que no mesmo período de 2014. No café, a elevação até setembro foi de 18,47%, ajudada por uma reação das cotações em dólar. No caso do milho, a alta em real ficou em 1,11%, ainda que os preços tenham caído 12,1% na moeda americana.

Já para o "complexo soja", formado por grão, farelo e óleo, o câmbio não está sendo suficiente para compensar toda a queda do preço externo: os recuos em real chegaram a 13,09%, 11,59% e 7,1%, respectivamente. O açúcar também caiu 3,59%, disse o Cepea.

Por Mariana Caetano | De São Paulo
Fonte : Valor

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