Alta dos preços das terras nos EUA poderá arrefecer

Os preços das terras cultiváveis no cinturão do milho dos EUA tiveram um aumento de dois dígitos neste ano, apesar de os mercados de grãos estarem mais fracos, e isso poderá intensificar a discussão sobre a possibilidade de a política monetária mais frouxa e a "generosidade" do Congresso estarem contribuindo para inflar uma bolha especulativa.

Os valores das terras agrícolas subiram 15% no primeiro trimestre sobre o mesmo período de 2012 numa região que inclui Illinois, Indiana, Iowa, Michigan e Wisconsin, segundo informou o Federal Reserve Bank de Chicago na quinta-feira. Na última décadas, os valores triplicaram.

O superaquecimento do mercado se tornou motivo de discussões acaloradas entre compradores de terras, produtores e fundos de pensão. "Booms" do passado culminaram em quedas prolongadas, sendo que os preços nos EUA caíram 66% de 1919 a 1940, e mais de 40% de 1981 a 1987, segundo o Fed de Kansas City.

"Ainda não sabemos se isso é cíclico ou permanente", disse Mike Maires, gerente de carteira imobiliária da Utah Retirement Systems, em uma conferência sobre investimentos agrícolas globais. Mas começam a surgir sinais de que a valorização acelerada das terras cultiváveis pode estar perdendo força – a alta na região do Fed de Chicago foi um pouco menor que a do ano passado. Os preços caíram em Wisconsin, mas subiram 20% em Iowa, o maior produtor de milho e soja dos EUA.

Os que apostam na alta dizem que a população mundial deverá superar 9 bilhões de habitantes até 2050 e nos mercados emergentes as pessoas estão comendo mais carnes, o que exige mais grãos para as rações. Por isso, afirmam, a caça a terras cultiváveis está apenas começando. Investidores são donos de menos de 1% das terras cultiváveis dos EUA.

Produtores que estão tendo os maiores lucros reais em 40 anos tomaram dinheiro emprestado a taxas de juros muito baixas para acumular terras. Ao contrário do último "boom", na década de 70, a relação de endividamento sobre o patrimônio das propriedades agrícolas está num patamar mínimo histórico.

Entretanto, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) prevê que os produtores receberão 32% menos pelo milho este ano se a expectativa de uma safra recorde se confirmar. Além disso, nem todos estão com as contas em ordem; quase um terço dos banqueiros consultados pelo Fed de Kansas City disseram que uma parcela substancial de seus clientes produtores rurais está com uma relação de endividamento sobre patrimônio de mais de 40%. Uma alta das taxas de juros poderia pressionar os preços das terras.

A renda agrícola permanece alta apesar da seca devastadora do ano passado, com o apoio de US$ 17 bilhões em indenizações de seguros de safra subsidiadas pelo contribuinte. A legislação agrícola dos EUA proposta pela comissão de agricultura do Senado expande esse programa de seguro.

O projeto de lei também acaba com os "pagamentos diretos" que subsidiam fazendeiros tenham eles plantado ou não. Um estudo do serviços de pesquisas econômicas do Departamento da Agricultura constatou que essas pagamentos aumentaram os valores das terras cultiváveis em mais de 30% em partes de Estados como o Kansas e Nebraska, sugerindo que o fim do programa poderá levar a uma queda dos preços das terras. (Tradução de Mario Zamarian)

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Fonte: Valor | Por Gregory Meyer | Financial Times, de Nova York

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