Alta do tomate tende a arrefecer

Responsáveis por uma das maiores altas registradas no IPCA de janeiro, quando subiram mais de 45%, os preços do tomate deverão apresentar queda ao longo dos próximos meses – sobretudo no segundo semestre, quando tendem a ser pressionados pelo aumento da oferta originada no Nordeste e no Centro-Oeste.

De acordo com Flavio Godas, economista da Ceagesp, maior centro de abastecimento do país, as chuvas do início do ano comprometeram a oferta em importantes Estados consumidores, como Minas Gerais e Rio de Janeiro, gerando uma alta pontual e sazonal dos preços. "A produção deste início de ano está restrita ao Estado de São Paulo. Mais de 90% da oferta está saindo daqui, o que não é suficiente para atender nosso mercado interno", explica.

O aumento dos preços deste início de ano contrasta com o observado em 2017, quando o tempo quente e úmido acelerou a maturação dos frutos, derrubando os preços. "O fato é que, em 2017, tivemos um clima muito favorável à produção e este ano também não estamos com problema", observa João Paulo Beleu, pesquisador do Cepea/Esalq.

O órgão estima uma queda de 12,9% na área plantada na safra de verão 2017/18, atualmente em fase de colheita. "O ano passado foi muito ruim para o produtor, por isso a área diminuiu e acabou inibindo o investimento", ressalta Godas. Segundo o economista, o preço médio do fruto em 2018 deve ficar 10% superior ao observado em 2017, quando foi de R$ 2,50 o quilo.

Essa alta é considerada modesta e não tende a reforçar o que aconteceu em janeiro, quando a valorização do tomate esteve associada aos problemas climáticos pontuais e à entressafra no país. "É uma queda de área absolutamente normal. Se não fossem os problemas climáticos, a situação dos preços estaria normal", explica o economista da Ceagesp, ao avaliar que o mercado de 2018 será equilibrado.

"É preciso ter atenção com o tomate, porque os preços variam muito. É uma cultura muito sensível à questão climática", afirma Beleu, do Cepea. Segundo o pesquisador, o segundo semestre tende a continuar apresentando preços acima do registrado no ano passado, mas inferiores ao primeiro semestre, quando a produtividade costuma ser menor. "A grosso modo, o que a gente espera para 2018, principalmente no primeiro semestre, é um cenário intermediário entre o que ocorreu em 2016, com preços muito altos, e em 2017, com preços muito baixos", explica.

Por Cleyton Vilarino | De São Paulo

Fonte : Valor

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