Alta do milho fez lucro da Aurora cair 56% em 2016

Afetada pela forte alta dos preços do milho, a central de cooperativas catarinense Aurora Alimentos informou ontem que as sobras (equivalente ao lucro das cooperativas) diminuíram 55,6% em 2016, somando R$ 109,2 milhões, o que representa 1,4% da receita líquida. No ano anterior, a Aurora havia lucrado R$ 246 milhões, ou 3,5% das receitas.

"O setor agroindustrial foi penalizado pela aguda escassez de milho no mercado interno e pelo encarecimento geral dos insumos", disse o presidente da Aurora, Mário Lanznaster, em comunicado. A Aurora é a terceira maior produtora de frango do Brasil.

Em termos de vendas, a Aurora cresceu. Em 2016, a receita bruta da cooperativa atingiu R$ 8,560 bilhões, alta de 12,8% ante os R$ 7,7 bilhões reportados do ano anterior. Da receita total do ano passado, 76% foi originada nas vendas no mercado doméstico.

Nas exportações, a receita líquida da Aurora aumentou 9,3% em 2016, totalizando R$ 2,02 bilhões. Conforme a Aurora, as vendas externas de carne de frango responderam por 62% – R$ 1,2 bilhão – do total exportado, enquanto as de carne suína renderam R$ 763 milhões, o equivalente a 37% das exportações totais da cooperativa catarinense.

Mesmo com as paralisações temporárias de vários abatedouros durante 2016 – a medida foi adotada para atenuar o impacto da alta do milho sobre o desempenho da cooperativa -, os abates de frango nas oito unidades da Aurora aumentaram 5,9%, alcançando 247 milhões de aves. Segundo a cooperativa, esse avanço ocorreu por conta da aquisição de uma abatedouro localizado em Mandaguari, no primeiro semestre de 2015.

Com mais abates, a consequência natural foi o crescimento da produção de carne em 2016. Ao todo, a cooperativa produziu 514 mil toneladas de carne de frango in natura, 6,8% acima do ano anterior. No mesmo período, a produção de alimentos industrializados à base de frango cresceu 1%, para 56 mil toneladas.

No caso dos suínos, a Aurora informou que os abates realizados em sete unidades aumentaram 1,6% em 2016, atingindo 4,5 milhões de cabeças. Com isso, a produção de carne suína in natura cresceu 2,9%, para 383,9 mil toneladas, e a de produtos industrializados suínos aumentou 0,6%, para 307,4 mil toneladas.

No setor de lácteos, o clima adverso e a alta dos preços do milho provocaram uma queda de 5,6% nas entregas de leite aos cooperados, atingindo 451,2 milhões de litros.

  • Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo
  • Fonte : Valor

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