Alta do dólar elevou prejuízo da Minerva no 3º trimestre

Fernando Galletti de Queiroz, presidente da Minerva: exportações ganharam peso
Afetada pelo impacto negativo da valorização do dólar sobre sua dívida em moeda estrangeira, a Minerva Foods, terceira maior produtora de carne bovina do Brasil, encerrou o terceiro trimestre com prejuízo líquido de R$ 446,1 milhões, mais de duas vezes superior ao prejuízo de R$ 193,8 milhões do mesmo intervalo do ano passado.

No terceiro trimestre, a variação cambial provocou um impacto negativo de R$ 640,2 milhões para a Minerva. Apesar de afetar o resultado líquido, a perda com variação cambial não afeta o caixa da empresa – os recursos só são desembolsados no prazo de vencimento de cada dívida.

Além disso, a política de hedge da Minerva, que visa proteger a exposição cambial de curto prazo, reduziu o efeito negativo da variação, explicou o diretor financeiro da empresa, Edison Ticle. No período, a companhia registrou um ganho de R$ 197,1 milhões com derivativos de hedge cambial.

De acordo com o executivo, a Minerva teria registrado lucro de R$ 233 milhões no terceiro trimestre, não fosse o impacto da variação cambial sobre as suas dívidas em dólar. O aumento do endividamento, porém, afetou o índice de alavancagem da empresa (relação entre dívida líquida e Ebitda em doze meses), que subiu de 4,4 vezes em junho para 4,8 vezes.

No lado operacional, porém, a alta do dólar perante o real foi bastante positiva para a Minerva, já que tornou as exportações de carne bovina da empresa mais rentáveis e puxou as vendas.

No terceiro trimestre, a receita líquida da Minerva somou R$ 2,388 bilhões, avanço de 32,3% na comparação com a receita de R$ 1,805 bilhão registrada em igual período de 2014. A companhia também conseguiu gerar um fluxo de caixa livre positivo de R$ 404,3 milhões no terceiro trimestre.

De acordo com Ticle, a maior oferta de gado permitiu a redução da compra de gado à vista, aumentando o prazo médio de pagamento e, com isso, diminuindo a necessidade de capital de giro em R$ 196,9 milhões, afirmou.

Com o câmbio mais competitivo, a Minerva também viu crescer a fatia das exportações no faturamento, acrescentou o presidente da empresa, Fernando Galletti de Queiroz. No terceiro trimestre, as exportações representaram 76% da receita obtida pela Minerva, ante 65% de um ano atrás.

Além disso, a empresa também ressaltou o aumento das exportações de carne bovina a partir do Brasil. No período, o volume vendido pela empresa cresceu 4% ante o mesmo período do ano passado, enquanto as exportações totais de carne bovina do país tiveram redução de 13%.

No terceiro trimestre, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) totalizou R$ 278,2 milhões, crescimento de 56,4% na comparação com os R$ 177,8 milhões registrados em igual período do ano passado. Na mesma base de comparação, a margem Ebitda da Minerva aumentou 1,9 ponto percentual, passando de 9,8% para 11,7%.

Do ponto de vista estratégico, o presidente da Minerva Foods reafirmou que o crescimento da empresa, focada em carne bovina, deve ser dar na América do Sul, desconsiderando o Brasil – a Minerva julga que já possui um tamanho adequado no país.

A jornalistas, Galletti também indicou que a possibilidade de vitória da oposição nas eleições presidenciais da Argentina fará com que a Minerva "estude e mergulhe um pouco mais" na discussão sobre operar no país vizinho.

Curiosamente, a rival Marfrig anunciou na semana passada o movimento na direção contrária. Depois de esperar por anos por mudanças na política argentina, a empresa agora está negociando a venda de dois frigoríficos no vizinho sul americano, o que representará sua saída do país. Na ocasião, a Marfrig não informou o possível comprador dos ativos na Argentina, mas uma fonte a par das negociação disse ao Valor que a empresa está negociando o ativo com uma companhia com sede fora do Brasil.

Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

Fonte : Valor

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