Alta da Selic impacta pouco na agricultura

Para Ivan Wedekin, elevação não retira competitividade do produto brasileiro

19.mar.2021 às 10h17Atualizado: 19.mar.2021 às 10h51

O impacto do aumento da taxa básica de juro, a Selic, de 2% para 2,75% não traz grandes mudanças para o crédito agrícola. Em um patamar de até 5% na taxa básica, o aumento no juro para as operações de crédito livre serão pequenas.

As afirmações são de Ivan Wedekin, da Wedekin Consultores. Vai haver um aumento nas taxas livres dos bancos, inclusive nas LCAs (Letra de Crédito do Agronegócio) e nas operações de barter (trocas entre produtores e fornecedoras de insumos), mas serão patamares que não retiram a competitividade do agronegócio brasileiro.

“Não vejo, também, grandes gastos com equalização por parte do governo federal. O que o governo gasta com crédito tem sido muito pouco”, afirma Wedekin.

Plantação de soja em Belterra, no Pará

Plantação de soja em Belterra, no Pará Marcos Colón/Divulgação

Uma taxa média de 6% a 7% para o produtor brasileiro praticamente é igual à dos norte-americanos, que está próxima de 5%. Na visão do analista, o produtor brasileiro tem algumas vantagens comparativas.

Além da demanda externa aquecida e dos preços internacionais elevados das commodities, o câmbio favorece ainda mais a renda agrícola vinda dos produtos exportáveis.

O agricultor vai continuar com esse cenário favorável, além de, devido ao momento de receitas líquidas da agropecuária nos últimos anos, ter vantagens sobre os demais setores da economia nos empréstimos.

Para Wedekin, a qualidade do crédito rural atualmente é melhor do que a de outros setores. O produtor tem maior poder de barganha porque não é apenas um tomador de dinheiro, mas também um investidor importante para o sistema financeiro em poupança, CDB, títulos do Tesouro etc.

Além disso, é o único setor que mostra um PIB crescente, e isso conta, afirma ele.

BALANÇA DOS EUA VOLTA AO NORMAL

A balança comercial do agronegócio dos Estados Unidos começa a entrar nos eixos, após forte perda no período de Donald Trump. Diante de uma conjuntura favorável de preços e de demanda externa, o Usda (Departamento de Agricultura dos EUA) elevou em US$ 5 bilhões o saldo das receitas com as exportações, em relação à estimativa mais recente

O órgão prevê, agora, US$ 157 bilhões de receitas com as vendas externas neste ano fiscal (de outubro de 2020 a setembro de 2021).

Como ocorre no Brasil, soja e China são as principais responsáveis por essa melhora. As exportações de soja deverão render US$ 27 bilhões, e o comércio com a China, que foi de US$ 17 bilhões em 2020, poderá atingir US$ 32 bilhões neste ano.



Prejuízos A perda mundial de alimentos produzidos para consumo humano, da roça aos lares do consumidor, chega a 1,3 bilhão de toneladas por ano, segundo dados da FAO. Isso representa quase um terço da produção mundial.

Na porteira As perdas na produção, armazenagem, e transporte chegam a 14%. Para reduzir esses percentuais, a Bayer e a Food Tech Hub Br querem reunir startups brasileiras e latino-americanas que tenham soluções para a redução dessa perda nas diversas fases da cadeia agrícola.

Hortifrútis O projeto quer identificar empresas inovadoras capazes de minimizar os prejuízos no setor de hortifrútis, especialmente nas culturas de tomate, melão, folhosas e brássicas, como couve, repolho, nabo, brócolis etc. As perdas mundiais com frutas e vegetais chegam a 22% do volume produzido no ano.

Temas André Fukugauti, gerente de projeto em Inovação Aberta da divisão agrícola da Bayer, afirma que o projeto quer reunir startups que tenham sua atenção voltada para temas prioritários, como produção, tecnologia agrícola, engenharia genética, transporte e armazenamento.

No campo A ideia inicial é buscar soluções soluções para a primeira etapa da cadeia produtiva. Ou seja, desenvolver ferramentas para a redução da quantidade de itens perdidos durante o ciclo que vai do campo até o armazenamento.

Líderes As maiores perdas de alimentos após a colheita ocorrem nos setores de raízes e tubérculos (25%), frutas e vegetais (22%), carnes e proteínas animal (12%) e cereais (7%), aponta a FAO.

Agricultura Tropical A Embrapa e o IICA (Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura) realizam, de 22 a 26 de março, a Semana Internacional de Agricultura Tropical. O evento será virtual e reunirá especialistas de vários países.
Debates O encontro tem como objetivo compartilhar experiências de cientistas, ambientalistas e empreendedores no uso sustentável de tecnologias para adaptação de culturas agrícolas e de animais às condições climáticas e ambientais do cinturão tropical.
Cúpula O evento, que ocorrerá todos os dias das 11h às 14h, servirá também para a busca de subsídios para a Cúpula de Sistemas Alimentares das Nações Unidas, que deverá ocorrer em setembro, em Nova York.

Fonte: Jornal do Comércio

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