Algenor da Silva Gomes: Tecnologias integradas beneficiam lavouras de arroz

ARQUIVO PESSOAL/DIVULGAÇÃO/JC

Atento às carências da lavoura, Algenor aplicou muita pesquisa em prol do cultivo do cereal.

Atento às carências da lavoura, Algenor aplicou muita pesquisa em prol do cultivo do cereal.

Responsável pela redução de custos e pelo aumento da produtividade e da lucratividade em muitas das lavouras de arroz do Rio Grande do Sul, o Projeto Marca (de manejo racional da cultura do arroz irrigado) rendeu o Troféu Cientista do Arroz (conferido pela Federarroz) ao engenheiro-agrônomo Algenor da Silva Gomes, quando ainda atuava como pesquisador da Embrapa Clima Temperado, em Pelotas. O mestre em Agronomia e atualmente empresário do ramo de transporte ainda recebe os louros por seu trabalho de mais de três décadas em pesquisa e desenvolvimento de tecnologias relacionadas a solos de várzea e ao manejo da cultura do arroz irrigado.

Natural de Rosário do Sul, Gomes iniciou suas atividades em 1966, na área de solos, associando posteriormente o manejo da cultura do arroz irrigado e a rotação de culturas em áreas de várzea, com ênfase no manuseio do solo e da água. “Certa vez, me surpreendi ao avistar uma planta de arroz nascida e desenvolvida sobre uma fenda de basalto (rocha), em um canal que servia de dreno para uma lavoura de arroz irrigado. Foi então que ratifiquei minhas convicções quanto à capacidade de sobrevivência e reprodução desta planta”, recorda.

Foi a partir disso que ele reforçou seus objetivos de pesquisa na busca de criar, adaptar ou validar tecnologias que viessem ao encontro da viabilização do potencial produtivo do arroz irrigado, tornando esta cultura economicamente viável e ambientalmente sustentável. Para tanto, contou com a competência de sua equipe dentro do Centro de Pesquisa Agropecuária da Embrapa Clima Temperado. O grupo atendia as principais demandas da cultura arrozeira – como controle de plantas daninhas, melhoramento e fertilidade do solo, manejo da água, entre outros fatores. Mas foi na convivência com arrozeiros que os pesquisadores identificaram diversos problemas que tornavam a cultura praticamente inviável, com baixa rentabilidade e instabilidade na produtividade. “Estas lacunas ocorriam em uma mesma região. Muitas vezes era a mesma cultivar e o mesmo tipo de solo, só mudando o produtor, e com grande diferença na quantidade de arroz colhido”, recorda Gomes. “Associamos isso a uma falta de conhecimento da maioria dos produtores na utilização das práticas de manejo, uma vez que não havia monitoramento das lavouras.” As pesquisas desenvolvidas pelo grupo de arroz da Embrapa possibilitaram o desenvolvimento de projeto de extensão e transferência de tecnologia.

Em 2003, o Programa Marca foi lançado em Rosário do Sul, propondo uma interação entre os atores da cadeia produtiva do Estado, em função das deficiências pesquisadas. Idealizador do projeto, Gomes lembra que o objetivo era contribuir para que as lavouras do Rio Grande do Sul se tornassem eficientes, competitivas e rentáveis. A proposta era que os produtores utilizassem cultivares de arroz com alto potencial produtivo, e com maior estabilidade de produção, e aplicassem, de modo racional, técnicas de manejo integradas. O resultado trouxe benefícios para toda cadeia produtiva.

Preparo antecipado do solo melhora fecundidade

O saldo da aplicação do Programa Marca no Estado pode ser verificado em mais de 33 propriedades que aderiram ao conjunto de iniciativas: todas apresentam lavouras mais férteis e de quebra ainda garantem a sustentabilidade ambiental do sistema. Entre os objetivos do Marca, a transferência de tecnologia associada tem destaque a partir da aplicação conjunta e integrada de tecnologias-chave. Exemplo destas técnicas é o preparo antecipado do solo. “Construindo as taipas antecipadamente, o solo estará devidamente acomodado quando se for plantar, facilitando ainda outras práticas de manejo na lavoura, além de interferir na produtividade”, explica o agrônomo.

Também o encarpamento de base larga, no verão anterior ao plantio da safra a ser semeada, otimiza o cultivo do arroz e o manejo racional da irrigação que possibilita sistematizar e minimizar o uso da água. A utilização de técnicas em épocas corretas e quantidades adequadas faz parte do fator racional do Programa Marca, que também defende a rotatividade de culturas em um mesmo solo – o que já ocorre com a substituição do arroz pela soja em áreas de várzea. “Isso melhora a capacidade da drenagem do solo, além de aumentar a produtividade do arroz quando da retomada do plantio no terreno.” Em 2004, a implementação do projeto no Estado ocorreu inicialmente em 16 propriedades-referências. A média da colheita nestes locais aumentou em torno de duas toneladas por hectare, independentemente da região. “Hoje, há quem produza 12 toneladas por hectare, onde antes só se conseguia tirar 7 toneladas/hectare.”

PRÊMIO ESPECIAL

• João Mielniczuk: Revista Ciência Rural – Professor Titular Aposentado do Depto. de Solos da Ufrgs.

PRESERVAÇÃO AMBIENTAL

Ilsi Boldrini: Professora associada da UFRGS/ Instituto de Biociências.
Silvia Terezinha Sfoggia Miotto: Professora Associada da UFRGS do Instituto de Biociência, Departamento de Botânica

CADEIAS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA

Algenor da Silva Gomes, Pesquisador Aposentado da Embrapa Clima Temperado (Pelotas, RS).
• David Driemeir, Professor da Veterinária da Ufrgs.

TECNOLOGIA RURAL

• Ronaldo Matzenauer, Fepagro.
• César Valmor Rombaldi, Professor Titular da Ufpel, Departamento de Agronomia.

NOVAS ALTERNATIVAS AGRÍCOLAS

• Sérgio Francisco Schwarz, professor adjunto da Ufrgs, departamento de horticultura e silvicultura.
• Celso Aita, Professor Associado da UFSM/Depto. Solos.

Fonte: Jornal do Comércio

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