Alegra refaz planos e prevê chegar a R$ 1 bi só em 2021

Cláudio Belli/Valor

Durigon, da Alegra: Empresa ainda não atingiu ponto de equilíbrio financeiro

A severa escassez de milho que atingiu os produtores de frangos e suínos do país em 2016 atrasou o plano de negócios da Alegra Foods em dois anos. Sociedade entre as cooperativas paranaenses Castrolanda, Frísia e Capal, o frigorífico de carne suína agora vislumbra faturar R$ 1 bilhão apenas em 2021.

"Vai demorar um pouco mais. Precisamos dos investimentos no campo", disse ao Valor o superintendente da Alegra, Ivonei Durigon. De acordo com o executivo, os cooperados que fornecem suínos para a frigorífico para expandir a capacidade de suas granjas.

Sediada em Castro (PR), na região dos Campos Gerais, a Alegra entrou em operação comercial em meados de 2015, quando a quebra da safra brasileira que seria colhida no ano seguinte não estava no radar. Na estreia, o frigorífico abatia 2,1 mil suínos ao dia.

Àquela altura, a empresa paranaense projetava elevar gradualmente os abates, alcançando 4,6 mil animais por dia em 2019. No entanto, a escassez de milho atingiu a suinocultura em cheio. Ante a disparada do preço da ração, muitos produtores independentes – aqueles que não têm contratos de longo prazo com as grandes indústrias e que não são associados a cooperativas – deixaram a atividade, disse Durigon.

Em meio à crise e ao sentimento de "insegurança", os cooperados pisaram no freio, reconheceu o superintendente da Alegra. Por causa disso, as metas foram revistas. Originalmente, a companhia projetava faturar R$ 600 milhões em 2016, mas as vendas renderam só R$ 371,2 milhões no período.

Nesse cenário, a Alegra também levará mais tempo para recuperar o investimento feito pelas cooperativas na construção do frigorífico. "Se consideramos os três anos de operações, já investimos R$ 300 milhões. Foi um investimento alto. Ainda temos que buscar o ponto de equilíbrio", reconheceu o executivo.

Para erguer o frigorífico, que é um dos maiores projetos ‘greenfield’ do setor no Brasil, as três cooperativas paranaenses tomaram financiamentos no Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), lembrou Durigon.

A despeito dos desafios financeiros, o executivo enfatizou o crescimento contínuo. Embora em ritmo mais lento, a Alegra manteve a trajetória de expansão. No último ano, o faturamento alcançou R$ 512,4 milhões, crescimento de 38% na comparação com o ano anterior. Agora, a expectativa é que o faturamento supere R$ 600 milhões em 2018. Para tanto, a Alegra conta com a ampliação de abates e produção de itens como presunto, linguiça calabresa, bacon, entre outros.

A empresa fechou o ano passado abatendo 3,2 mil animais por dia. Até o fim de 2018, devem ser 3,5 mil cabeças por dia. Segundo Durigon, a produção de industrializados deverá alcançar 3 mil toneladas mensais até o fim do ano, ante as atuais 2 mil toneladas. Parte da produção de itens industrializados da Alegra é feita para terceiros, como a Ceratti. A empresa também é fornecedora de carnes – industrializadas e in natura – para redes de food service como McDonald’s, Applebee’s, Outback e Madero, disse.

Afora o segmento de industrializados, a ampliação dos abates da companhia também deve permitir a ampliação das exportações. Hoje, a Alegra obtém cerca de 30% do faturamento nas exportações, de acordo com o executivo. Os principais destinos das exportações da companhia são Hong Kong, Cingapura e Emirados Árabes Unidos.

A Alegra ainda não tem habilitação para exportar à Rússia, o que no momento é um alento. Responsável por 40% das exportações brasileiras, a Rússia embargou o a carne suína do Brasil em novembro. A despeito disso, o superintendente da Alegra acredita que os russos devem reabrir o mercado em breve. Por isso, a empresa mantém o interesse em ter a habilitação.

Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

Fonte : Valor

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