Agropecuária deve sofrer menos que outros setores com piora da economia

Projeção de crescimento menor e inflação em alta serão menos absorvidos pelo agronegócio em comparação com outros setores como indústria

Kellen Severo | São Paulo (SP)

Produção/ Canal Rural

Foto: Produção/ Canal Rural

Taxa de câmbio deve ficar em R$ 2,40 até o fim do ano

A economia brasileira em 2014 deve ter crescimento menor do que o projetado nas últimas semanas de acordo com dados do relatório Focus, divulgados nesta segunda, dia 2, pelo Banco Central. O mercado já antecipava a piora nos indicadores, como mostrou a queda no índice de confiança de consumidores e empresários, que saiu na semana passada. O setor agropecuário, no entanto, seria um dos menos impactados pelos indicadores ruins, na opinião de especialistas.

O boletim semanal do BC apresentou ajuste na projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) de 1,63% para 1,50%. Os analistas consultados pelo BC também alteraram a expectativa para o câmbio até o fim do ano, de R$ 2,45 para R$ 2,40 e a taxa de juros de 11,25% para 11% ao ano. A piora na expectativa dos agentes financeiros está em linha com a queda na confiança, apontada em indicador da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

O levantamento da FGV apontou que as expectativas para o mercado de trabalho pioraram muito neste segundo trimestre, afirma o economista responsável pelo índice de confiança do consumidor, Aloísio Campelo.

– É a primeira vez que ocorre uma parcela de pessimistas superior à de otimistas desde 2011. É o pior resultado desde maio de 2009. Os números refletem, portanto, uma piora expressiva numa variável que vinha relativamente bem até março. Estão piorando as previsões para a situação financeira da família, na visão do consumidor. Apesar de ainda parecer otimista, o Indicador de Otimismo com Evolução das Finanças Familiares, recuou ao menor nível desde fevereiro de 2010 e é o terceiro pior da série iniciada em setembro de 2005, excetuando-se a crise de 2008-2009 – conclui Campelo.

A perspectiva para o segundo semestre deste ano é de piora na atividade econômica, mas o agronegócio deve sofrer menos do que outros setores segundo a responsável pelo departamento de agronegócios da Tendências Consultoria,  Amarillys Romano.

– O estabelecimento de uma expectativa ruim é para todo mundo. O agronegócio tende a sofrer menos, mas a questão do ritmo de comercialização da colheita assume um caráter muito mais sério neste segundo semestre. Tem que ser feito com muita propriedade – conclui.

O ex-ministro da fazenda, Maílson da Nóbrega, afirmou no encerramento da 13º edição do Seminário Perspectiva para o Agribusiness que o agronegócio continuará muito competitivo.

– Há enorme potencial de expansão sustentável. Ocorrerá no futuro crescimento em ritmo menor, mas a China permanecerá por muito tempo como nosso principal mercado. O agronegócio ainda tem ganhos de produtividade em perspectiva – disse.

CANAL RURAL

Fonte: Ruralbr

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