Agronegócio poderá ter até R$ 100 bilhões no plano de safra 2009/10

Depois de receber, para combater as consequências da crise econômica, o equivalente a R$ 17,4 bilhões, por meio de medidas do governo federal, o agronegócio brasileiro poderá ter até R$ 100 bilhões no plano de safra da temporada 2009/10. A definição, prevista para maio, é aguardada com particular ansiedade pelo setor porque na safra 2008/09, marcada pela crise, assistiu-se à retração da atuação das tradings para o financiamento dos produtores.

Em relação à temporada 2008/09, o novo plano de safra será entre 20% e 25% maior, de acordo com o vice-presidente de agronegócios do Banco do Brasil, Luís Carlos Guedes Pinto. “A estimativa é que deve ficar entre R$ 90 bilhões e R$ 100 bilhões, mas isso só deve ser decidido em maio”, disse ele em fórum realizado ontem, em São Paulo, pela Associação Brasileira de Agribusiness (Abag).

O plano de safra do ciclo 2008/09 prevê desembolsos de R$ 78 bilhões – R$ 65 bilhões para a chamada “agricultura empresarial” e R$ 13 bilhões para a familiar. Com um crescimento entre 20% e 25%, o plano para a safra 2009/10 ficaria entre R$ 93 bilhões e R$ 97 bilhões.

O aumento dos desembolsos do Banco do Brasil, principal financiador do agronegócio no país, no próximo ciclo também deverão ficar entre 20% e 25%, segundo Guedes Pinto. Para o ciclo 2008/09, a previsão é de R$ aportes de cerca de R$ 35 bilhões. Até o atual estágio da safra, as liberações do banco chegaram a aproximadamente R$ 25 bilhões.

O executivo, ex-ministro da Agricultura, avalia que o agronegócio foi, até o momento, em comparação com outros setores da economia, um pouco menos afetado pela crise. Para o novo plano de safra, buying pills online diz, será crucial saber se as tradings elevarão novamente sua participação no financiamento aos produtores. “É preciso estimular o sistema para que mais agentes participem. A concentração não é interessante para ninguém, nem para o banco do Brasil”, afirmou.

Ainda que o volume de recursos previsto para o ciclo 2009/10 cresça 25%, ele ficará abaixo do requisitado por entidades do setor que já se manifestaram sobre o tema. A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) elaborou documento em que pede elevação de R$ 78 bilhões para R$ 110 bilhões – além de outras medidas, como a inclusão de carnes na política de preços mínimos. A Confederação da Agricultira e Pecuária do Brasil (CNA), por sua vez, já pediu que o montante passe a R$ 150 bilhões já na safra 2009/10, praticamente o dobro do previsto para o atual ciclo.

“O governo acaba não priorizando o setor. [Os recursos previstos] não são suficientes”, disse o deputado federal e vice-presidente da CNA, Homero Pereira (PR-MT). “É só ver quanto foi gasto com a agropecuária durante a crise e quanto foi o gasto total. Os frigoríficos order acomplia estão em uma situação bastante frágil e as tradings saíram do mercado, o que diminui ainda mais as fontes de crédito”.

De acordo com levantamento elaborado pela CNA, as medidas adotadas pelo governo para combater os reflexos da crise equivaleram a R$ 354,4 bilhões. O agronegócio ficou com R$ 17,4 bilhões desse bolo, ou 5,6% do total, segundo o estudo da entidade, que apurou as medidas tomadas desde outubro de 2008.

Entre as ações específicas para o segmento figuraram o adiantamento de R$ 5 bilhões em recursos do Tesouro para o Banco do Brasil financiar o custeio da safra e o aumento de 25% para 30% das aplicações obrigatórias (“exigibilidades”) feitas pelos bancos no crédito rural, segundo a economista Rosemeire dos Santos, assessora técnica da CNA, responsável pelo levantamento.

Fonte: Valor Econômico

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