Agronegócio fica fora do pacote federal

Setor produtivo local fez críticas à União. Agricultura, fortemente influenciada pelo dólar, ficou sem ‘apoio’

Os agricultores ficaram de fora do pacote de R$ 3 bilhões anunciado ontem pelo Ministério da Fazenda para incentivar os setores afetados pela valorização do real frente ao dólar. A medida vai beneficiar apenas empresas com faturamento de até R$ 300 milhões anuais e pertencentes aos segmentos têxtil, calçadista, de confecções, de artefatos de couro e móveis. Os recursos virão do Banco Nacional de Desenvovimento Econômico e Social (BNDES) e do Tesouro Nacional.

Em Mato Grosso, os setores mais afetados são o de móveis e o têxtil, devido à cadeia do algodão. O consultor da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), Carlos Vitor Timo, considera o pacote federal apenas como um paliativo. Por meio de linhas de crédito e isenção de impostos, a União espera dar condições para as indústrias que atuam no mercado interno competirem com os produtos importados, favorecidos em função da desvalorização do dólar.

O presidente do Sindicato Rural de Rondonópolis (210 quilômetros ao sul de Cuiabá), Ricarto Tomczyk, cialis erectile dysfunction reconhece que a agricultura ficou de fora do pacote federal, mas defende que a criação de linhas de crédito não ajudaria o setor. “O agricultor não tem capacidade de endividamento”, diz. Por isso, mesmo que a medida incluísse os produtores rurais, a categoria não seria beneficiada. “Precisamos de uma compensação tributária e de ações que baixem nossos custos”.

De acordo com Tomczyk, por enquanto não existe nenhuma negociação entre produtores e governo federal para a criação de algum pacote específico à agricultura. A última medida do governo federal que contemplou os agricultores foi a criação, em maio, do Fundo de Recebíveis do Agronegócio (FRA) – pelo qual os produtores poderão refinanciar as dívidas contraídas nas safras 04/05 e 05/06 com os fornecedores de insumos.

Na opinião do consultor da Fiemt, o ideal seria que a União realizasse as reformas necessárias, especialmente a tributária, e investisse phentermine pills without prescription em infra-estrutura. Ele considera que medidas que privilegiam apenas alguns setores da economia, como é o caso da anunciada ontem, criam um ambiente ruim para os negócios. “Isto cria desvios no sistema econômico, já que os setores não contemplados ficam em condição de desigualdade”.

A infra-estrutura também está entre os principais pontos que demandam a atenção do governo federal na opinião de Tomczyk. Segundo ele, investimentos neste setor poderiam ajudar os agricultores na redução de custos com lojística. Timo considera que o ideal seria a realização de políticas horizontais, ou seja, que contemplem de forma igual todos os setores da economia e não apenas segmentos.

Financiamento

A principal medida inserida no pacote anunciado ontem é o programa Revitaliza, cujos valores poderão ser contratados até dezembro deste ano. Ao todo, são três linhas de financiamento: para capital de giro, investimento e exportação. As taxas de juros variam de 7% a 8,5% ao ano, mas haverá um bônus de adimplência de 20% caso o pagamento seja feito em dia. Neste caso, os juros efetivos serão de 5,6% a 6,8%.

Fonte: Diário de Cuiabá

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