AGRONEGÓCIOS – Universidade forma grupos para analisar azeite do País

Análise sensorial serve para classificar os tipos de azeite, definindo se é extra-virgem ou virgem

Análise sensorial serve para classificar os tipos de azeite, definindo se é extra-virgem ou virgem

MARIANA CARLESSO/JC

Carlos Villela

A Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) está treinando o primeiro grupo técnico para fazer análise sensorial credenciada de azeites no Brasil. A cada duas semanas, um painel, formado por acadêmicos de Gastronomia e servidores da unidade gaúcha do Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro-RS) e da Superintendência Federal Agropecuária (SFA-RS) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), será treinado para identificar e quantificar sensações de olfato e paladar dos produtos de marcas que são comercializadas no Brasil.

O trabalho conjunto começou a ser desenhado em 2016, antes do início das atividades da Operação Isis, maior ação de fiscalização de azeites, em vigor desde o ano passado. Após um período com foco na base teórica, o grupo, agora, entrou na fase prática de treinamento sensorial, identificando características como aroma e sabor para apontar a categoria do azeite analisado.

Chefe do painel, o professor do Departamento de Nutrição da UFCSPA Juliano Garavaglia conta que a ideia surgiu durante as aulas no curso de Gastronomia da instituição. Garavaglia conta que a formação era prejudicada devido à baixa qualidade dos azeites usados no aprendizado em sala de aula, todos disponíveis no mercado. "Queremos fortalecer nosso laboratório para que a estrutura possa fazer análises da fiscalização", projeta o professor. 

A análise sensorial é um dos requisitos da normativa do Ministério da Agricultura para avaliar o padrão e classificar entre extravirgem, virgem ou lampante. Essas classificações são feitas através de uma escala de 10 pontos na qual se quantifica as sensações encontradas.

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Garavaglia (em pé) orienta os alunos sobre o que observar ao analisar os azeites

O azeite extravirgem deve ter média de frutado maior do que zero e nenhum defeito de média maior que zero. O azeite virgem tem média de aroma frutado maior que zero e média de defeito menor que 3,5. Já o lampante, que não deve ser utilizado para consumo humano, tem média de defeitos maior que 3,5 e/ou aroma frutado igual a zero. O azeite extravirgem, o de melhor qualidade, deve ter aroma frutado, sabor amargo e sensação picante.

Um acordo entre o Lanagro-RS, o Mapa e a UFSCPA deve oficializar as atividades do painel. O passo seguinte será obter o reconhecimento do Conselho Oleico Internacional (COI), que é um requisito para análise sensorial do azeite. Sediado em Madri, o COI estabelece normas de qualidade, produção e fiscalização. O Brasil não é membro do conselho, mas, como muitos dos países produtores e consumidores de azeite que não são filiados, atende às normativas do organismo.

Segundo a coordenadora-geral de Qualidade Vegetal do ministério, Fátima Parizzi, o processo de treinamento do painel sensorial, mesmo que ainda em fase inicial no País, é parte fundamental da análise. "A ideia é incluir o painel sensorial dentro da metodologia analítica", diz Fátima, lembrando que as maiores irregularidades das marcas são a alteração usando outros óleos e a propaganda enganosa.

Em janeiro, o Mapa realizou nova fase da Operação Isis. Em abril, o ministério divulgou que 59,7% das amostras analisadas de azeites comercializados no País haviam sido reprovadas. O Lanagro-RS é responsável pela análise das amostras de azeites produzidos ou engarrafados no Brasil. Já a unidade do laboratório que fica em Goiás faz os testes dos produtos que vêm embalados do exterior para venda direta ao consumidor final. O efeito da operação foi a retirada de 300 mil litros de produtos irregulares do mercado.

A coordenadora-geral de Qualidade Vegetal do Mapa explica que o ministério quer maior integração com órgãos de fiscalização, entre eles, os Procons, que agem também quando se trata das reclamações relacionadas às embalagens e às informações que podem ser enganosas. Para classificar os rótulos enganosos como fraude, é preciso uma análise pelos órgãos competentes. Ela adverte para um artifício usado por algumas marcas, como aplicar imagens que remetem às culturas portuguesa e espanhola, mesmo quando não se tratam de produtos oriundo desses países.

Fonte : Jornal do Comércio