AGRONEGÓCIOS – Sustentabilidade é levada em conta no momento da escolha de alimentos

Evento na Ufrgs reúne especialistas de diversos países até o dia 21

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Os consumidores estão, cada vez mais, ganhando força em relação às corporações que abastecem o mercado global com a mais diversa gama de produtos. Na área da alimentação, em especial os europeus, estão buscando as marcas e companhias mais sustentáveis e com responsabilidade social, ressalta o professor no Departamento de Agricultura, Alimentação e Meio Ambiente na Universidade de Pisa (Itália) Gianluca Brunori.

O palestrante da 3ª Conferência Internacional Agricultura e Alimentação em uma Sociedade Urbanizada cita como exemplo desse cenário uma campanha do Greenpeace que diminuiu a venda de produtos que continham óleo de palma (produzido a partir do fruto da palmeira) na Itália. Em sua explanação, Brunori questionou se não está havendo uma mudança do discurso do neoliberalismo puro, no qual os atores econômicos respondem exclusivamente aos sinais do mercado, para um "neoliberalismo iluminado", com uma proposta que leva em consideração não apenas o lucro, mas também as pessoas e o planeta.

Para o professor, existe hoje a noção de uma responsabilidade coletiva, com o entendimento que os modos de consumo impactam outras pessoas e o desenvolvimento. Um povo que tem mudado muito seus hábitos alimentares é o chinês. A professora na Escola de Negócios da Universidade Su Yat-Sem (China) Yanfeng Zhou comenta que uma pesquisa identificou que os consumidores desse país estão comendo frequentemente de seis a nove tipos de alimentos dentro desse grupo: bolo de chocolate, cerveja, peixe, batatas fritas, café, carne, maçã, brócolis e leite.

Apesar desses itens terem aumentado sua inserção na China, o público local tem avaliações distintas sobre as qualidades desses alimentos. Enquanto maçãs, leite e brócolis são vistos como produtos que contribuem para a saúde mental e física, as batatas fritas vão na contramão do bem-estar. Outra participante da conferência foi a professora no Departamento de Sociologia e Ciência Política da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Julia Guivant, que, entre outros assuntos, abordou o tema do glifosato. A socióloga ressalta que esse químico é claramente apontado por diversas pesquisas como cancerígeno. Julia lamenta que o uso do herbicida venha crescendo significativamente a partir da resistência apresentada pelas ervas daninhas. A professora defende que é necessário procurar alternativas, pois já se começa a perceber casos em que se verificou resíduos do glifosato em rações de pets e, até mesmo, em cereais matinais (situações nesse sentido foram relatadas nos Estados Unidos).

A responsabilidade dessa questão, de acordo com Julia, paira sobre a Monsanto, que lançou o produto com o nome comercial Roundup, ocultando evidências da possibilidade de ser cancerígeno. "Há pouco tempo, foi descoberto o que se chamou de Monsanto Papers e se viu que havia conhecimento por parte da empresa dos riscos do glifosato, agora não dá para negar esses riscos", destaca.

/ROCHELE ZANDAVALLI/DIVULGAÇÃO/JC

Jefferson Klein

Fonte : Jornal do Comércio