Agronegócios – Setor segura vendas à espera de preço maior

Comercialização antecipada da commodity, até novembro, é inferior ao patamar do mesmo período de 2015 e da média dos últimos cinco anos, avalia consultoria. Clima é foco do mercado.

Operação de embarque de grãos no Porto de Paranaguá, no Paraná Operação de embarque de grãos no Porto de Paranaguá, no Paraná
Foto: Ivand Bueno / APPA

São Paulo – A conjuntura de uma possível derrocada nas cotações da soja em Chicago no ano que vem – caso Estados Unidos, Brasil e Argentina venham com safras cheias – não tem sido suficiente para acelerar as vendas do setor, que, com cautela, espera preços melhores.

Em novembro, o retorno do índice à casa de US$ 10 por bushel e o dólar passando de R$ 3,40 deram fôlego aos preços brasileiros e fizeram com que a comercialização da safra atual, que será colhida no primeiro trimestre de 2017, avançasse cinco pontos percentuais, para 34% da estimativa de produção, avalia a consultoria AgRural. No entanto, o percentual está atrás do patamar de 44% registrado no mesmo período do ano passado e da média de 40% estabelecida nos últimos cinco anos.

Na mesma linha, o analista da consultoria Safras & Mercado, Luiz Fernando Gutierrez, acredita que os negócios estejam em torno de 28%, também inferior aos 46% de novembro de 2017.

"No ano passado as vendas foram muito antecipadas, depois o Brasil ficou sem o grão antes do tempo e o preço subiu muito", explica a analista de mercado da AgRural, Daniele Siqueira. "Em meados de junho [de 2016], o produtor negociou a oleaginosa em patamares recordes, acima de R$ 100 por saca [de 60 quilos]. Ele ficou com esse número na cabeça e agora o que estiver abaixo de R$ 90 é considerado pouco", acrescenta Gutierrez.

Durante a última semana, o Indicador de soja Esalq/ BM&FBovespa, com referência no porto de Paranaguá, transitou entre R$ 79 e R$ 80 por saca de 60 quilos.

Mesmo com a finalização da colheita nos Estados Unidos, neste segundo semestre, os indicadores do grão não atingiram reduções muito acentuadas, de acordo com o consenso do mercado. Os valores tem sido sustentados por um ritmo intenso de exportações naquele país. Estes embarques não serão suficientes para conter a terceira queda anual consecutiva na renda agrícola norte-americana. Segundo o Departamento de Agricultura americano (USDA), a receita terá retração de 17,2%, para US$ 66,9 bilhões – a menor em sete anos.

Encerrada a safra do principal concorrente brasileiro, os olhos de Chicago se voltam para o desempenho das lavouras na América do Sul. "A safra nacional está indo muito bem. Os preços praticados atualmente tem tudo para não se sustentarem por muito tempo. Tenho essa preocupação", admite o presidente da Câmara Setorial da Soja do Ministério, Glauber Silveira da Silva.

As consultorias mantêm mais cautela sobre a possível pressão da oferta global nas cotações. Para o especialista da Safras & Mercado, a possibilidade é real mas a certeza só vira em meados de fevereiro, se o clima não trouxer nenhuma surpresa ao setor. De acordo com a analista da AgRural, seca e temperaturas altas no Sul do País não estão descartadas. Caso nenhum problema ocorra e os três maiores produtores do mundo tiverem êxito, o agricultor que não aproveitou a alta pode sair prejudicado.

Vale lembrar que o dólar alto tem favorecido os negócios com o mercado externo.

Cenário produtivo

As duas consultorias indicam que o plantio da oleaginosa atingiu 95% das áreas. Lavouras secas do sul de Mato Grosso do Sul e do norte do Paraná receberam chuvas. As precipitações levaram alívio aos produtores e beneficiaram principalmente as regiões plantadas mais tarde, que ainda estão em fase vegetativa.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) confirmou perspectivas positivas para a colheita, com projeções na casa das 102 milhões de toneladas. Ao todo, a safra de grãos do País pode crescer 14,2% ante o ciclo de 2015/2016.

Nayara Figueiredo

Fonte : DCI

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