Agronegócios – Setor procura saídas para melhorar margens

Aumento dos custos de produção acumulado nos últimos anos achatou o lucro dos produtores de Goiás, mesmo durante a temporada de safra recorde. Feijão irrigado está na estratégia da cadeia

Chuva afeta regiões goianas, mas não impede o andamento da colheita de soja nas fazendas do estado

Chuva afeta regiões goianas, mas não impede o andamento da colheita de soja nas fazendas do estado
Foto: Rally da Safra /Marcos Campos

Jataí (GO) – A busca constante por ganho de produtividade já é pouco para colocar o agricultor em margens lucrativas mais confortáveis. Em Goiás, projetos de irrigação por pivô e ingresso em cultivos fora da cadeia de grãos são vistos como saídas para seguir em expansão.

O consenso é que se o produtor não estiver minimamente capitalizado, terá dificuldades para sobreviver a crises como a ocorrida na última temporada "por causa do custo-benefício. As margens estão cada vez mais estreitas. Qualquer problema climático que vier pode quebrar o negócio", argumenta o produtor do município de Montividiu (GO), Charles Peeters, durante visita da expedição técnica Rally da Safra, promovida pela Agroconsult.

Antigamente, o volume de pragas e doenças nas lavouras era menor e, em consequência, demandava menos aplicações de defensivos, por exemplo. O próprio desenvolvimento tecnológico encarece os insumos, como as melhorias genéticas das sementes. Soma-se a isso a elevação nas despesas operacionais, combustíveis, pessoal, etc. Analisando o histórico de seis a dez anos atrás, o gerente da Fazenda Lageado, Sidney Bauduíno, da cidade de Jataí (GO), calcula que as margens tenham reduzido em torno de 25%.

"Meu ponto de equilíbrio para não arrendar as terras é 66 sacas por hectare. Se produzir menos que isso, não compensa", estima Peeters.

Para garantir a rentabilidade, o agricultor de Montividiu conta que está com processos de outorga de água em andamento, para a implantação de barragens e construção de um sistema de irrigação por pivô central. Se os planos derem certo, feijão e sementes de milho serão cultivados abaixo de um guarda-chuva hídrico, cadeias que já são especialidades da propriedade.

Em uma analise mais arrojado, o pivô ainda abre precedente para que parte das áreas seja destinada para a produção de hortifrúti – setor que foge à tradição do cerrado.

Feijão irrigado também é a meta do produtor Valmir Maggioni, de Jataí, pela mesma sensação de que as margens estão estreitas. "Já entramos com a outorga para implantar pivô. Há um projeto de construção de represa", comenta.

Dos 5,8 mil hectares da fazenda de Maggioni, cerca de 1,1 mil podem ser irrigados. O plano está orçado em R$ 11 milhões. Com muita sorte – leia-se plantio, clima e preços favoráveis – duas safras de feijão pagariam o investimento. Mas como os picos vistos no ano passado pelos índices do feijão não são dos mais comuns, as possibilidades de cultivos irrigados passam por milho, café e ‘batatinha’.

Nas áreas do secretário de Agricultura de Jataí e produtor, Silomar Cabral Faria, a irrigação e seus resultados saíram do papel e são uma realidade.

"Em três anos, reduzi de 400 para 200 hectares no plantio, mas irrigados. Antes colhia 50 sacas por hectare de soja e agora são 79 sacas. Estou me preparando para salvar sementes na próxima safra e, no futuro, também de milho", conta o representante do setor. Para ele, esse é um movimento de agregação de valor, no qual a tecnologia é indispensável.

Nayara Figueiredo

Fonte : DCI

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