AGRONEGÓCIOS – Rio Grande do Sul inicia busca por novo status sanitário

Assembleia Legislativa instalou ontem FRente Parlamentar que tratará da evolução da condição sanitária

Assembleia Legislativa instalou ontem FRente Parlamentar que tratará da evolução da condição sanitária

A Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr) formalizou o pedido de auditoria do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) no sistema de defesa sanitária animal, na segunda quinzena de julho, com o objetivo de avaliar a situação em relação à febre aftosa, visando à possível evolução de status sanitário para a condição de livre de febre aftosa sem vacinação. O documento foi entregue ontem pelo secretário Covatti Filho ao superintendente federal do Mapa no Rio Grande do Sul, Bernardo Todeschini. A solicitação foi feita na Assembleia Legislativa, durante ato de lançamento da Frente Parlamentar em Apoio à Evolução do Status Sanitário Animal do Estado.

No documento entregue ao Mapa, o secretário da Agricultura informa que o Estado já elaborou um plano estratégico para o cumprimento das metas, a partir de uma auditoria em 2017, em conjunto com o governo federal. O plano tem sido implementado e permitido alcançar as metas definidas, sendo que a maioria delas já foi atendida ou está em andamento.

Conforme o documento, houve progresso no sistema de vigilância e monitoramento a campo em todo o Estado, incluindo o controle de trânsito animal e produtos de origem animal nos postos de divisa e fronteira. Covatti Filho enumerou ainda que o Rio Grande do Sul tem mantido adequada estrutura de pessoal e de equipamentos, capilaridade em todo seu território, e ausência de circulação viral de febre aftosa nos países limítrofes com o Estado.

"O progresso do sistema de defesa animal do Rio Grande do Sul tem sido uma prioridade dos setores público e privado do Estado, e seu constante monitoramento permite que consideremos que o Rio Grande do Sul tem condições de atender aos requisitos necessários para que seja retirada da vacina contra febre aftosa", disse o secretário.

Na mesma oportunidade, a Assembleia Legislativa gaúcha instalou a Frente Parlamentar em Apoio à Evolução do Status Sanitário Animal do Rio Grande do Sul. A Frente é uma proposição do deputado Ernani Polo (PP), com apoio de diversas entidades representativas do setor. Polo afirmou que a Frente tem como objetivo fazer uma interlocução entre entidades, governos federal, estadual e Câmara Federal, no sentido de avançar para a meta da elevação do status sanitário do Estado. Ainda de acordo com o parlamentar, a Frente se justifica pela exigência cada vez maior dos mercados mundiais, no que se refere à qualidade e sanidade alimentar.

O parlamentar destacou também que um dos focos da Frente Parlamentar é realizar encontros no interior do Estado, com entidades, Fundesa, Secretaria da Agricultura e Ministério da Agricultura, dialogando e esclarecendo produtores rurais sobre como a situação da defesa agropecuária gaúcha.

Carne brasileira pode ganhar espaço no mercado chinês

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, disse ontem que a peste suína na China pode oferecer uma oportunidade para o Brasil ampliar seu mercado de carnes. A China é hoje a maior produtora de carne suína do mundo. "Hoje, com o problema que vem se agravando lá, vemos grande oportunidade de o Brasil ocupar parte desse espaço", disse a ministra, que esteve hoje na Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Quanto à soja, a ministra disse que a expectativa é que as exportações para a China sejam menores, por causa dos problemas com a peste suína no país. "Com certeza diminuirão as nossas exportações de soja, mas nós vamos agregar valor. Em vez de vender soja a US$ 500 a tonelada, vamos vender a proteína a US$ 2 mil a tonelada, seja frango, bovino ou suíno."

Tereza Cristina lembrou, no entanto, que o Brasil precisa se manter alerta ao risco de contaminação de seus animais com a peste suína.

No Brasil, a PSA (peste suína africana) foi erradicada em dezembro de 1984, e o país foi declarado área livre da doença. Mesmo assim, no ano passado, o ministério ampliou as medidas de vigilância sanitária para evitar o ingresso do vírus no país. "Hoje a doença está espalhada só na Ásia, mas é muito preocupante." A ministra destacou que é preciso tomar todas as medidas porque o Brasil é grande exportador e precisa estar seguro de que essa peste "não chegue aqui".

Segundo o Ministério da Agricultura, a peste suína africana é uma doença viral e não oferece risco à saúde humana, mas pode dizimar plantéis de suínos, sendo altamente infecciosa, o que exige o sacrifício dos animais, conforme determina a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE).

Tereza Cristina informou que a China deve enviar mais uma missão ao Brasil para inspecionar as unidades produtoras de carnes. No ano passado, chineses já haviam visitado 10 plantas no país.

"Eles pediram para levar os relatórios com as novas perguntas, os novos questionamentos. Então, já estamos mandando para discutir lá com eles a abertura das plantas. Estamos levando as informações de outras plantas. Acreditamos que será marcada uma nova visita ao país para fazer vistoria em outras plantas", acrescentrou a ministra.

No dia 6 de maio, a ministra da Agricultura viaja para a Ásia. A primeira etapa da viagem será o Japão, onde ela participará da reunião de ministros da Agricultura dos países que integram o G20. Depois, ela irá à China, onde visitará uma feira em Xangai e terá encontro com autoridades chinesas para discutir a abertura de novas plantas de carne. Na China, a ministra pretende falar também sobre as exportações de soja.

"Nós vamos falar sobre nossos mercados principais, e a soja é um deles, dado que os Estados Unidos estão fechando um acordo no setor agropecuário", explicou Tereza Cristina. "O Brasil tem de ir lá e dizer: ‘Estamos aqui, sempre fomos bons parceiros, entregamos o que nos comprometemos, somos confiáveis’. Não podemos deixar o lugar vazio que alguém vem aqui e senta", afirmou. Também estão no roteiro da ministra o Vietnã e a Indonésia.

ALEXANDRE FARINA/DIVULGAÇÃO/JC

Fonte : Jornal do comércio