AGRONEGÓCIOS – Produção de arroz pode ganhar novas parcerias

Coradini Filho (centro) recebeu diplomatas na indústria de Dom Pedrito

Coradini Filho (centro) recebeu diplomatas na indústria de Dom Pedrito

Está nas exportações de arroz uma das grandes esperanças de recuperação da cultura do grão no Estado, tanto para indústrias quanto para produtores. E a comitiva de diplomatas de nove países ao Rio Grande do Sul, a convite da Confederação Nacional da Indústria (CNA), poderá ser um importante impulso para isso. Em visita ontem a Coradini, indústria beneficiadora do grão, de Dom Pedrito, o interesse do grupo por informações sobre o arroz gaúcho sinalizou para uma aproximação com diferentes países. Irã e China estavam entre os mais interessados em comprar e investir na cultura.

No caso chinês, o segundo-secretário da Embaixada da China no Brasil confirmou o interesse da divisão de sementes da Dow Chemical adquirida pelo fundo chinês Citic Agri, asiático, em 2017, em parcerias no Estado. "Já temos parcerias no segmento de milho e temos interesse em desenvolver produção e pesquisa na área do arroz também", afirmou, ao diretor da Coradini, Elio Coradini Filho.

Changqing Bai, primeiro-secretário da Embaixada da China no Brasil, sugeriu no encontro começar a organizar uma missão chinesa ao Estado para conhecer melhor a atividade e dar início a possíveis ações conjuntas em pesquisa e plantio. O mercado chinês, por sinal, é um dos mais cobiçados pela Coradini. Hoje, as exportações para o gigante asiático são impedidas por questões sanitárias que estão sendo tratadas pelo Itamaraty e o governo de Xi Jinping. Outra limitação é o tipo de arroz consumido pelos chineses, o chamado arroz aromático, que não é produzido no Brasil. "Mas estamos estudando produzir esse tipo de arroz aqui no Estado, em parceria com a Rice Tec para então podermos competir com os tradicionais fornecedores da China, em gera outros países asiáticos", explica Elio Coradini.

Outro mercado que pode se abrir ao arroz gaúcho é o iraniano, segundo o representante do país no grupo Agrobrazil, Mohsen Shahbazi. Uma das dúvidas do diplomata é sobre o índice de arsênio presente no arroz brasileiro. E, de acordo com Coradini Filho, que também é presidente do Sindarroz, o índice de arsênio no arroz produzido no Estado é nulo ou baixíssimo. O arsênio, que pode ser tóxico, surge a partir de uma combinação de elementos naturais influenciados, por exemplo, pelo solo onde é plantado. "Isso é uma preocupação para nós porque já tivemos que rejeitar uma grande carga comprada do Uruguai, há dois anos", explica o iraniano.

As vantagens gaúchas para exportar o cereal incluem a elevada produtividade (cerca de 10 mil quilos por hectare, ante a média de 8 mil obtida em outros países), o que ajuda a obter preço mais competitivo. Além da proximidade das principais regiões produtores, no Sul do Estado, com o porto do Rio Grande, de acordo com Coradini Filho. Hoje, diz o executivo, um dos grandes competidores internacionais do Brasil na exportação de grãos é o Uruguai.

"Mas isso é mais pela tradição exportadora do Uruguai do que por competitividade. O Uruguai exporta há muitos anos, porque consome internamento apenas 10% do que produz, mas tem custo mais elevado do que o nosso", assegura. O avanço nas exportações gaúchas, porém, é significativo. Usando o exemplo da própria Coradini, o executivo conta que há cinco anos o arroz beneficiado pela empresa era embarcado para apenas seis países. Hoje, os destinos já chegam a 20. A diversificação de países compradores, porém, segue sendo um desafio e uma necessidade. Isso porque o maior comprador do grão brasileiro é a Venezuela. Como o país enfrenta grande crise, com elevado risco de calote em pagamentos, as vendas para lá são feitas apenas com pagamento antecipado, o que limita o volume de negócios. "Outro grande comprador é Cuba, que tem as vendas e pagamentos assegurados por um fundo garantidor brasileiro", explica Coradini Filho.

Mapa vai atualizar normas do Mal da Vaca Louca

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) criou comitê que vai revisar as normas para vigilância, controle, erradicação, certificação e emergência sanitária do Mal da Vaca Louca e todas as formas de Encefalopatias Espongiformes Transmissíveis (que incluem seres humanos), com as atualizações do Código Terrestre de Animais da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE).

Também serão modernizadas as análises laboratoriais para diagnóstico da doença. O grupo foi criado pela Portaria 44. Além de integrantes do ministério, o comitê terá pesquisadores de universidades. As ações imediatas do comitê serão a análise dos pedidos de atualização da legislação do programa do ministério para a doença e inclusão de novas descobertas e conhecimentos sobre as encefalopatias.

Atualmente, a OIE classifica o Brasil com o menor grau de risco para a vaca louca: "insignificante". A pior situação é a do risco desconhecido. Existe ainda o risco controlado no qual se enquadram alguns países da Europa. O mal da Vaca Louca (encefalopatia espongiforme bovina) é uma doença degenerativa que atinge o sistema nervoso do gado e seus sintomas incluem agressividade e falta de coordenação.

O último caso atípico de vaca louca no Brasil foi confirmado em 2014, pelo Laboratório Nacional Agropecuário em Pernambuco (Lanagro-PE), em uma vaca de 12 anos de idade, de uma fazenda de Mato Grosso. Foi considerado atípico, pois o animal não consumia ração de origem animal (de restos de carne, miúdos e medula óssea), que pode conter a proteína que desencadeia a doença no cérebro do bovino. O animal foi abatido e destruído em 19 de março daquele ano. Foram feitas investigações em 11 propriedades próximas da fazenda e sacrificados e destruídos 49 animais nascidos um ano antes e um ano depois do animal com a encefalopatia.

Tereza Cristina marca para o dia 10 encontro com embaixadores árabes

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, vai se reunir na próxima quarta-feira com 51 embaixadores de países árabes para confirmar a intenção do governo brasileiro de intensificar parcerias comerciais. A reunião ocorre após o anúncio da abertura de um escritório de negócios do Brasil em Jerusalém.

O encontro, organizado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), na própria sede da entidade ruralista em Brasília, foi um pedido dos representantes árabes. "Vai ser uma conversa franca. Esse jantar já estava marcado antes do presidente Jair Bolsonaro anunciar a viagem para Israel", afirmou Tereza Cristina. "A agropecuária brasileira que quer produzir cada vez mais precisa desse entendimento com todos os países."

Tereza Cristina sinalizou que a intenção do governo brasileiro é de parcerias com os países árabes. "No que depender da agricultura estamos juntos para aumentar a parceria", afirmou. O presidente Jair Bolsonaro reiterou hoje, antes de embarcar de Israel para o Brasil, que pretende visitar o Oriente Médio no segundo semestre.

/THIAGO COPETTI/ESPECIAL/JC

Thiago Copetti, de Dom Pedrito

Fonte : Jornal do Comércio

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