Agronegócios – Primeira solução digital da Monsanto chega em 2017

Agricultores do Mato Grosso, Bahia, Goiás e Mato Grosso do Sul testam a plataforma em propriedades de soja e milho; negociação feita com a Bayer aguarda aprovação

Aplicativo auxilia o produtor rural no monitoramento da colheita de grãos para evitar perdas na lavoura Aplicativo auxilia o produtor rural no monitoramento da colheita de grãos para evitar perdas na lavoura
Foto: Dreamstime

São Paulo – Consolidada na cadeia de fornecimento de insumos, a Monsanto agora aposta na prestação de serviços e começou pela era digital. Em 2017, a empresa deve lançar comercialmente a plataforma FieldView para monitoramento das lavouras brasileiras.

O sistema, já aplicado em solo norte-americano há quatro anos, consiste em uma série de sensores instalados nas máquinas agrícolas, que conectam-se a tablets e computadores, para coletar dados de desempenho que, em seguida, são enviados aos servidores da companhia, onde são cruzados e analisados. A ideia é maximizar os ganhos de produtividade e minimizar as perdas com plantio, colheita e aplicações de defensivos, por exemplo.

"É uma plataforma digital que ajuda no conhecimento da propriedade", disse a jornalistas, ontem, o líder da The Climate Corporation para a América do Sul, Mateus Barros. A empresa é uma subsidiária da Monsanto que responde pela solução.

Atualmente, 100 produtores rurais espalhados entre os estados do Mato Grosso, Bahia, Goiás e Mato Grosso do Sul, testam o sistema em suas respectivas propriedades de soja ou milho. Esta etapa teve início no ano passado e acontece para que os desenvolvedores conheçam a viabilidade do produto num país tropical, tal como os valores que serão cobrados pelo serviço. Neste período, inclusive, o sistema já sofreu alterações. O encaminhamento dos dados ao servidor da Monsanto acontece quando os sensores encontram um sinal de internet, porém, a ausência deste sinal em lavouras mais distantes levou a empresa a permitir que a coleta de dados também pudesse ser feita no modo ‘offline’ – fato que não acontecia nos Estados Unidos.

"A tecnologia pode ser usada por agricultores de 15 hectares ou de 15 mil. Cerca de 68% dos agricultores brasileiros têm um smarthphone ou um tablet", comenta o líder da Monsanto para a América Latina, Rodrigo Santos, sobre as oportunidades no País.

Na visão do executivo da Climate, o Brasil "seguramente" será o segundo mercado mais importante para as soluções digitais da empresa, atrás apenas dos norte-americanos. Recentemente, foi dada a largada na fase de testes nas lavouras do vizinho (e grande concorrente na produção de commodities), Argentina. Na Europa, uma aquisição realizada há três semanas, da companhia de dados agrícolas VitalFields, foi a porta de entrada do software para sete países – já em operação comercial.

Anualmente, a Monsanto tem investido US$ 1,5 bilhão em suas operações, com foco em melhoramento genético, defensivos e plataformas digitais. Questionado sobre o retorno financeiro, Barros destacou que a resposta vem a longo prazo. "Do ponto de vista financeiro, até nos Estados Unidos ainda estamos no momento de investimento para um retorno posterior", disse.

Safra e mercado

Santos acredita que a área plantada no verão, no Brasil, deve crescer na casa de dois dígitos, mas garantiu que não faltarão sementes para abastecer o mercado na safrinha, cujo plantio começa no primeiro trimestre do ano que vem.

"A expectativa é positiva para o mercado [nacional]. O agro cresce 3% em um país em que a economia cai 2%. O agro está bem tanto na soja, quanto no milho safrinha", comenta o líder para a América do Sul.

Em 2016, o grande acontecimento envolvendo a Monsanto foi sua venda para a companhia de agroquímicos Bayer, em um negócio de US$ 128 por ação à vista, que representa um prêmio de 44% para os acionistas da Monsanto e um valor agregado na operação de US$ 66 bilhões.

A finalização das negociações aguarda apenas a aprovação de órgãos reguladores aqui e no exterior, até lá, Santos enfatiza que as duas empresas seguem de maneira independente. A expectativa é que a aprovação aconteça em meados de dezembro de 2017. "Estamos otimistas com a aprovação", conclui o executivo.

Nayara Figueiredo

Fonte : DCI

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