CAMPO ABERTO | Caio Cigana Arrancada Na indústria de máquinas AGRÍCOLAS

 

  • Enquanto a indústria patina, um setor no qual o Rio Grande do Sul é responsável por cerca de dois terços da produção nacional mostrou sinais de recuperação robusta em outubro. A venda de tratores no mercado interno mês passado deu uma arrancada de 31,8% na comparação com igual período do ano passado, alcançando 4.133 unidades, mostrou ontem a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Nas colheitadeiras, o avanço foi ainda maior, de 57%, para 530 máquinas.
    Com as vendas mais aquecidas, o ritmo nas fábricas também se acelerou. A produção de tratores aumentou 26% sobre outubro de 2015 e 24% ante setembro. Nas colheitadeiras, o crescimento foi de 63,1% sobre o mesmo mês do ano passado. Em meio ao crescimento do desemprego no país, as indústrias de máquinas agrícolas criaram postos de trabalho, com avanço de 2,5% sobre setembro. No cotejo com igual período de 2015, alta de 6,6%.
    O presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do Rio Grande do Sul (Simers), Claudio Bier, avalia que a recuperação da atividade das vendas no setor é atribuída a dois fatores. Um tem relação com a melhora no ambiente político, o que levou os agricultores brasileiros a voltarem a se sentir confiantes para investimentos de mais longo prazo. Ao mesmo tempo, apesar de os preços das commodities agrícolas já terem sido melhores ao longo do ano, estão longe de serem desestimulantes. E apostar em tecnologia, lembra Bier, representa ganho de produtividade na lavoura.
    Mas, além da melhora do humor na economia, há um segundo fator que pode estar contribuindo para o súbito aumento dos negócios. A partir de 2017 começa a valer para o setor de máquinas agrícolas o Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconove), que obriga o uso de um motor menos poluente.
    – As indústrias vão fazer estoque e os produtores preferem o motor atual, que já e conhecido, e por terem os seus almoxarifados montados – avalia Bier.
    Assim como ocorreu com ônibus e caminhões, a nova tecnologia tende a deixar as máquinas agrícolas um pouco mais caras, o que poderia incentivar antecipação das aquisições.

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    Maus-tratos em granja de suínos
    Centenas de suínos foram transferidos ontem de uma unidade produtora de leitões em Tenente Portela, no norte do Estado, por estarem passando fome. Os animais foram encontrados em uma inspeção de rotina da Secretaria da Agricultura no dia 19 de outubro. Devido a um desentendimento entre o produtor e a empresa integradora, os animais não estavam sendo alimentados. Muitos morreram. Além dos corpos dos que sucumbiram, fotografias e vídeos feitos no local mostram suínos esquálidos e em alto grau de estresse.
    – A situação aqui é triste de ver – resumia ontem o fiscal estadual agropecuária Gustavo Gheller, que descobriu a situação no mês passado.
    A transferência dos animais para outra propriedade, por ordem judicial, foi acompanhada por integrantes de Ministério Público, Patrulha Ambiental, Secretaria de Meio Ambiente do município e representantes da integradora.

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    Santa Maria e São Sepé vão receber, pela primeira vez na Região Sul, a Escola de Pecuária Intensiva. O objetivo é estimular a profissionalização nos sistemas de produção e o aumento da mão de obra qualificada no campo. O evento, entre os dias 22 e 24 de novembro, é organizado pela Associação Nacional da Pecuária Intensiva (Assocon).

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    Mercado travado PELO PREÇO
    O ritmo dos negócios com soja está lento no país, indica levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da USP. Com o patamar atual de cotações, os produtores seguram o grão da última safra e não se mostram interessados em fixar os preços do ciclo 2016/2017. Indústria e exportadores também não demonstram apetite para ir às compras. Entre 28 outubro e 4 de novembro, o grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta- entrega) no porto de Paranaguá (PR) caiu 1,8%, fechando a R$ 76,49 a saca de 60 quilos na sexta-feira.

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    RITMO DISTINTO
    Acelerado no país, atrasado no Rio Grande do Sul. Levantamento da AgRural sobre o ritmo do plantio da safra de verão no país mostra que, na média nacional, o cultivo até a sexta-feira já chegava a 53% da área esperada. O percentual fica em linha com a média histórica e acima do mesmo período do ano passado (47%).
    No Estado, onde o ciclo começa depois, o trabalho está mais devagar. Conforme a AgRural, o atraso no Rio Grande do Sul tem relação com o grande volume de chuva registrado em outubro, forçando as máquinas a permanecerem nos galpões. Os agricultores gaúchos plantaram apenas 11% da área até o último dia 4. Na safra anterior, o percentual chegava a 33%. A consultoria espera que a safra de soja brasileira alcance 100,4 milhões de toneladas.
    Em relação ao milho, 94% da área esperada para o Rio Grande do Sul já foi plantada, estima a AgRural.

    Fonte : Zero Hora

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