AGRONEGÓCIOS – Preço-referência do leite recua 3,78% no Rio Grande do Sul

Mercado lácteo ainda é muito concentrado no produto UHT

Mercado lácteo ainda é muito concentrado no produto UHT

/MARCELLO CASAL JR/ABR/JC

O preço do leite manteve trajetória de baixa no Rio Grande do Sul no mês de setembro. Segundo dados divulgados na reunião do Conseleite, realizada ontem, o valor de referência do litro projetado para o mês é de R$ 1,1480, 3,78% abaixo dos R$ 1,1931 do consolidado de agosto.

Apesar da queda, o valor do UHT – carro-chefe do mix de derivados lácteos gaúchos – segue acima dos parâmetros de anos anteriores. A reunião foi coordenada pelo presidente do Conseleite, Pedrinho Signori, que reforçou a importância de manter remuneração digna ao produtor gaúcho.

O professor da Universidade de Passo Fundo (UPF), Eduardo Finamore, pontua que, após o pico de valor nominal registrado em julho no Rio Grande do Sul, o leite teve dois meses de diminuição consecutiva em função da entrada da safra. "Contudo, temos, em valores acumulados de janeiro a setembro, o melhor preço médio nominal dos últimos tempos", pontuou. O economista ainda indica que, em termos reais (com valores acumulados de janeiro a setembro corrigidos pelo IPCA), o valor do leite em 2018 está em seu pico com média acumulada anual de R$ 1,1220. Além disso, lembrou que, no campo, os produtores recebem acima do valor de referência do leite padrão em função de bonificações de qualidade e quantidade. "O que estamos vendo é que, mesmo que alguns produtores estejam deixando a atividade, a produção segue crescendo. Isso mostra que quem fica está produzindo mais", justifica o professor da UPF Marco Antônio Montoya.

"A produção já chegou no pico, e o acesso de chuvas ajudará a retirar pressão do mercado pelo fim do aumento em volume na captação. Esse cenário demonstra que haverá pela frente uma estabilidade de preços no mercado consumidor", afirma o presidente do Sindilat, Alexandre Guerra. O secretário executivo do Sindilat, Darlan

Palharini, pontuou a importância de equilibrar o mix de produção para estabilizar o mercado, hoje ainda muito concentrado no UHT. "A produção de leite em pó e queijos sempre ajuda a regular o mercado", citou. Além disso, ressaltou a relevância de incentivar as exportações para garantir menores oscilações no mercado nacional.

Durante a reunião, os dirigentes também debateram a necessidade de qualificação constante da produção. O presidente da Apil, Wlademir Pedro Dall’Bosco, reforçou os avanços já obtidos e o caminho a ser percorrido. Pontuou a importância de estreitar relacionamento entre produtores e indústrias para qualificar produção e garantir maior rentabilidade à atividade.

Projeto de monitoramento do leite cru na plataforma está sendo implementado

Na tentativa de aprimorar cada vez mais o monitoramento do leite gaúcho, o Sindicato da Indústria de Laticínios do RS (Sindilat) e o Sarle/UPF estão alinhando um projeto-piloto para diagnosticar os gargalos existentes atualmente no Estado. A proposta, que está em fase de implementação, deve permitir a testagem do leite cru por meio das chamadas CPPs (Contagem Padrão em Placas) nos silos nos quais são armazenados o leite, tanto nas plataformas industriais quanto nos entrepostos de associados do Sindilat.

O projeto foi apresentado ontem, durante reunião de associados pela responsável técnica do Sarle Joseane Bressiani. Ela relatou dados preliminares coletados em empresas nos últimos dias de setembro e que já demonstram as potencialidades das novas testagens. Segundo ela, a ideia é conhecer a fundo a realidade dos níveis de CPP do leite gaúcho posto na plataforma. Hoje, os indexadores referem-se apenas às propriedades de forma individual. Os padrões de CPP são um dos pontos polêmicos trazidos na revisão da IN 62 e de difícil implementação imediata pela indústria, uma vez que estabelece limite de 900 UFC/ml. Segundo o secretário executivo do Sindilat, Darlan Palharini, a ideia é apenas buscar dados, que serão sigilosos e repassados apenas às empresas participantes do projeto, para embasar correção de processos produtivos.

Palharini informa que mais empresas já manifestaram interesse em participar. "Queremos coletar dados sob uma metodologia única que forneça ao setor informações consistentes para poder contrapor exigências e normativas", pontuou o presidente do Sindilat, Alexandre Guerra.

O serviço de testagem será realizado pela UPF e custeado pelo Sindilat, sem ônus às empresas participantes. "É um serviço profundo, com embasamento científico em laboratório oficial", completou a consultora em qualidade do Sindilat, Letícia Vieira.

Segundo treinamento de inspeção no Rio Grande do Sul tem data marcada

A segunda edição do Treinamento de Inspeção de Alimentos de Origem Animal, realizado pelo Sindicato dos Médicos Veterinários no Estado do Rio Grande do Sul (Simvet-RS) e pelo Instituto Senai de Tecnologia de Alimentos e Bebidas, está com data marcada.

Ocorrerá nos fins de semana de 9 a 11, 23 a 25 e 28 a 30 de novembro, sendo as duas primeiras etapas na sede da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) e a terceira, no Instituto Senai de Tecnologia de Alimentos e Bebidas. Os profissionais que realizarem os treinamentos estarão capacitados e habilitados a atuar no novo sistema de inspeção sanitária do Estado, no qual empresas credenciadas podem trabalhar em plantas frigoríficas. O curso terá duração de 60 horas, sendo o Simvet-RS responsável pela abordagem de temas como bem-estar animal no transporte e abate, regulamentos sobre inspeção sanitária, entre outros assuntos. Já o Instituto Senai de Alimentos e Bebidas tratará de assuntos como boas práticas de fabricação, programa de higiene, gerenciamento de risco e resíduos de água.

Conforme a presidente do Simvet-RS, Angelica Zollin, desde que foi divulgada a responsabilidade dos treinamentos pelo sindicato, a entidade se posicionou para que o projeto fosse o melhor possível, e houve uma composição satisfatória junto com o Senai e a Secretaria da Agricultura. "O sindicato tem expertise no treinamento de médicos-veterinários, e, dessa forma, abrimos postos de trabalho. É de extrema importância que os colegas sejam bem treinados, pois, assim, atuarão com a qualificação necessária", ressalta.

O treinamento faz parte do plano de modernização da inspeção de produtos de origem animal, aprovada e sancionada no ano passado no Rio Grande do Sul. Com isso, as duas entidades inscritas firmaram acordo junto com a Secretaria da Agricultura do Estado de forma a capacitar os profissionais para atendimento dessa demanda.

Fonte : Jornal do Comércio