Agronegócios – É preciso incentivar o produtor e diminuir burocracia, diz ex-ministro

Na avaliação de Roberto Rodrigues, que ocupou o Ministério da Agricultura no primeiro mandato de Lula, governo Temer deve criar uma política de preços mínimos e incentivar a infraestrutura

Para Rodrigues, obras de infraestrutura podem melhorar a produtividade e competitividade do agro Para Rodrigues, obras de infraestrutura podem melhorar a produtividade e competitividade do agro
Foto: Divulgação

São Paulo – Até o momento, a gestão do ministro da Agricultura Blairo Maggi "é muito boa". No entanto, o governo tem grandes desafios no setor, como uma política estruturada de preços e a eliminação da burocracia para a importação de defensivos agrícolas. A avaliação é do ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues.

Ministro no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2006), Rodrigues, falou ao DCI.

Ele elogiou a postura do atual ministro Blairo Maggi, que assumiu o comando do Ministério da Agricultura no último mês de maio.

"Até aqui, a gestão é muito boa. Ele conhece a agricultura com profundidade. Já foi pequeno produtor no Paraná e grande, no Mato Grosso. É muito bem relacionado no parlamento brasileiro, conhece a gestão pública e é um líder da classe rural. Para resolver o problema do seguro rural, já criou uma comissão para discutir a profundidade do tema", destacou.

A portaria com a criação do grupo para fazer ajustes no seguro rural foi publicada no Diário Oficial da União no dia 20 de julho.

Na visão do ex-ministro, outro aspecto prioritário para aumentar a produtividade do agronegócio e dar competitividade ao setor são as obras em infraestrutura.

"É importante a intermodalidade. Rodovia, porto e armazenagem tudo ao mesmo tempo. O presidente Michel Temer anunciou algumas concessões com rodovias e ferrovias que serão fundamentais. Se esses projetos forem implementados, vai dar competitividade para a nossa indústria", destacou.

O Grupo de Líderes Empresariais (Lide) Agro, do qual Rodrigues é presidente, vai debater, no dia 24, em Campinas (SP), o futuro do agronegócio brasileiro, renda na agricultura, seguro rural e preço mínimo, modernização da legislação trabalhista no campo, o potencial dos mercados asiáticos e africano e o embargo do Código Florestal em São Paulo.

Pauta para 2017

Para Rodrigues, uma política de renda que ofereça segurança aos produtores é a principal pauta para o próximo ano. "A definição de crédito e a politica de preços orientará a ação dos produtores sobre o que e quanto produzir. É claro que a renda implica em crédito rural. Precisa ver o que vai acontecer em termos de seguro. Essa parafernália tem que ser resolvida rapidamente", disse.

Entre os setores do agro com problemas que o governo pode auxiliar está o milho. No último ano, produtores de suínos e bovinos que dependem da proteína tiveram que importar o produto. Com a falta de estoques, além da escassez, o milho disponível no mercado interno teve alta nos preços.

No entanto, o ex-ministro acredita que a falta de estoques é "muito circunstancial". "Em relação a [garantia de] preços mínimos, se resolve em um ano. Não tem mistério: ou aumenta a produção ou importa. Agora, é evidente que estoques públicos são uma necessidade. Recompor estoque é um problema de governo. Mas primeiro tem que produzir ou importar", avaliou.

Ao pontuar outros setores com problemas "mais endêmicos", ele cita a cana-de-açúcar e critica a ex-presidente cassada Dilma Rousseff. "Há outros setores com problemas mais graves, como a cana-de-açúcar. O etanol foi destruído pela Dilma Rousseff. Uma retomada na produção combinada à politica de preços seria eficaz", declarou Rodrigues.

Burocracia

Outro problema a ser solucionado pela gestão Blairo Maggi é simplificar a burocracia para a importação de produtos como defensivos e fertilizantes. Para ele, órgãos de fiscalização e controle devem atuar juntos para resolver o problema.

"Outro grande entrave é o registro de novas moléculas de defensivos agrícolas. Demora cerca de sete anos para registrar um novo produto. É muito tempo! Quando se registra o produto por aqui, ele já está obsoleto no seu país de origem. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) devem trabalhar juntos para eliminar a burocracia", avaliou.

Argentina

O ex-ministro Roberto Rodrigues também elogia a gestão do presidente argentino Mauricio Macri, que substituiu em dezembro a ex-presidente Cristina Kirchner após 12 anos à frente daquele país.

"A Argentina está retirando tributos das exportações. Nós tínhamos que fazer uma estátua para a Kirchner no caso das exportações, porque o enfraquecimento da Argentina abriu espaço para o Brasil. Agora, o Macri está retirando tributos e a Argentina vai crescer e ser um competidor importante. O governo [Temer] tem que ter uma política pública gerando a produção e estimulando a concorrência de maneira saudável", completou.

Fernando Barbosa

Fonte : DCI

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