AGRONEGÓCIOS – Philip Morris faz aposta nos cigarros eletrônicos

Sistema eletrônico do IQOS apenas o aquece o tabaco em vez de queimar, eliminando a fumaça

Sistema eletrônico do IQOS apenas o aquece o tabaco em vez de queimar, eliminando a fumaça

JONATHAN HECKLER/JC

Guilherme Daroit, de Santa Cruz do Sul

Uma das poucas empresas que dominam a fabricação de cigarros no mundo, a Philip Morris vem, nos últimos anos, tentando dar um fim no produto. A aposta é na substituição do cigarro tradicional pelo IQOS, sistema eletrônico que, em vez de queimar o tabaco, apenas o aquece, eliminando a fumaça e, segundo a empresa, diminui os malefícios à saúde. Mesmo quando a substituição for realidade, entretanto, o Rio Grande do Sul seguirá no mapa da companhia, que tem em Santa Cruz do Sul toda a sua operação fabril brasileira.

"É uma filial importante, uma das operações mais completas, com integração total, e temos responsabilidade com a região", argumenta o presidente da Philip Morris no Brasil, Manuel Chinchilla. Desde 2013, toda produção é centralizada em apenas uma planta, que processa o fumo e faz filtros, embalagens e demais insumos. São produzidos em Santa Cruz cerca de 10 bilhões de cigarros por ano, que abastecem o mercado interno e países como Argentina, Uruguai e Chile. Chinchilla, que recebeu jornalistas em meio às comemorações pelos 45 anos da multinacional no Brasil, ressaltou que a Philip Morris atua no município desde o desembarque no País.

No início do ano, um anúncio da empresa de que deixaria de produzir cigarros no Reino Unido, mesmo sem previsão de data, preocupou os fumicultores da região. Chinchilla argumenta que a transição no mundo todo será feita de forma gradual, com os dois produtos coexistindo. "No curto e médio prazo, portanto, não imaginamos que vá ter problema algum para os produtores", defende o presidente, acrescentando que o fumo brasileiro tem volume e qualidade superior. Mesmo em Santa Cruz, o objetivo da empresa é de que, se o IQOS for regulamentado no Brasil, a planta deverá atuar de forma dual – produzindo tanto o tradicional quanto o "heet", espécie de minicigarro que é utilizado no IQOS. Os heets, fabricados em outros países, já levam tabaco brasileiro na composição, segundo a empresa.

Vendido desde 2014 no Japão e atualmente presente em 42 países, o IQOS não é regulamentado no Brasil. Segundo o diretor de assuntos corporativos da empresa, Fernando Vieira, há tratativas para liberar o produto no País, mas não há previsão. A Philip Morris sustenta que já há indícios científicos que comprovam a tese de que, sem a combustão, os riscos do tabaco são reduzidos. "É melhor do que o cigarro, embora não seja livre de riscos", ressalta Vieira, que diz que, no Japão, já há pesquisas mostrando que 98% dos usuários do IQOS migraram de outras formas de uso do tabaco, com apenas 2% sendo iniciantes. Com cerca de 20 milhões de fumantes, o Brasil é visto como um mercado promissor para o novo produto.

Enquanto o IQOS não vira realidade no Brasil, outro fator é comemorado pela empresa. Uma mudança na legislação permitiu a fabricação de caixas com menos de 20 cigarros para venda ao exterior, embalagens até então proibidas. "Devemos começar essa produção no início do ano que vem", diz o diretor de operações, Alejandro Okroglic. O objetivo é aumentar a exportação para outros países da América Latina, onde há demanda por esse tipo de embalagem.

Fonte: Jornal do Comércio