AGRONEGÓCIOS – País deveria ser líder em exportações de proteína animal, avalia Turra

Presidente da ABPA criticou a falta de organização que levou à queda na produção de frango

Presidente da ABPA criticou a falta de organização que levou à queda na produção de frango

"É quase um crime o Brasil não ser líder em exportação de tudo o que diz respeito à proteína animal", afirmou o ex-ministro da Agricultura e presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, na abertura do 5º Congresso e Feira Brasil Sul de Avicultura, Suinocultura e Laticínios, ontem, na Fiergs. Sua fala girou em torno das expectativas e anseios da indústria brasileira frente aos desafios da economia nacional e internacional.

A produção da carne de frango de 2005 para 2015 teve uma queda de 4,5 pontos percentuais, passando de 18,63% para 14,13% da produção total do País. Turra atribuiu o decréscimo, considerada por ele como grave, à falta de organização. "Alemanha é o maior exportador de café e não tem um pé plantado, mas agrega valor", argumentou. "Também importamos pescados e produtos lácteos por não nos organizarmos."

Turra lembrou que o Brasil é favorecido climaticamente e pela sua extensão e preservação de território, já que 61% de sua área é de mata nativa, enquanto a Europa o percentual é de apenas 0,3%. "E ainda temos que ouvir pela Europa que o Brasil é destruidor", alega.

Além das questões climáticas e ambientais, ele reforçou que a qualidade sanitária precisa se destacar como um diferencial na produção brasileira. "Hoje temos gripe aviária por quase todo o mundo. O Brasil nunca teve", disse ao enaltecer a necessidade de preservar a eficiência da fiscalização no País.

Antes dele, diretora geral da Organização Mundial da Saúde (OIE), Monique Eloit, lembrou que sem a cooperação entre governo e empresariado é inviável manter uma indústria forte. "Sabemos que esta parceria é indispensável." Ela comentou que, mesmo que hajam dificuldades de entendimento, é preciso o diálogo.

Também participou da mesa o ministro do Tribunal de Contas da União, João Augusto Nardes, que ressaltou a importância da proteção das fronteiras no controle de pestes e espécimes cultivadas no País. O Tribunal criou, em cooperação com oito órgãos federais e demais países fronteiriços da América Latina, o Comitê- Executivo do Programa de Proteção Integrada de Proteção Integrada de Fronteiras.

Para Nardes, o atual desafio econômico do País é recuperar a confiança dos investidores e auxiliar na racionalização dos gastos públicos.

Mapa e OIE assinam acordo de cooperação com duração de dois anos

O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, assinou acordo de cooperação com a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), representada por sua diretora-geral, Monique Eloit. O acordo permite ativa participação do Brasil na gestão da OIE.

O acordo prevê ainda o repasse de valor equivalente a € 1 milhão (R$ 3,56 milhões) para programas de prevenção à febre aftosa e para melhoramento dos sistemas de auditorias sanitárias privadas. Os recursos são da iniciativa privada e serão divididos em seis parcelas.

O ministério coordenará as ações, que serão executadas a partir de janeiro de 2017, em um programa com duração de dois anos. As medidas devem estar de acordo com as normas do Fundo Mundial da OIE para Saúde e Bem-Estar dos Animais.

O acordo do Brasil com a OIE prevê cinco frentes de atuação: erradicação da febre aftosa nas Américas; apoio à erradicação e prevenção do mormo (doença que afeta os equinos); respaldo aos escritórios da OIE; assistência aos novos países membros da OIE na região, e, contribuição à compra da sede da OIE em Paris, França.

Segundo a diretora-geral da OIE, Monique Eloit, o Brasil está muito próximo da erradicação total da aftosa e tem papel muito importante em auxiliar no controle da doença nos países americanos. "A OIE também está centrando esforços na limitação do uso dos antimicrobianos (para evitar a resistência) e, nos próximos meses, deverão ser criados regulamentos restringindo o comércio desses produtos", explicou Monique Eloit.

Dólar se valoriza, mas não estimula negócios de trigo no Brasil

Mesmo com a recente alta do dólar, a comercialização de trigo voltou a perder força no mercado brasileiro. Segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq/USP, ainda que a valorização da moeda norte-americana possa gerar expectativas de maiores preços em 2017, já que encarece a importação e favorece a exportação, agentes brasileiros não têm interesse em negociar neste momento.

No geral, apenas triticultores sem espaço de armazenamento ou que precisam "fazer caixa" que mostram interesse em vender o cereal no spot. Do lado comprador, moinhos afirmam estar relativamente abastecidos e só adquirem a matéria-prima no mercado interno em caso de preços atrativos. O preço médio do trigo Cepea/Esalq no Rio Grande do Sul fechou a R$ 531,35/toneladas na segunda-feira, queda de 10,53% em um mês.

JC

Carolina Hickmann

Fonte : Jornal do Comércio

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