AGRONEGÓCIOS – Oferta de carne suína pode cair com exportação

Rio Grande do Sul respondeu por 30,9% dos embarques do setor de janeiro a março

Rio Grande do Sul respondeu por 30,9% dos embarques do setor de janeiro a março

Guilherme Daroit

Há muito tempo externando o desejo de tornar-se menos dependente da Rússia, o setor brasileiro de carne suína teve algo a comemorar no primeiro trimestre de 2016. No período, a China comprou 10,9 mil toneladas de carne de porco do Brasil, um aumento de incríveis 13.991% em relação ao ano passado, quando foram apenas 78 toneladas embarcadas para lá. No geral, as exportações de suínos cresceram 77,8% nos três meses, atingindo 165 mil toneladas. Caso mantenha o ritmo, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) já projeta uma queda de 5% na oferta interna de suínos.

"Porém, se começarmos a abater o porco menor por conta da falta de milho, ou se a China começar a comprar ainda mais, pode ser que a redução seja maior", prevê o vice-presidente da entidade, Ricardo Santin. "De qualquer forma, o consumo interno, que poderia ocupar o espaço deixado pela carne bovina, não está acontecendo, temos apenas um crescimento leve pelo que vemos com os supermercados", garante o presidente executivo da ABPA, Francisco Turra, que classifica como "impressionantes" os números do setor.

Turra saudou o crescimento da China também nas aves, registrando um aumento de 52% no período, para 98 mil toneladas de frango brasileiro. Ao todo, o País vendeu 1,039 milhão de toneladas de aves nos três primeiros meses de 2016, crescimento de 11,96%. As vendas, porém, reverteram em receitas 6,5% menos do que no ano passado, principalmente pelos resultados de janeiro e fevereiro. "Em março, nota-se uma recuperação que esperamos que se mantenha", garante Turra. A previsão é de estabilidade na oferta de aves no mercado interno.

Turra situa que a Rússia fechou 2015 com 48% das compras de suínos brasileiros, enquanto no primeiro trimestre de 2016, mesmo aumentando 76% em volume, ficou em apenas 37% do total. "Queremos reduzir ainda mais essa dependência, porque é perigosa. Hoje está tudo bem, mas daqui a pouco já não está mais", afirma o executivo. Turra afirma que o México pode ser o próximo mercado a ser aberto para suínos, embora a vacinação para febre aftosa nos bovinos ainda seja um empecilho. "Para eles, vacinar significa ter a doença. Estamos fazendo estudos para provar que não há risco algum", comentou, afirmando que gostaria de que mais estados, além de Santa Catarina, suspendessem as vacinas.

Do total, o Rio Grande do Sul respondeu por 30,9% das vendas de suínos, crescendo 58% em relação ao mesmo período do ano passado. O Estado exportou 50,4 mil toneladas no trimestre. Já nas aves, os gaúchos responderam por 16,6% das vendas do País, com um crescimento de 9,4% em relação a 2015. Foram exportadas 169 mil toneladas de frango pelo Estado.

Os produtores também afirmaram preocupação com a situação da escassez de milho no mercado nacional, cuja alta no preço resultou em 9% dos 23% de aumento de custo nos últimos seis meses. O grão é um dos principais insumos para a criação tanto de porcos quanto de frangos, e a ABPA acredita que levará ainda mais 60 dias até que se normalize o abastecimento. "Acreditamos que, com a segunda safra, a situação melhore", prevê Turra.

O presidente também acredita que, com a chegada da soja aos portos, o embarque de milho também seja menor nos próximos meses, sobrando mais grãos para a produção de animais. Turra projeta que, das 45 milhões de toneladas do grão que a indústria consome, pelo menos 700 mil toneladas serão importadas.

ANDRÉ NETTO/ARQUIVO/JC

Fonte ; Jornal do Comércio

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