Agronegócios – Menos atrativa, exportação do agronegócio ainda mantém patamares elevados em 2016

Para analistas, mesmo com o dólar saindo de R$ 3,90 para R$ 3,16, remuneração ainda garante margem aos produtores brasileiros; proporcionalmente, receita não acompanhou embarques

Entre janeiro e setembro, embarques de produtos agrícolas cresceram 12,5%, de acordo com o Cepea Entre janeiro e setembro, embarques de produtos agrícolas cresceram 12,5%, de acordo com o Cepea
Foto: Divulgação

São Paulo – Mesmo com redução de 18% na atratividade das exportações brasileiras do agronegócio, por conta da valorização do real sobre o dólar, os embarques de produtos para o exterior cresceram 12% entre janeiro e setembro deste ano.

Segundo dados divulgados ontem pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a receita das vendas externas aumentou 1% no período, para US$ 68 bilhões – por conta do maior volume embarcado.

"A demanda realmente continua aquecida e o exportador brasileiro se mantém disposto a exportar mesmo com um dólar menor. O preço ainda está compensando porque, se vemos observarmos que enquanto o real se valorizou, a queda do preço em dólar deu uma estagnada", analisa a pesquisadora do Cepea, Andreia Adami.

Segundo a analista, esse volume e faturamento poderiam ser ainda maiores, não fossem a valorização do real e as quebras nas safras das culturas de milho e soja.

Para se ter ideia, o faturamento dos produtores sofreu uma retração de 7,5% em dólar e de 8,6% em real, na comparação com janeiro a setembro de 2015.

Isso porque em 31 de dezembro do ano passado, a moeda americana estava cotada em R$ 3,90, segundo o Banco Central. Ontem, o dólar encerrou o dia a R$ 3,16, o que reduz a margem de ganho do produtor.

Entre os produtos que mais elevaram os embarques ao exterior estão milho (+52,4%, a 18,7 milhões de toneladas), etanol (+44,2%, com 1,2 bilhão de litros), carne suína (+41%), açúcar (+32,8%, sendo 21,5 milhões de toneladas) e algodão em pluma (+26,6%, a 528 mil toneladas); o farelo de soja teve acréscimo de 5,2% (11,8 milhões de toneladas) e a soja em grão, de 0,1% (para 49,9 milhões de toneladas).

"Pela queda na cotação de alguns dos produtos, estamos vendo o exportador arrecadando menos e vendendo mais", observou o coordenador da Área de Inteligência Comercial da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Pedro Henriques Pereira.

Para ele, os embarques para o exterior de commodities como o milho e o açúcar devem se manter aquecida, por conta da demanda mundial e os baixos níveis dos estoques.

A previsão da Confederação Nacional da Agricultura é que a exportação do milho deva crescer até 6,5 milhões de toneladas neste ano, na comparação com o ano passado.

"No ano passado, houve uma safra recorde de milho e esperava-se que, no final de 2016, as exportações totais se reduzissem, chegando próximo a 2015, mas esperamos um valor exportado ainda maior", disse Pereira, da CNA

Já as expectativa entre as unidades produtoras de açúcar, segundo a Consultoria Datagro, especializada no mercado de etanol e açúcar, é manter o nível de venda externa, já que atualmente o déficit global está avaliado em 7,1 milhões de toneladas.

Destinos

De acordo com o Cepea, a China permanece como o principal destino das exportações do agronegócio brasileiro, já que aquele país foi responsável por aquisição de 74% da soja em grão do Brasil. A participação do país asiático entre janeiro e setembro foi de 27,1% do total, logo em seguida vem os países da Zona do Euro (17,1%) e pelos Estados Unidos (6,9%).

Fernando Barbosa

Fonte : DCI

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