AGRONEGÓCIOS – Melhores azeites da América do Sul são degustados em feira em Porto Alegre

Feira atraiu muitos apreciadores de azeite no pátio da Secretaria da Agricultura

Feira atraiu muitos apreciadores de azeite no pátio da Secretaria da Agricultura

NÍCOLAS CHIDEM/JC

Roberta Mello

Quem visita a Feira do Azeite realizada mensalmente pelo Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) em Porto Alegre tem a oportunidade de experimentar e, é claro, de levar para casa, alguns dos melhores azeites extra virgem da América do Sul. Isso por que algumas das marcas participantes, com a Olivas do Sul e Olivais da Fonte, tiveram seus produtos colocados entre os melhores na edição mais recente do Concurso Sul-Americano de Azeites de Oliva Extravirgem – Sudoliva.

O azeite do tipo Arbequina, da Olivais da Fonte, de Formigueiro, na metade Sul do Estado, foi o terceiro colocado na categoria Frutado Médio durante o evento realizado em Bagé em novembro do ano passado. O sabor suave e aromático, no entanto, ainda não é a preferência dos consumidores gaúchos, mas deve ganhar espaço com a disseminação da cultura da olivicultura no Estado, projeta um dos proprietários da empresa, Sávio Augusto Werlang.

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Sávio Augusto Werlang, dono da Olivais da Fonte, repassa informações a Alexandre Borda (direita). Fotos: Nícolas Chidem/JC

Frequentador assíduo do encontro, o arquiteto Alexandre Borda experimenta quase todos os produtos antes de escolher qual vai comprar. Ele admite que também prefere o azeite do tipo Koroneiki da marca. “Este tem um sabor mais marcante”, diz Borda, fazendo coro ao gosto da maioria dos porto-alegrenses que frequentam a feira e já demonstrando que começa a se apropriar das nuances do líquido milenar.

Sávio, que toca a Olivais da Fonte junto com o pai, diz que esse tipo de azeite de oliva, mais forte, é responsável por 80% das vendas. “O Koroneiki sempre foi o preferido do meu pai. Já eu sempre gostei mais do Arbequina. Antes a gente até discutia sobre isso. Não sei por que depois que ganhamos a competição com o Arbequina meu pai não quis mais tocar no assunto”, brinca Werlang.

Quem quiser pode provar em um pão ou em um queijo oferecido em cada banca. Já os consumidores mais ousados podem fazer uma degustação com a técnica ensinada pelos vendedores.

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Marcelo Costi, da Costi Olivos, explica como é feita a degustação e outros segredos dos azeites que produz

O proprietário da Costi Olivos, Marcelo Costi Pereira, é um dos que orientam a degustação. O primeiro passo é aquecer o líquido. “Antes de ingerir, ele deve ser mantido na boca por um tempo para despertar as papilas gustativas”, ensina Pereira. Depois é o momento de aspirar um pouco de ar e, para surpresa, um gosto forte de azeite de oliva bastante apimentado parece encher a boca. Após, é só engolir.

Um detalhe: é quase impossível não tossir – para divertimento dos produtores. Isso acontece devido à presença de produtos químicos encontrados nos azeites de alta qualidade. Eles produzem uma sensação de formigamento ou queimação no fundo da garganta.

Também é bastante difícil não sair do local com uma sacola do produto. O preço da garrafa de azeite de oliva na feira gira em torno de R$ 35. A grande vantagem, segundo os organizadores, é poder conhecer o produtor, entender melhor a forma de cultivo e experimentar o conteúdo antes de adquirir.

Produtores querem mostrar a qualidade do produto brasileiro

Maria Luiza Reginato e Luis Amaral donos da produtora de azeite de oliva Olivae.

NÍCOLAS CHIDEM/JC

Além dos exemplares premiados, outros produtos de alta qualidade podem ser encontrados nos mais de 10 estandes que tomam conta do espaço sempre no primeiro sábado do mês desde a sua criação, em abril do ano passado. O diretor financeiro do Ibraoliva e também produtor, Luis Amaral, lembra que o consumo de azeite de oliva não para de crescer no Brasil e “as pessoas começam a comparar a qualidade da substância importada com a nacional”.

Nessa comparação, segundo Amaral, o produto brasileiro ganha em qualidade. “Antigamente se pensava que o azeite vindo da Europa era melhor. Porém, hoje a olivicultura, principalmente a gaúcha, está mais consolidada, está se profissionalizando e ganhando em qualidade em relação ao produto que chega ao Brasil”, afirma.

A competição com os importados esbarra no preço de comercialização. É comum que os produtos vindos de outros países sejam mais em conta, principalmente por uma prática ainda recorrente de adulteração do conteúdo e de venda de azeites mais antigos, que não seriam bons o suficiente para comercialização nos países de origem, explica Maria Luiza Reginato, também produtora e esposa de Amaral.

O casal é sócio, junto com outros quatro amigos de longa data, da Olivae. O grupo decidiu começar o negócio como um hobby e, juntos, fizeram um investimento de R$ 4 milhões na compra dos 150 hectares de terra situadas em Piratini, no interior do Estado, e de maquinário para produção.

Criada em 2012, a marca ainda não tem produção suficiente para abastecer uma rede varejista. As feiras continuam sendo um espaço importante de comercialização. “Mas assim como as outras empresas aqui estamos crescendo gradativamente”, diz Maria Luiza.

A abertura da colheita de 2020 acontece ainda este mês. Com ela, o número de empreendedores com estoque renovado começa a chegar na Feira do Azeite e o número de visitantes cresce também.

O evento ocorre todo início de mês no pátio da Secretaria da Agricultura, localizada na Avenida Getúlio Vargas, 1.384, em Porto Alegre. Em março, o encontro já está marcado para o dia 6.

Fonte :Jornal do Comércio

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