Agronegócios – Matopiba recebe pacote de investimentos

Infraestrutura de armazenagem foi um dos segmentos contemplados; Brasil e Japão assinaram acordo de cooperação para aportes privados na região, que terá apoio de nova frente parlamentar

São Paulo – A região agrícola formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e oeste da Bahia, o Matopiba, segue no radar do setor e receberá aportes públicos e privados, de companhias japonesas. Melhorias na infraestrutura de armazenagem e logística de escoamento estão entre as previsões.

Nesta segunda-feira (29), a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, anunciou a construção de quatro armazéns para grãos, com capacidade de 88 milhões de toneladas e investimentos de R$ 100 milhões, pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Ela esteve em Palmas (TO) para um evento realizado especialmente para a assinatura de um acordo de cooperação entre o Brasil e Japão.

"Está prevista a instalação de duas Ceasas [Centrais Estaduais de Abastecimento] no Matopiba, no valor total de R$ 24 milhões; dois centros de tecnologia de agricultura e baixo carbono nos municípios de Luís Eduardo [Magalhães, na Bahia] e Bom Jesus [no Piauí] com parcerias públicas e privadas e implantação de um centro tecnológico em silvicultura e agricultura de baixo carbono", informou a pasta em nota.

O governo também prevê a instalação de 11 novas estações meteorológicas. Kátia ainda citou os 6,1 milhões de hectares irrigáveis que, segundo ela, precisam de R$ 114 milhões para 2280 quilômetros em redes de energia para a região, necessários para a expansão da irrigação. Na logística de escoamento, o governador do Maranhão, Flávio Dino, destacou o a importância do Porto de Itaqui e assegurou o direcionamento de R$ 1,3 bilhão em investimentos na unidade, no período de 2016 a 2017. "Os recursos, da iniciativa privada e pública, já estão garantidos", assinalou o Dino, também em nota.

A Assembleia Legislativa do Tocantins, cujo presidente deputado Osires Damaso (DEM) participou do encontro com a ministra, informou que projetos em rodovias, ferrovias e hidrovias serão contemplados pelo acordo firmado entre Kátia Abreu e ministro de assuntos internacionais do Ministério da Agricultura, Florestas e Pesca do Japão, Hiromich Matshushima.

Parceiros

Segundo a pasta agrícola nacional, algumas empresas japonesas que já estão no Brasil querem ampliar investimentos. São elas: Mitsui & Company, que comercializa produtos siderúrgicos, alimentícios e insumos agrícolas; a S.C. Toyota, do grupo Toyota, que investe no plantio de soja, armazenamento e transporte; Mitsubishi Corporation do Brasil – maior trading do Japão do setor de energia e alimentos como o café -; e a Ajinomoto, do ramo de alimentos processados, como condimentos. Procuradas pela reportagem do DCI, as companhias ainda não haviam fornecido maiores esclarecimentos sobre os aportes até o fechamento desta edição.

No âmbito público, foram criadas a Frente Estadual Parlamentar da Região do Matopiba e Frente Municipalista dos Prefeitos da Região de Matopiba. "Vamos ajudar a viabilizar negócios e fazer com que o Matopiba seja cada vez mais forte", afirmou o prefeito de Gurupi, Laurez da Rocha Moreira, município tocantinense com 83 mil habitantes.

Desenvolvimento regional

O Matopiba se destaca pela produção de grãos como soja, milho, arroz e algodão. Compreende uma área de 73 milhões de hectares, com 377 municípios e mais de 25 milhões de habitantes. A região tem mais de 324 mil estabelecimentos agrícolas. Atualmente responde por 10% da produção de grãos do país. O Produto Interno Bruto (PIB) agropecuário somou R$ 1,3 trilhão em 2014.

Ao DCI, o produtor de soja e milho do município de Correntina (BA), Volmir Martinazzo, conta que nesta safra o fenômeno climático El Niño, até o momento, não trouxe os mesmos problemas climáticos que afetou regiões como o norte do Mato Grosso, com seca. Com a oleaginosa no campo, em desenvolvimento, ele lembra que no ano passado este tipo de intempérie surtiu maiores efeitos sobre as lavouras.

Em contrapartida, especialistas da Agroconsult ainda enxergam riscos de fortes perdas, em geral, "onde o calendário é mais atrasado e ainda há boa parcela das lavouras em período crítico de desenvolvimento, precisando de chuvas para garantir o potencial produtivo".

Nayara Figueiredo

Fonte : DCI

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