AGRONEGÓCIOS – Maggi aguarda solução para glifosato até segunda

Maggi e representantes do agronegócio gaúcho plantaram uma muda de pau-brasil

Maggi e representantes do agronegócio gaúcho plantaram uma muda de pau-brasil

MARCELO G. RIBEIRO/JC

Guilherme Daroit

Prestes a vencer o prazo de 30 dias para que a União suspensa o registro de produtos com glifosato, a situação ainda é de incerteza. A data-limite, de acordo com a decisão emitida pelo Tribunal Federal da 1ª Região (TRF1), é na segunda-feira (3 de setembro). Presente na 41ª Expointer, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, argumentou que, após visitas nesta semana ao TRF1, espera um desfecho “positivo” para os produtores. “Se não for (positivo), não tem plantio, porque não há outro produto substituto”, afirmou Maggi.

Nessa linha, o ministro criticou a suspensão do uso de maneira repentina, via judicial, defendendo que não é possível eliminar o princípio ativo sem planejamento, em especial a criação de uma molécula substituta. O glifosato, que é utilizado no sistema do plantio direto, está presente hoje em cerca de 90% das plantações. Sem os produtos, segundo o ministro, ou a safra brasileira de soja se reduz aos 10% restantes, ou os agricultores terão de voltar ao sistema antigo.

Outra polêmica recente no agronegócio, a tabela de frete também foi criticada por Maggi por incluir, no cálculo, questões que não deveriam ser de responsabilidade do Estado, na opinião do titular da Agricultura, como a remuneração dos motoristas. “A tabela de frete mínimo carrega, na verdade, o preço máximo”, afirmou o ministro. Maggi não fez previsões sobre o desfecho da discussão judicial sobre o tema, que será levado ao plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), mas defendeu que, caso a decisão dos magistrados seja pela constitucionalidade, a tabela seja refeita utilizando apenas os insumos mínimos para o frete.

Maggi ainda comentou sobre movimentos internacionais envolvendo a produção brasileira. Quanto ao embargo russo à carne suína, afirma o ministro, há “muita esperança” em um desfecho positivo, mas sem qualquer previsão de prazo para que aconteça. Maggi sustenta que questionou a equipe que negocia com a Rússia, que lhe garantiu que os problemas são exclusivamente técnicos. “Se houvesse algum componente político, teríamos que ser claros com os criadores”, afirma, de forma a evitar o desabamento nos preços visto nos últimos meses.

Já as negociações do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que se arrastam a vários anos, estão entrando em sua reta final. De parte da Agricultura, segundo Maggi, os únicos pontos ainda em aberto são os produtos derivados de uva (o vinho, em especial), os produtos lácteos e questões de indicação geográfica. A última, que envolve propriedade industrial, foi deixada para depois, mas os produtos naturais já foram levados à comissão de negociação.

Em encontro na Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetag), a equipe do Mapa comentou que levou proposta de criação de cotas para a entrada dos produtos estrangeiros, que só seriam abertas após a equalização dos impostos sobre os vinhos nacionais (que hoje pagam mais tributos do que o importado) e da garantia sanitária que de os lácteos brasileiros possam entrar no mercado europeu. “Das nossas exigências, acredito que não há maiores dificuldades. Se aceita a proposta, por nós está resolvido”, comentou Maggi.

Fonte : Jornal do Comércio