AGRONEGÓCIOS – Justiça destitui presidente liquidante da Cotrijuí

Depois de o Ministério Público e a Polícia Civil terem cumprido 24 mandados de busca e apreensão em 16 cidades do Estado, em uma operação realizada na semana passada contra a Cotrijuí, a cooperativa sofre nova investida da Justiça. Ontem, o juiz Nasser Hatem, da 3ª Vara Cível de Ijuí, decidiu por destituir o presidente liquidante extrajudicial da instituição, Eugênio Frizzo. Além disso, a Justiça também determinou que a cooperativa entre em processo de liquidação judicial (situação semelhante à recuperação judicial das empresas).

A deliberação que o afastou de suas atribuições na cooperativa surgiu a partir de ação ajuizada pelo escritório de advocacia Souto Correa, que representa um dos maiores credores da Cotrijuí. O juiz determinou a nomeação de um administrador judicial para conduzir o processo de liquidação. Com cerca de R$ 1,8 bilhão em dívidas para pagar a credores e devendo para produtores e funcionários, a gestão dos recursos da cooperativa passaria às mãos do advogado indicado pelo juiz Rafael Brizola Marques, com experiência em recuperação judicial de empresas. Cabe a Marques, ainda, aceitar o cargo.

O escritório requerente "descreveu diversas evidências de que a liquidação extrajudicial vinha sendo conduzida de forma ‘caótica, ilegal e fraudulenta’". Nem mesmo a fila de prioridade de credores, que respeita diversos fatores previstos em lei, estava sendo respeitada.

Além do afastamento de Frizzo, documento ainda ordena que o liquidante adjunto, Ricardo Guioto, o diretor-superintendente, Gilmar Ribeiro Fragoso, e o analista Executivo, Renilton Prauchener, não possam mais responder pela instituição.

Mesmo com a troca de responsáveis, este ainda é um processo complexo, segundo o escritório Souto Correa. A adesão do liquidante nomeado judicialmente costuma acontecer em 48 horas, porém ainda é necessário prazo para que a real situação da cooperativa seja entendida pelo futuro gestor dos recursos.

Pelo entendimento dos advogados, os valores apresentados até agora podem não transmitir a realidade da dívida da instituição. Assim, uma auditoria completa será necessária para determinar o tamanho dos ativos e passivos da cooperativa. Só depois será delimitado um cronograma de ações pelo liquidante judicial.

Em entrevista ao Jornal do Comércio na semana passada, Frizzo alegou que, em levantamento próprio, foram encontradas fraudes na cooperativa entre 1995 e 2016 – ele está à frente da instituição desde 2013, e alega que desde 2014 realiza auditorias. Na ocasião, Frizzo alegou que a fraude que levou a cooperativa à crise foi sonegação de informações, como o firmamento de contratos que não eram lançados na contabilidade da cooperativa. Procurado pela reportagem para comentar o afastamento, Frizzo não foi encontrado.

Carolina Hickmann

Fonte : Jornal do Comércio

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