Agronegócios – Importação de trigo deve crescer 11% na safra 17/18

Recuo da produção no Paraná, principal produtor do cereal no Brasil, e oferta elevada na Argentina podem favorecer o ingresso da commodity do exterior

Área cultivada no Paraná é 12% menor que a plantada na última safra

Área cultivada no Paraná é 12% menor que a plantada na última safra
Foto: alisson gontijo/estadão conteúdo

São Paulo – A importação de trigo pelo Brasil na safra 2017/2018, iniciada em julho, deve chegar a 5 milhões de toneladas, alta de 11% em relação ao ciclo passado, segundo projeção da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo).

Conforme o presidente do Conselho Deliberativo da Abitrigo, Marcelo Vosnika, há dois motivos para que as importações neste ciclo superem as 4,5 milhões de toneladas importadas no ano safra passado, sendo 3,4 milhões da Argentina. O primeiro é a perspectiva de que o Paraná, responsável por 50% da produção brasileira, tenha uma safra menor em 2016/2017 em relação ao ciclo anterior.

A área plantada recuou 12% em relação ao ciclo passado o segundo o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura do Paraná, para 962,5 mil hectares. A produção está estimada em 2,5 milhões de toneladas do cereal, 26% a menos que no ciclo anterior. "Isso deve gerar a necessidade de importação maior que a do ano passado", estima Vosnika. O Estado já colheu 33% da área plantada.

Em 2015/2016, a produtividade nas lavouras foi de 3,2 mil quilos por hectare, em uma safra em que todos os fatores estavam a favor da produção, avalia Vosnika.

Para este ciclo, porém, a perspectiva é de 2,7 mil quilos por hectare, queda de 14%, uma vez que houve geada na região norte do Estado quando a lavoura estava próxima do ponto de colheita e seca ao longo do desenvolvimento da lavoura. "O clima muito seco é bom para a qualidade do trigo, mas significa redução de volume", afirma.

Outro fator que deve favorecer as importações do cereal no próximo ano-safra é a perspectiva de que a Argentina – principal fornecedor de trigo para o Brasil – tenha uma safra recorde neste ciclo, em torno de 18,5 milhões de toneladas, diz Vosnika. "Como o país terá que vender o excedente que o Mercosul não consome para o norte da África e o Oriente Médio, a Argentina terá que concorrer com a Rússia, que colheu sua maior safra na história", justifica. "Aliado a esse cenário, o câmbio está baixo, o que deixará o produto argentino muito competitivo", argumenta ele.

Considerando os valores atuais no mercado, o trigo argentino já está mais vantajoso para algumas regiões brasileiras, diz Vosnika.

"O trigo argentino posto em São Paulo sai a R$ 730 a tonelada enquanto o trigo paranaense sai por R$ 780", compara.

Conforme o dirigente, esse cenário exigirá intervenção do governo na manutenção do preço mínimo do cereal, já que as importações irão crescer neste ciclo. Considerando o trigo tipo pão 1, o preço mínimo é de R$ 644 a tonelada.

Debate

Na manhã desta quinta-feira, (14), a entidade apresentou o Congresso Internacional da Indústria de Trigo, que ocorrerá de 22 a 24 de outubro, em Campinas (SP). De acordo com o presidente executivo da Abitrigo, o embaixador Rubens Barbosa, a entidade pretende aproveitar o evento para debater a harmonização das regras sobre limites de resíduos de defensivos permitidos nos países do Mercosul.

Desde junho está em vigor normativa que estabelece os limites mínimos de resíduos que devem ser observados no Brasil e que devem ser respeitados também pelos exportadores de trigo ao País. "O problema é que isso é medido no produto final, mas esses resíduos não são responsabilidade da indústria, mas produzidos ao longo da cadeia produtiva", argumentou. "Por isso, interessa para a indústria que a norma seja cumprida", salienta.

Marcela Caetano

Fonte : DCI

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