AGRONEGÓCIOS – Grupo Vibra inaugura centro de inovação em Montenegro

Wallauer e Müller anunciaram investimento de R$ 5 milhões na planta tecnológica

Wallauer e Müller anunciaram investimento de R$ 5 milhões na planta tecnológica

/MARCUS BERTHOLD/DIVULGAÇÃO/JC

Adriana Lampert, de Montenegro

Tornar a proteína de frango mais valorizada no Brasil, e melhorar a visibilidade do produto no mercado, são os dois principais objetivos do Centro de Inovação Vibra (CIV), inaugurado ontem em Montenegro. "Estamos apostando na busca de nichos e queremos apresentar melhorias – desde a embalagem até o sabor e maciez da carne – para os consumidores a partir da criação de novas tecnologias de produção, modos de preparo e produtos diferenciados", explica o diretor superintendente do Grupo Vibra, Gerson Müller. De acordo com o diretor comercial de Marketing e Vendas, Flávio Wallauer, a meta da empresa é renovar o portfólio, atualmente de 150 produtos, em 25% até 2022, atendendo tendências mundiais e as demandas de clientes e consumidores.

Novidades como a bandeja hermética recém-lançada, produto que não suja as mãos e tem maior durabilidade nas gôndolas, estão no foco dos trabalhos a serem desenvolvidos na nova unidade. Resultado de dois anos de estudos e de um investimento de R$ 5 milhões, o prédio de 600m2 durou oito meses para ser construído. No local, também funciona o escritório central da companhia gaúcha, além da planta piloto, sala de análise sensorial, espaço para experiências gastronômicas, incubadora de matrizes e estúdio para produção de conteúdo. O grupo produz matrizes e pintos, mantém criadores para engorda dos frangos, e abate e embala as aves em três frigoríficos próprios, um no Paraná e dois em Minas Gerais.

"Priorizamos a qualidade, cuidando muito a parte de biossegurança, desde a matéria-prima, vacinas, ambientes de aviários e uma série de regras a cumprir", observa Müller, ressaltando que antes da implementação do CIV, a inovação era pensada nas próprias plantas do grupo ou através de parcerias com universidades. "Não tínhamos espaço próprio para os testes. Agora, com o centro de pesquisas, estimamos que o tempo de desenvolvimento de novos produtos irá reduzir em 30%", calcula o diretor-superintendente.

"Não queremos apenas lançar mais produtos no mercado, mas, sim, fazer diferente e ser referência em alimentos com valor agregado e qualidade à base de frango", reforça Wallauer. Ele destaca que a inovação "faz parte do DNA" da empresa – que nasceu na família dos fundadores da Frangosul. Em 2016, Grupo Vibra foi o primeiro do segmento a lançar cortes de frango embalados em atmosfera controlada (ATM). A tecnologia garante a preservação do produto, do sabor e da maciez por mais tempo, sem a adição de produtos químicos e conservantes. "Em nosso portfólio, o peito de frango, por exemplo, pode ser vendido no varejo de várias formas: resfriado, assado, desfiado, assado, em embalagens grandes ou para consumo individual. Tudo isso é inovação", observa o gerente nacional de Vendas, Tiago Püttem.

Companhia é a terceira empresa do segmento em abate de aves

Exportando para 35 países e atendendo o mercado interno nas regiões Sudeste, Sul, e partes do Nordeste e do Norte, o Grupo Vibra ocupa a terceira colocação entre as empresas no segmento de abate de frango (depois da BRF e JBS), e em 2017 cresceu 4,8% em receita líquida, totalizando R$ 1,2 bilhão, em comparação com o mesmo período do ano anterior. "A previsão é de que em 2018, a receita chegue a R$ 1,3 bilhão", calcula Müller. Atualmente, a companhia abate 520 mil aves/dia. No varejo, o Grupo Vibra atua com as marcas Nat e Ávia e, no segmento de multiplicação genética de matrizes de aves atua com a marca Agrogen. Segundo o executivo, por conta da crise e devido ao câmbio, as exportações estão mais fortes que a venda no mercado interno.

"Nesses últimos anos, a operação Carne Fraca e as medidas antidumping da China para importação de frango têm sido alguns empecilhos para crescer no mercado externo, mas normalmente o País sempre se adapta para fazer o produto de acordo com as exigências e se tornar competitivo", pondera Müller. "No Brasil, por sua vez, acreditamos que tem espaço para crescer, mas por enquanto a economia está convalescendo, e o consumo de frango encolheu no varejo, em diversos estados do País." Conforme o diretor comercial do Grupo Vibra, a empresa é líder de multiplicação genética de matrizes de aves no Brasil, trabalho que realiza em parceria com empresa norte americana Cobb-Vantress. A capacidade instalada da companhia atualmente é de 14 milhões de matrizes/ano.

Fonte : Jornal do Comércio