AGRONEGÓCIOS – Governo libera R$ 536 milhões para o Moderfrota

Jair Bolsonaro abriu a Agrishow, em Ribeiro Preto (SP), maior feira de máquinas da América Latina

Jair Bolsonaro abriu a Agrishow, em Ribeiro Preto (SP), maior feira de máquinas da América Latina

A Agrishow, maior feira de máquinas e implementos agrícolas da América Latina, foi aberta nesta segunda-feira (29) em Ribeirão Preto (SP), com diversas promessas do governo federal para o setor do agronegócio. Durante a abertura do evento, o presidente da República, Jair Bolsonaro, e a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, reuniram em rápidos discursos temas que foram do Moderfrota à posse de armas, passando pela liberação de agrotóxicos e as exportações de carnes para a Ásia.

Depois que Tereza Cristina contou que com "muitas conversas e cálculos" e a "boa vontade" do ministério da Economia com o agronegócio, o governo federal irá liberar R$ 500 milhões extras para a compra e aquisição de máquinas agrícolas durante a Agrishow. Mais tarde, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes) corrigiu o valor para R$ 536 milhões. Já Bolsonaro destacou que o Banco do Brasil tinha R$ 1 bilhão para financiar o setor e outro R$ 1 bilhão para o seguro rural no Plano Safra 2019/2020.

Mais do que o anúncio dos recursos, porém, o que gerou repercussão fora do evento foi a declaração de Bolsonaro de que estava junto com os produtores "orando" por juros menos por parte do Banco do Brasil (BB). "Apelo ao teu coração para que o produtor possa contar com juros menores", disse Bolsonaro, dirigindo-se ao presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, presente no evento.

A declaração chegou a levar a queda nas ações do BB no final da manhã, na Bolsa de Valores, porque que a fala não foi bem vista por investidores, segundo os analistas Élcio Bento, da Safras e Mercado, e Carlos Cogo, consultor de agronegócios. Isso porque a declaração poderia se configurar em nova interferência no banco. Na semana passada, o mercado já havia criticado a ordem de Bolsonaro para que o BB retirasse do ar um comercial baseado na diversidade. As cotações, porém, se recuperaram posteriormente e encerraram o dia praticamente estáveis.

Tereza Cristina afirmou que produtores e indústrias podem esperar uma boa surpresa no próximo dia 12 de junho. Nesta data, assegurou a ministra, o governo irá ter novidades que agradarão ao setor no Plano Safra 2019/2020. A ministra também anunciou positiva no cenário de exportações a recente abertura da índia à carne de frango do Brasil. "E ainda iremos à Ásia, nos próximos dias, abrir o mercado japonês para o qual nunca exportamos carne bovina, e ampliar as relações com a China", destacou.

Tereza Cristina relatou o que considera dois dos grandes feitos do atual governo no setor: a aproximação dos ministérios da Agricultura com o do Meio Ambiente e a liberação de cerca de 200 novos defensivos químicos em quatro meses.

Bolsonaro, por sua vez, preferiu exaltar a "limpa" que está fazendo em órgãos ambientais. O presidente afirmou nesta segunda-feira que negociou com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, "fazer uma limpa" no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Nas últimas semanas, Salles tem feito mudanças nos quadros de funcionários dos dois órgãos ligados ao meio ambiente.

O presidente questionou a fiscalização dos órgãos e a classificou de "xiita". "Uma das medidas é fazer uma limpa no Ibama e no ICMBio. Tem que haver fiscalização sim. Mas o homem do campo tem que ser bem recebido. Cerca de 40% das multas serviam pra retroalimentar uma fiscalização xiita, que só atendia nichos e não o meio ambiente", disse o presidente, acrescentando que "o setor está dando certo" e que seu governo vai impulsionar "quem está dando certo". Bolsonaro disse que quer, "como chefe do Executivo, não atrapalhar quem produz". Ele garantiu que está "tirando o Estado do cangote de quem produz e investe".

Bolsonaro ainda reafirmou que pretende que a BR-163 seja completada, no trecho paraense até Miritituba (PA), ainda em 2019. O presidente também que visitará a China e que a viagem servirá, na opinião dele, para tirar "a imagem criada pela mídia, de que sou inimigo deles".

Recursos extras têm impacto limitado, avaliam especialistas

Para o presidente da Central Sicredi para os estados do Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo, Manfred Dasenbrock, os R$ 536 milhões anunciados por Tereza Cristina para o Moderfrota é um valor pequeno frente a necessidades do setor. E ressaltou que o mais necessário é a previsibilidade quanto ao futuro.

"Novamente estamos à espera do Plano Safra. O que precisamos é de uma política agrícola permanente. E, sim, o subsídio ao setor é necessário, já que arcamos com elevados custos de transporte, pedágios, tributos e muitos outros custos que outros países produtores não têm nos mesmos níveis", argumenta Dasenbrock.

Carlos Aguiar, diretor de Agronegócio do Santander, também considera limitado o impacto dos R$ 536 milhões extras anunciados para o Moderfrota. "Eu diria que esse recurso termina em uma tarde", avaliou Aguiar.

Sobre o futuro do Plano Safra, o executivo é taxativo ao afirmar que ou haverá menos recursos para manter os mesmos subsídios ou taxas maiores no caso de aumento de valores destinados ao setor. "Acho que é a tendência é de que é o setor privado que cada vez mais atender o setor", destacou Aguiar, ressaltando que a aposta do banco no segmento inclui a abertura de mais 15 unidades do banco especializado em agronegócio, além das 23 já existentes, até o final do ano.

Para a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a maior feira do setor na América Latina precisaria de ao menos mais R$ 2,5 bilhões de complemento no Moderfrota para se plenamente atendido. De acordo com Tereza Cristina, R$ 1,5 bilhões extras serão concedidos em diferentes etapas.

Bolsonaro quer isentar de punição produtores que atirarem em invasor

Durante sua participação na Agrishow, o presidente Jair Bolsonaro também afirmou que enviará à Câmara dos Deputados projeto que isenta de punição proprietários rurais que atirarem em invasores de suas áreas.

"Vai dar o que falar, mas é uma maneira que nós temos de ajudar a combater a violência no campo é fazer com que, ao defender a sua propriedade privada ou a sua vida, o cidadão de bem entre no excludente de ilicitude. Ou seja, ele responde, mas não tem punição. É a forma que nós temos que proceder. Para que o outro lado, que desrespeita a lei, tema vocês, tema o cidadão de bem, e não o contrário", disse o presidente à plateia.

De acordo com Bolsonaro, que foi recebido aos gritos de "mito" por parte dos presentes, as propriedades privadas são sagradas. Incluir no excludente de ilicitude quem reaja ao defender sua propriedade não foi a única medida anunciada pelo presidente na cidade do interior paulista.

Bolsonaro afirmou que ficou neste domingo (28) reunido com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), discutindo "vários assuntos". Segundo o presidente, na próxima semana Maia colocará em pauta na Câmara um projeto que visa fazer com que a posse de arma de fogo para o produtor rural seja possível em todo o perímetro da sua propriedade.

/ALAN SANTOS/PR/JC

Thiago Copetti, de Ribeirão Preto (SP)

Fonte : Jornal do Comércio

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