AGRONEGÓCIOS – Fetag atuará na assistência técnica aos agricultores

Ideia é auxiliar na gestão das propriedades, afirma Carlos Joel da Silva

Ideia é auxiliar na gestão das propriedades, afirma Carlos Joel da Silva

/MARCELO G. RIBEIRO/JC

Guilherme Daroit

Insatisfeita com a forma como a assistência técnica rural vem sendo prestada em alguns casos no Estado – ou mesmo nem sendo prestada -, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag) decidiu atuar na prestação do serviço. O objetivo, segundo a entidade, não é concorrer com os órgãos públicos que já trabalham na área – notadamente, a Emater -, mas chegar a um público que, hoje, ainda é pouco atendido, como os pequenos produtores.

A decisão foi tomada pela Fetag após a divulgação dos resultados preliminares do Censo Agropecuário 2017, que mostrou que 50,1% dos estabelecimentos rurais do Estado informaram não receber qualquer assistência técnica. "Precisamos dar uma chacoalhada, fazer uma virada de mesa", comentou o presidente da Fetag, Carlos Joel da Silva, durante coletiva de imprensa de fim de ano da entidade.

O primeiro balanço do Censo mostra, ainda, que a presença de técnicos é ainda menor entre estabelecimentos com, no máximo, 10 hectares (34,8%) e entre os produtores sem área, de produtos extrativos, como apiários, carvão vegetal e pinhão (apenas 28,5%). "Quem mais precisa é quem menos recebe", afirma Joel. Outro ponto crítico na visão da Fetag é o fato de que a maior parte da assistência é prestada por cooperativas, empresas integradoras e outras formas não governamentais, o que, segundo Joel, em alguns casos, se aproxima mais de venda de insumos do que de assistência técnica.

A atuação da Fetag na área, segundo o presidente, acontecerá por meio dos 321 sindicatos municipais, cabendo à federação a organização e o apoio. O objetivo é que os agrônomos e técnicos auxiliem na gestão da propriedade como um todo, de maneira sistêmica. "Vamos iniciar a relação entre produção e comercialização", diz Joel.

A entidade também defende um choque de gestão na Emater, que, para Joel, representa tirar pessoal dos gabinetes e realocar no trabalho de campo. "Como braço do governo, presta uma assistência técnica de governo, e não de Estado. Cada vez se alinha mais para um público", critica o presidente da Fetag, que resguarda das críticas os técnicos da Emater, que classifica como "muito bons".

Na coletiva, a Fetag também demonstrou preocupação com a incerteza quanto às gestões do Estado e do País. No Rio Grande do Sul, a entidade lamenta a falta de clareza quanto à continuidade ou não da Secretaria do Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR). Segundo Joel, o governador eleito, Eduardo Leite, afirmou que não pensava em acabar com a estrutura, mas não houve novos movimentos desde então. Além disso, a federação defende a indicação de um secretário que conheça o setor e seja aberto ao diálogo com as entidades.

"As necessidades são diferentes, e o olhar precisa ser diferente também", afirmou o presidente da Fetag sobre a independência da pasta em relação à Secretaria da Agricultura, Pecuária e Irrigação (Seapi). Programas como o troca-troca de sementes, agroindústrias e agroecologia acabariam perdidos na estrutura da pasta maior, projeta Joel, rejeitando a alternativa de que a SDR vire um departamento.

Já na esfera federal, Joel argumentou não conhecer a futura ministra da Agricultura, Tereza Cristina, mas disse ter recebido boas referências da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Mato Grosso do Sul (Fetagri), estado no qual a deputada foi secretária da mesma pasta. "Nos disseram que fez bom trabalho, inclusive para a agricultura familiar. Sabemos que ela não é agricultora familiar, mas esperamos que saiba se cercar de quem é", continuou Joel.

Fonte : Jornal do comércio