AGRONEGÓCIOS – Dólar alto requer estratégias na comercialização de grãos

Fim da desvalorização do real até a colheita deve interferir nos lucros

Fim da desvalorização do real até a colheita deve interferir nos lucros

Luiz Eduardo Kochhann

A valorização do dólar em mais de 45% no ano em comparação com o real favorece a comercialização da soja, do milho e do trigo por parte dos produtores brasileiros, uma vez que as cotações se dão em moeda norte-americana. Entretanto, como o preço das principais commodities internacionais estão em queda devido ao aumento da oferta, uma reversão na tendência atual da taxa de câmbio até a colheita brasileira, em abril do próximo ano, poderia colocar o agricultor em apuros. Por isso, entidades e analistas do setor recomendam cautela e a fixação dos preços no mercado futuro, evitando surpresas em 2016.

A Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) estimula os produtores a travarem os preços no mercado futuro, pois a taxa de câmbio no Brasil é muito volátil. Ou seja, embora o relatório Focus, do Banco Central, mantenha a projeção em um patamar alto, de R$ 4,00 para o dólar em 2016, o panorama político e econômico pode trazer uma reversão nessa tendência. Caso a inversão ocorra em abril de 2016, por exemplo, na véspera da colheita gaúcha de verão, o produtor teria que arcar com a desvalorização das commodities no mercado internacional.

O saco de 60 quilogramas de soja, por exemplo, era comercializado a US$ 25 há um ano, em setembro de 2014. Agora, a mesma quantidade da oleaginosa está valendo cerca de US$ 18, desvalorização superior a 25%. Para o economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz, o atual momento econômico, com o dólar subindo, gera nos produtores uma irreal sensação de solidez no mercado. "Podemos afirmar que, dos R$ 69,63 recebidos pelo saco de 60 quilogramas, R$ 29,03 são consequência direta da variação cambial. Se utilizássemos a média do ano passado, o valor do saco seria R$ 40,60."

Prova da falta de liquidez da soja atualmente é que os contratos futuros devem atingir suas cotações mínimas devido ao excesso de oferta. No fim da semana passada, a melhora na expectativa da produtividade norte-americana fez com que a cotação para novembro tivesse baixa de 12,50 centavos de dólar, fechando em US$ 8,6175.

Nesse cenários, quem talvez possa levar vantagem apostando no mercado futuro é o produtor de milho, segundo o analista da consultoria Trigo & Farinhas, Luiz Pacheco. De acordo com Pacheco, plantar milho será mais lucrativo do que plantar soja nos próximos anos. Para vendas travadas para maio de 2016, aponta o analista, o milho apresenta uma lucratividade de 32,77% de lucro puro. O mesmo vale para maio de 2017, quando a rentabilidade do grão pode chegar a 49,41%, sempre levando-se em conta a comparação entre o custo de produção e a cotação em dólar. A soja, por outro lado, para os mesmos períodos, apresentaria prejuízo de 0,81% e 1,23%. "O milho tem boas perspectivas, pois está crescendo a produção de carne na Ásia", afirma.

No caso do trigo, que, no Rio Grande do Sul, corre o risco de perder qualidade devido ao clima pelo segundo ano consecutivo, a desvalorização do real pode ajudar os produtores. A saca do forrageiro oriundo das regiões de Ijuí e Carazinho, com a moeda norte-americana acima de R$ 4,00, está valendo R$ 36,30 no porto do Rio Grande. "Quem colher trigo de qualidade superior deve esperar, pois a cotação vai subir", completa Pacheco.

ALF RIBEIRO/AE/JC

Fonte : Jornal do Comércio

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