Agronegócios – Desempenho ruim na Bahia derruba produção de algodão em 2,9% no País

Cotonicultores nacionais enfrentam custos maiores, problemas climáticos e aumento de pragas, o que reduziu a produtividade. A alternativa tem sido investir em outras culturas, como a soja

Em Luís Eduardo Magalhães,  oeste da Bahia, produtividade saiu de 270 arrobas por hectare para 210  Em Luís Eduardo Magalhães, oeste da Bahia, produtividade saiu de 270 arrobas por hectare para 210
Foto: Divulgação

São Paulo – O mau desempenho na Bahia puxou para baixo a produção nacional de algodão, que espera retração de até 2,9%, para 1,473 milhão de toneladas. Com custo de produção elevado, falta de chuvas e maior incidência de pragas, os produtores do estado preveem retração de até 14% na safra 2015/2016.

Segundo a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), a produção no estado – o segundo maior nacional, atrás apenas do Mato Grosso – é esperada em 387 mil toneladas, ante as 450 mil toneladas no período anterior. A área plantada também caiu cerca de 15%, para 236,7 mil hectares.

"O custo de produção aumentou porque o algodão é muito carregado de defensivos. Junto a isso, houve maior incidência de insetos e demanda fraca no mercado internacional em função dos estoques na China", disse Elcio Bento, da Consultoria Safras & Mercados.

De acordo com o analista, em muitos casos a compra de insumos foi antecipada com o dólar perto dos US$ 4, mas a venda da produção pode ser fechada ao nível de US$ 3,50, o que deve estreitar ainda mais a margem de ganho.

A região oeste da Bahia concentra até 98% do volume de algodão em todo o estado. Uma das cidades responsáveis pela produção é o município de Luís Eduardo Magalhães.

A presidente do Sindicato Rural da cidade, Carminha Maria Missio, diz que a alternativa para quem produz algodão é investir em outras culturas de maior competitividade, como a soja. "Em toda e qualquer atividade os produtores precisam de resultados, e o algodão começou a não deixar margem. Em virtude do dólar, a cultura não estava compensando", disse ao DCI.

Segundo o Sindicato, a produtividade média da região é de 270 arrobas por hectare. Atualmente, o nível é de 210 arrobas, e, caso a seca perdure nos próximos meses, a produtividade pode chegar a 190 arrobas por hectare.

O diretor executivo da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), Décio Tocantins, diz que o diferencial para o desempenho do Mato Grosso sobre a Bahia é o plantio safrinha.

"O Mato Grosso e algumas outras regiões do Centro-Oeste, por possuírem um regime de chuvas que permite o plantio de algodão em segunda safra, sucedendo a cultura da soja, manteve praticamente estável a área plantada com algodão em 2015/16, tendo em alguns casos até um pequeno aumento em relação à safra passada", pontuou ele.

Maior produtor nacional, o Mato Grosso tem até 85% do seu volume no plantio safrinha. A produção saiu de 867 mil toneladas de pluma e é esperada em 958 mil toneladas para 2015/2016. A área plantada também cresceu cerca de 22 mil hectares (4%).

Para o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), João Carlos Jacobsen, além dos problemas costumeiros, a transmissão de tecnologia ainda não foi absorvida. "Não houve adaptação em certas regiões com grande potencial de produtividade. São novos processos de colheita e beneficiamento. Isso deve começar a acontecer a partir da próxima safra", disse ele ao DCI.

Exportação

Com todos os problemas, o câmbio elevado nos últimos meses tem aumentado a competitividade para a exportação, o que diminuí os prejuízos e aumenta a margem de ganho. A perspectiva é que os estrangeiros adquiram 900 mil toneladas do produto brasileiro neste ano, superando as 859 mil do período 2014/2015 – projeção que chega perto da safra 2011/2012.

Fernando Barbosa

Fonte : DCI

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