AGRONEGÓCIOS – Crise China-EUA é ‘janela de oportunidade’

Ministra pede cautela, pois manifestação de Trump em rede social pode não se efetivar

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A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, disse ontem que um aumento das tarifas de importação dos Estados Unidos para produtos chineses pode beneficiar as exportações brasileiras do agronegócio. No domingo, o presidente norte-americano, Donald Trump, disse pelo Twitter que pretende elevar as taxas de 10% para 25% para cerca de US$ 200 bilhões em mercadorias vindas da China. Nas postagens, Trump reclamou do que considera uma demora por parte da China para negociar um acordo comercial.

"Primeiro a gente precisa saber se foi só um recado durou ou se vai se efetivar. É claro que se os Estados Unidos e a China não entrarem em acordo e essas tarifas não voltarem ao que eram antes, realmente, é uma janela oportunidade a mais para o Brasil", avaliou a ministra ao participar de reunião do Conselho Superior do Agronegócio na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Tereza Cristina vai viajar na próxima madrugada para a Ásia. Ela vai liderar uma comitiva de 98 pessoas que passará pelo Japão, China, Vietnã e Indonésia ao longo de 16 dias. Outro ponto importante nas relações comerciais entre a China e o Brasil é a peste africana que atacou duramente os rebanhos do país asiático. Segundo a ministra, por um lado, isso deve afetar as vendas de soja do Brasil para os chineses, uma vez que o alimento é usado como ração.

No entanto, há a possibilidade de aumentar as exportações de carne de porco. "A carne os chineses vão ter que importar dos Estados Unidos, do Brasil e de outros países para suprir a sua demanda interna. O Brasil vai poder colaborar um pouco para que esses preços da carne na China possam ter patamares menores do que estão hoje", ressaltou.

Além da carne suína, Tereza Cristina afirmou que o Brasil pretende oferecer uma série de produtos para os chineses, como café, frutas e carne de frango. "Nós somos parceiros confiáveis. Nós temos qualidade e temos volume de soja, milho, que fazem parte da dieta dos animais. Nós temos outras proteínas que podem entrar nessa janela de oportunidades", acrescentou.

No primeiro trimestre de 2019, as vendas de soja triturada do Brasil para China (US$ 4,75 bilhões) corresponderam a 9% do valor arrecadado com o total de exportações (US$ 52,6 bilhões). No período, de cada US$ 100 que o país captou com a venda do produto em todo o mundo, US$ 77,48 vieram da China.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) integra a comitiva empresarial que acompanhará a ministra na Ásia a partir de hoje. Gedeão Pereira, diretor de Relações Internacionais da CNA e presidente da Federação de Agricultura do Estado (Farsul), Muni Lourenço, vice-presidente da Confederação e presidente da Federação de Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas (FAEA), e Lígia Dutra, superintendente de Relações Internacionais da CNA, participam da missão. "São quatro países importantíssimos para o agro e temos uma expectativa muito grande no sentido de aumentar o comércio com esses países, principalmente nas proteínas animais. Existe um bom espaço para ampliar com a habilitação de novos frigoríficos," afirmou Gedeão Pereira.

Além das proteínas, o Brasil tem interesse na abertura de mercado para as frutas brasileiras e no mercado de lácteos.

Segundo levantamento da CNA, em 2018, a China foi o principal destino das exportações do agronegócio brasileiro. O Japão ocupou a 6ª colocação; o Vietnã a 9ª e a Indonésia a 17ª. Juntos, esses países importaram US$ 40,67 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro, ou cerca de 40% do total exportado em 2018.

/MARCELO CAMARGO/ABR/JC

Fonte : Jornal do Comércio

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