Agronegócios – Conab confirma estimativa de alta na produção de soja para próxima safra

Levantamento reforça a tendência de recuperação que vinha sendo apontada por analistas, porém, mantém estimativa de queda no volume da oleaginosa ante temporada anterior

Apesar do atraso no plantio, a expectativa é de que as lavouras da oleaginosa sejam cultivadas no prazo

Apesar do atraso no plantio, a expectativa é de que as lavouras da oleaginosa sejam cultivadas no prazo
Foto: Dreamstime

São Paulo – O segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado ontem, sobre a safra 2017/2018 confirmou a expectativa do setor de um aumento da produção de soja. O plantio da cultura vem avançando sobre as áreas de milho verão.

A estatal projeta uma produção de 106,4 milhões de toneladas a 108,6 milhões de toneladas da oleaginosa. Caso essa projeção se confirme, este será o segundo maior volume colhido no País, atrás apenas da supersafra de 2016/2017, quando foram colhidas 114 milhões de toneladas de soja, o que representa queda de 6,7% a 4,8%.

A nova estimativa da Conab traz um leve incremento em relação ao volume projetado no mês passado, de 106 milhões de toneladas a 108, 2 milhões de toneladas.

De acordo com o gerente de levantamento e avaliação de safras da Conab, Cleverton Santana, apesar do atraso no período de plantio, em outubro, em decorrência da falta de chuvas, os produtores estão trabalhando em ritmo acelerado para que a semeadura ocorra dentro da janela ideal. Esse período indicado termina neste mês. "O produtor tem capacidade de recuperar muito rapidamente esse atraso e temos relatos, inclusive, de propriedades em que o trabalho no campo tem sido feito dia e noite para garantir o plantio", argumenta.

Segundo a companhia, esse aumento se deve à expectativa de plantio de uma maior área cultivada com a oleaginosa em relação à projeção anterior.

A área deve ficar entre 34,6 milhões e 35,3 milhões de hectares, ante projeção anterior de 34,5 e 35,2 milhões de hectares. Isso representa um aumento de 2,1% a 4,2% em relação ao ciclo passado.

Em Mato Grosso, um dos maiores produtores de grãos do País, 65% da área prevista para a cultura já foi semeada, enquanto no ano passado 80% da área já havia sido cultivada.

Embora esteja abaixo do ano passado, o ritmo de plantio está acima da média de 63% registrada para esse período nos últimos cinco anos. "Temos uma janela boa, até o dia 20 para o plantio e esperamos estar com os trabalhos encerrados na próxima semana", afirma o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja/MT), Endrigo Dalcin.

No Estado, ele estima que a produtividade deve atingir 54 sacas por hectare, próxima das 55 sacas registradas na safra do ano passado. "Tivemos um começo de safra com clima instável e devemos ter La Niña neste ciclo, o que nos permite avaliar que a produção não será a mesma do ano passado, quando o clima estava excepcional", salienta o dirigente.

Milho

Conforme a Conab, esse incremento na área de soja tem sido verificado em quase todos os Estados produtores da oleaginosa. O reflexo deste aumento de área cultivada com a soja é a redução da área de milho na primeira safra e consequente aumento da aposta na cultura no segundo ciclo.

Com isso, a produção do cereal deve ser entre 19,7% e 15% menor em comparação à safra verão anterior, e deve ficar entre 24,46 e 25,88 milhões de toneladas. Para a área, a perspectiva é de redução entre 11,5% e 7,5%, ou entre 631,6 e 409,6 mil hectares na primeira safra.

O volume total de milho estimado para este ano, considerando a primeira e a segunda safras, é de 91,6 milhões a 93 milhões de toneladas.

A previsão anterior era de 92,2 milhões a 93,6 milhões de toneladas. Na temporada passada, o Brasil bateu recorde de produção, com 97,8 milhões de toneladas de milho.

Brasil

A produção brasileira de grãos no ciclo 2017/2018 deve somar entre 223,29 e 227,54 milhões de toneladas, recuo de 6,2% e 4,4%, respectivamente, em relação à safra anterior.

A companhia estima que a área semeada alcance entre 60,9 e 62,1 milhões de hectares, o que representa estabilidade e um possível crescimento de 1,9% se comparada com a safra 2016/17.

A perspectiva é de uma boa produtividade para as principais culturas, afirma Santana. "O que teremos neste ano serão resultados normais, já que no ano passado a produtividade foi excepcional, devido ao clima", argumenta o gerente da Companhia.

Marcela Caetano

Fonte : DCI

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