Agronegócios – Comissão avalia coleta de dados sobre ‘barter’

Grupo de trabalho do Ministério da Agricultura estuda criação de ferramenta para reunir informações a respeito da oferta de insumos em troca de grãos para dar segurança para empresas

Operação não bancária responde por  38% do financiamento da safra 2016/2017 de soja em Mato Grosso

Operação não bancária responde por 38% do financiamento da safra 2016/2017 de soja em Mato Grosso
Foto: dreamstime

São Paulo – A Comissão de Crédito, Seguro e Comercialização do Ministério da Agricultura avalia a criação de um sistema de registro para as operações de financiamento não-bancário. A proposta deverá ser apresentada ao governo no primeiro semestre do próximo ano.

Popularmente conhecida como barter, esse tipo de operação prevê a troca de grãos por insumos, negociados com indústrias ou tradings interessadas em garantir a produção de grãos.

A intenção é dar segurança para as empresas que trabalham com esse tipo de financiamento e também aos bancos, que terão mais informações para avaliar os riscos na concessão de crédito ao produtor. "Estamos trabalhando para elaborar um projeto a ser apresentado ao governo e ao mercado no primeiro semestre do ano que vem", explica o presidente da comissão, Ivan Wedekin.

"Hoje não há informação sobre o volume dessas operações e nem sobre a taxa de juros praticada, ao contrário de transações como custeio do crédito rural, por exemplo, em que a notificação ao Banco Central é obrigatória", observa.

Segundo ele, as operações de barter são mais praticadas em regiões como o Centro-Oeste e no Matopiba – composta pelos Estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia-, onde as propriedades são maiores. "No Sul, o crédito rural responde por 50% da necessidade de capital de giro dos produtores, enquanto no Centro-Oeste, essa participação cai para 25% a 30%", calcula Wedekin.

Para o gestor da área de Política Agrícola da Associação de Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja/MT) e integrante da comissão, Frederico Azevedo, a intenção de criar um sistema para compilar informações sobre o barter é interessante, mas isso precisa beneficiar também o produtor. "Nossa preocupação é que esses dados sejam utilizados para restringir o acesso ao crédito", afirma. "Se a empresa vai ter acesso a mais informação precisa oferecer crédito mais barato e com menos burocracia."

Ele argumenta que, em alguns casos, o barter sai mais em conta que o recurso do crédito oficial, o que tem feito a ferramenta crescer na preferência do produtor. "Além disso, essa troca funciona como uma espécie de hedge para a produção, o que é mais simples do que negociar essa trava na bolsa de valores", opina.

Relatório do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA) mostra que na safra 2016/2017, a ferramenta foi responsável por 38% do financiamento dos produtores de soja do Estado. Na safra que está em curso, Azevedo espera que a procura aumente, já que o custo de produção está elevado – em torno de 51 sacas por hectare para a soja, segundo o Imea-, e alguns produtores estão descapitalizados.

Operações privadas

Wedekin também avaliou que com a queda da Selic, as taxas praticadas nas operações a juros livres estão mais próximas das tarifas subsidiadas pelo governo, o que favorece operações privadas de crédito.

Segundo ele, a taxa média de juros praticada nas operações de crédito rural na safra 2017/2018 é de 8,5%, enquanto nas operações com juros livres está em 12%. "Isso não diminui a importância do crédito rural, mas deve fazer com que os gastos na equalização de taxas sejam menores", avalia.

Marcela Caetano

Fonte : DCI

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