AGRONEGÓCIOS – Chuva afetou produção de pêssego na Capital

 Prefeito José Fortunati (centro) realizou a abertura oficial da colheita

Prefeito José Fortunati (centro) realizou a abertura oficial da colheita

Guilherme Daroit

A tradicional abertura oficial da colheita do pêssego em Porto Alegre, realizada ontem, não teve muito o que comemorar. Segundo as entidades ligadas aos produtores, a safra da fruta na Capital, neste ano, não deve passar das 350 toneladas – menos da metade do ano passado, quando chegou às 750 toneladas, e um quarto do colhido em 2013, quando chegou a 1,5 mil toneladas. A culpa, assim como em 2014, é do clima. Porém, ao contrário do ano passado, quando a seca afetou as frutas, neste ano foram as chuvas e o granizo os culpados pelas perdas.

"Entre todas as dificuldades da agricultura, ainda temos que conviver com anos bons, outros não tão bons. Infelizmente, voltamos a ter um ano pesado por conta do clima", comentou, durante a abertura, o prefeito José Fortunati. "Tem produtor que perdeu 100% de sua safra e, agora, só no ano que vem. Não tem nada que o resguarde", agregou o presidente do Sindicato Rural de Porto Alegre, Cleber Vieira, lamentando sobre o granizo que caiu nas propriedades nas fortes chuvas dos últimos meses. "Já perdemos metade da produção no ano passado, e agora teremos metade da metade, em torno das 350 toneladas", continua o dirigente.

O tamanho real das perdas só será descoberto após a colheita, que começa a partir de agora e, contando também as variedades mais tardias, deve ocorrer durante todo o mês de novembro. O engenheiro agrônomo do escritório municipal da Emater, Luís Paulo Vieira Ramos, porém, estima que as quebras devem ficar entre 40% e 60%, sem descartar a hipótese de que seja ainda maior. "Olhamos o pomar hoje todo colorido, mas quando pegarmos a fruta mesmo é que vamos ver o que se perdeu", argumenta. Segundo a prefeitura, os pomares de pêssego ocupam 120 hectares na Capital, cultivados por cerca de 20 famílias.

O produtor Luciano Bertacco afirma que perdeu "um número considerável de frutas, quase tudo", salvando alguma parcela da safra porque planta em áreas distintas. "Tem áreas, como uma minha, onde bateu o granizo, mas em outras a menos de três quilômetros de distância já não caiu uma pedra", comenta, afirmando que, vendo pelo lado positivo, pelo menos Porto Alegre não registrou geada como na Serra, o que comprometeria toda a produção.

Melhor sorte teve o anfitrião da abertura oficial, o produtor Valdomiro Silveira do Santos, que não registrou perdas em seus 1,8 mil pessegueiros. Neste ano, o agricultor espera colher até mais do que em 2014, quando conseguiu comercializar 3,8 mil caixas (cada uma com cerca de dois quilos da fruta). "É difícil precisar quanto, mas, deve dar mais porque as árvores estão maiores e, por sorte, não fomos afetados", comenta Santos.

Boa parte da prevenção dos danos pelo produtor se explica pelo cultivo orgânico do pêssego, que exige o ensacamento de cada fruto durante o seu crescimento e ajuda a evitar pragas. Segundo a Emater, são duas as famílias que plantam o pêssego dessa forma, em um total de 40 propriedades na Capital. Tanto Emater, no estímulo direto aos produtores, quanto o Sindicato Rural, que pleiteia a criação de um programa junto à prefeitura que garanta pontos perenes pela cidade de venda direta de produtos orgânicos de todas as culturas ao consumidor, têm a intenção de aumentar esse percentual. O objetivo final é transformar a Capital, com o tempo, em uma cidade de produção 100% orgânica.

Um dos objetivos é conseguir agregar valor ao produto. Santos, por exemplo, consegue vender cada caixa por R$ 15,00, bem acima do valor da fruta comum, que gira em torno dos R$ 2,00 por quilo. Uma das principais frentes de venda acontece nos próximos três fins de semana, durante a 31ª Festa do Pêssego, no bairro Vila Nova, para onde, segundo os produtores, são levadas os melhores frutos. O excedente geralmente é vendido à Ceasa. "Neste ano, porém, talvez não tenhamos excedente", relativiza Vieira.

Fonte : Jornal do Comércio

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