AGRONEGÓCIOS – Cadeia da proteína animal enfrenta desafios e revê políticas

Turra vê mudanças com satisfação

Turra vê mudanças com satisfação

Os crimes cometidos pelos diretores da empresa JBS motivam uma reorganização da cadeia produtiva da proteína animal – que envolve tanto frigoríficos quanto o principal banco de fomento do País, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes). Este é um dos motivos pelos quais o setor passa por uma reestruturação que inclui políticas de financiamento, que, pelos últimos 10 anos, estavam voltadas à internacionalização de grandes empresas.

Este foi um dos principais pontos tratados nesta segunda-feira durante o evento Brasil de Ideias – Os gigantes da proteína, promovido pela revista Voto. O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, comentou que recebeu com satisfação as mudanças no que se refere a incentivos a produtores e frigoríficos de menor escala. "Ouvimos do próprio presidente do banco, Paulo Rabello, que a filosofia de sua gestão será disseminar recursos, e não os concentrar", diz, sem arriscar palpites sobre o montante a ser disponibilizado.

Em sua avaliação, a centralização de recursos pode ser perigosa, apesar de ter surtido alguns bons efeitos. Turra lembra que a JBS mantém 120 mil empregos diretos no País e 14 empresas somente no Rio Grande do Sul. Sendo assim, o ex-ministro da Agricultura acredita que o movimento que pede a permanência da JBS no mercado seja positivo. "Precisamos salvar a empresa, no sentido de preservar o que de positivo temos nela, como os empregos", argumenta.

Em razão dos acontecimentos, o presidente do BRDE, Odacir Klein, critica o "gigantismo oportunista" no que tange os financiamentos e incentivos às grandes empresas, além daquilo que intitulou como "gigolagem de recursos públicos". "Não temos interesse em vender dinheiro, mas promover o desenvolvimento, que é o nosso papel", observa. O presidente ressalta que, atualmente, a instituição acompanha "quase como uma consultoria" qualquer pedido de financiamento.

Klein explica que o banco tem como um dos objetivos estimular formas de combater esse gigantismo a partir da integração da cadeia produtiva e da cooperação. No momento, diz, as linhas de crédito estão se concentrando na armazenagem, posto que esta é a infraestrutura reguladora de preços – que trouxe instabilidade ao segmento no último ano, com aumento no preço do milho, o que inflacionou o valor da alimentação animal. Mesmo com este cenário, tanto Turra quanto Klein projetam resultados positivos. O presidente da ABPA confia no crescimento de receita em 30% na suínocultura e 15% na avicultura.

/MARCELO G. RIBEIRO/JC

Carolina Hickmann

Fonte : Jornal do Comércio

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