AGRONEGÓCIOS – Britânicos buscam parceria no setor da agropecuária

Mulet deseja que empreendedores gaúchos visitem o Reino Unido

Mulet deseja que empreendedores gaúchos visitem o Reino Unido

Para alimentar uma população que poderá chegar a 9 bilhões de pessoas em 2050 no mundo, o Brasil se habilita a ser um dos maiores fornecedores de proteína animal. Para os britânicos, que hoje estão entre os grandes importadores de carne bovina brasileira, o País tem de investir em maior produtividade, sanidade e elevar a eficiência das lavouras. O consultor do Reino Unido e especialista em comércio da Agri-Tech Organisation (ATO), Luis Mulet, atua na aproximação de empresas e universidades gaúchas com segmentos que podem transferir tecnologia e até firmar parcerias para produção. Há mais de dois anos, o Reino Unido estruturou um programa para atuar na promoção de intercâmbio entre as duas regiões.

Mulet começou o trabalho pelo Rio Grande do Sul, onde o foco é produção de pecuária de corte e cultura do arroz. "O governo britânico quer assessorar na promoção de negócios, parcerias e transferência de tecnologias e conhecimentos em sanidade animal, agricultura, piscicultura e agricultura de precisão", destacou o consultor, que veio ao Estado em missão organizada pelo Consulado Britânico. Mulet quer que cooperativas e empreendedores gaúchos visitem o Reino Unido para conhecer e, quem sabe, firmar parcerias em breve.

Jornal do Comércio – Qual é o foco da ação do Reino Unido?

Luis Mulet – O Rio Grande do Sul é muito importante na área agrícola, contribui com 10% do PIB da agropecuária no País. Se destaca em culturas como arroz e pecuária de corte. Nossa meta é conhecer as oportunidades de negócios. Não só importar e exportar, mas todo tipo de intercâmbio. Levantamos informações locais e apresentamos um conjunto de 12 empresas britânicas que visam parcerias e sócios com empreendedores no Brasil. A estratégia para fazer negócios aqui é ter sócio para transferir tecnologia e instalar linhas de montagem, tanto em equipamentos como em genética. As raças mais famosas na base da pecuária gaúcha são britânicas, como Hereford, Devon e Angus. Podemos ampliar a exportação de genética inglesa para cá. Para isso, podemos fazer parcerias com empresas e entender melhor as necessidades locais. Muitos trazem genética dos Estados Unidos. Podemos oferecer alternativas.

JC – Quais são as outras áreas do setor primário que o Reino Unido pode colaborar?

Mulet – Em sanidade animal, há muita inovação nesta área em nosso país que ajuda na prevenção de doenças e em agricultura de precisão, como uso de drones (aeronaves não tripuladas), sensores e programas em tecnologia da informação. Antes, havia problema de como coletar os dados; hoje, o desafio é definir como essas informações podem ajudar na atividade. O que fazer com esses dados? O Reino Unido criou programas para analisar e ajudar nas decisões de produtores. A ideia é buscar parceiros locais para adaptar essas tecnologias ao perfil das atividades e necessidades do mercado brasileiro.

JC – Quanto essas ferramentas podem elevar a produtividade?

Mulet – Esse processo está ocorrendo no setor primário no Reino Unido. Temos os produtores que seguem a agricultura de precisão e outros não. Nos últimos três anos, comprovamos que quem usa essas tecnologias consegue duplicar a produção, não só para aumentar a colheita, mas também para racionalização na aplicação de insumos, como água, fertilizantes, ração a animais. Até porque a ideia é produzir mais alimentos sendo amigável com o meio ambiente, que é uma preocupação mundial. As Nações Unidas já projetaram que a população vai aumentar em mais 2 bilhões de pessoas no mundo, chegando a 9 bilhões de habitantes. E o Brasil será um dos maiores celeiros de produção de comida para atender a esse contingente. Por isso, estamos buscando transferir conhecimento e inovação que temos para cá.

JC – Em negócios, quais segmentos abastecem mais o seu país?

Mulet – Hoje, somos um dos maiores clientes de importação de carne bovina e compramos muita carne de frango. E um dos desafios é como gerar mais proteína. Um dos ramos que podemos repassar tecnologia para cá é em produção de salmão, que está bem desenvolvida na Escócia. Muitas empresas escocesas investem no Chile e nada no Brasil. Aqui se expande o segmento de restaurantes que consomem esses produtos.

JC – A ideia é aumentar o mercado para produtos britânicos?

Mulet – O Brasil e o Rio Grande do Sul são mercados para crescer muito. Independentemente da indefinição da negociação entre União Europeia (UE) e Mercosul. Visitamos a Expointer este ano e a ideia é voltar com maior presença no ano que vem. Tivemos conversas com a empresa Stara, que tem interesse em entrar na Europa. Sugeri que a estratégia é montar uma plataforma no Reino Unidos para ingressar na região. Isso facilitaria para fazer negócios. Nossos custos estão entre os mais baixos na UE e leva um dia para abrir uma empresa lá. Temos ainda oito universidades que formam mão de obra em áreas da agropecuária.

Patrícia Comunello

Fonte : Jornal do Comércio

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