AGRONEGÓCIOS – Arrozeiros ampliam foco na cooperação com outros países

Ganeses têm um potencial importador de 600 mil toneladas do grão produzido no Rio Grande do Sul

Ganeses têm um potencial importador de 600 mil toneladas do grão produzido no Rio Grande do Sul

Os produtores de arroz do Rio Grande do Sul seguem em busca da internacionalização do grão. Em Gana, na África, na semana passada, o presidente da Federação das Associações dos Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Henrique Dornelles, e o presidente do Instituto Riograndense do Arroz (Irga), Guinter Frantz, foram recebidos pelos ministros da Casa Civil, de Finanças e da Agricultura. Depois de uma semana de tratativas, os representantes do setor voltaram com expectativas positivas para abertura de mercado e fornecimento de assistência técnica para agricultores locais. Em breve, outras regiões devem ser visitadas.

Conforme Dornelles, os ganeses têm um potencial importador de 600 mil toneladas. "Trata-se de um país dependente de alimentos de fora, com uma agricultura muito incipiente de tecnologia e produtores com know-how", conta. Por isso, o acordo alinhavado com as autoridades locais prevê o fornecimento de assistência técnica e extensão rural para o desenvolvimento da agricultura na região. "Consolidando um programa de cooperação técnica, o governo ganês instalará um projeto de desoneração para importação do arroz brasileiro, além de outras facilidades comerciais", afirma Dornelles. O negócio deve ser fechado, se não no decorrer deste ano, em 2017.

A internacionalização é vista pela entidade representativa dos arrozeiros como uma saída para os preços atualmente praticados no mercado doméstico. "Os valores pagos ao produtor no Brasil não têm respondido suficientemente ao aumento dos custos de produção e à diminuição da oferta", reclama Dornelles. A ideia, portanto, é aproveitar a situação cambial e a demanda mundial para exportar mais, seja arroz beneficiado ou em casca. Inclusive, a expectativa é de que o acordo fitossanitário e comercial com o México esteja pronto em abril. Os mexicanos têm uma demanda de 600 mil toneladas, além do desejo de importar sementes.

Nos casos em que houver apoio técnico e troca de tecnologias, a responsabilidade ficará a cargo do Irga. Entre as iniciativas propostas estão desde o treinamento de técnicos para o desenvolvimento de um programa de extensão local até o plantio de cultivares em experimentos. Em uma primeira análise, segundo Frantz, ficou constatado que as condições climáticas são favoráveis e que há grande disponibilidade de recursos hídricos para a plantação de arroz, muito embora o solo ganês requeira alguns cuidados. Além disso, Irga e Federarroz pretendem reunir grupos de investidores que queiram colaborar com o projeto de produção naquele país.

Enquanto isso, em solo gaúcho, a colheita avança lentamente. Até o fim da semana passada, apenas 30% da área total estava finalizada, conforme a Federarroz. A demora é justificada pelo atraso no plantio aliado à deficiência de manejo decorrente das adversidades climáticas. Na Fronteira-Oeste e na Campanha, os trabalhos estão mais adiantados, mas a expectativa é de que seja confirmada uma quebra de 130 mil toneladas na safra atual, prevista pelo Irga, tendo em vista os efeitos prejudiciais do El Niño.

IRGA/DIVULGAÇÃO/JC

Crédito para lavoura de arroz cresce no mês de fevereiro

Nassar conduz negociações pelo Mapa em prol do setor orizícola

Nassar conduz negociações pelo Mapa em prol do setor orizícola

Com valores superiores a R$ 27 milhões, segundo dados do Banco Central, os créditos de pré-custeio para a lavoura de arroz apresentaram crescimento de 2.700% em fevereiro em relação ao mesmo período do ano passado. Mesmo em relação a 2014, ano considerado recorde na liberação de crédito, a elevação é de 100%. Na avaliação da Federarroz, as negociações com o sistema financeiro e a promessa do Ministério da Agricultura (Mapa), através do secretário de política agrícola, André Nassar, parecem estar trazendo resultados, diminuindo um dos motivos que contribuíram para a pressão negativa nos preços na safra passada.

A expectativa da entidade é de que março traga valores maiores na contratação do pré-custeio, uma vez que informações preliminares dos agentes financeiros dão conta que até a presente data, os valores são superiores aos do ano passado. "A lavoura de arroz é muito dinâmica, alguns produtores já têm parte da próxima lavoura sendo preparada, assim como aproveitam a entressafra de aquisição de insumos para formarem posição de compra com preços mais baixos.

ANTONIO ARAÚJO/ CÂMARA DOS DEPUTADOS/DIVULGAÇÃO/JC

Agricultura confirma questionamento na OMC sobre barreira à carne do País

O Ministério da Agricultura confirmou que o Brasil cobrou junto à Organização Mundial do Comércio (OMC) a eliminação de barreiras às exportações de carne suína de Santa Catarina impostas pela União Europeia. Durante a 65ª Reunião do Comitê sobre Medidas Sanitárias e Fitossanitárias (Comitê SPS), realizada na semana passada, os representantes brasileiros também questionaram as restrições impostas pela Nigéria às carnes bovina e de aves nacionais.

Em nota, o ministério diz que os questionamentos foram apresentados em forma de "preocupações comerciais específicas (PCEs)", instrumento utilizado para tornar multilaterais eventuais negociações de temas de difícil resolução. Durante a reunião do Comitê sobre Medidas Sanitárias e Fitossanitárias, nos dias 16 e 17 deste mês, o ministério também discutiu com o México o reconhecimento do princípio da regionalização para exportações brasileiras de carne bovina e suína e do embarque de carne suína do estado de Santa Catarina.

Com os representantes chineses, conversou sobre a retomada das exportações de bovinos vivos. A delegação se reuniu também com a Turquia para questionar requisitos relativos à rastreabilidade para exportação de carne bovina; com o Sudão discutiu barreiras impostas às exportações de carnes bovina e de aves brasileiras.

Fonte : Jornal do Comércio.

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