Agronegócios – Alta real de preços deve sustentar PIB do agronegócio no ano

Produto Interno Bruto calculado por representantes do setor indica avanço superior a 3%, até agosto, impulsionado pela valorização dos cultivos afetados pela estiagem e tendência é positiva

Seca nas lavouras de milho pressionou o dado divulgado pelo IBGE Seca nas lavouras de milho pressionou o dado divulgado pelo IBGE
Foto: Dreamstime

São Paulo – Embora a retração de 6% no desempenho anual da agropecuária no Produto Interno Bruto (PIB), divulgado nesta semana pelo IBGE, tenha surpreendido o mercado, a seca – motivo da queda no indicador – já não reflete o atual momento econômico de toda a cadeia produtiva.

Em termos de volume, as projeções da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), também divulgadas nesta semana, consideram queda de 5% na produção primária da agrícola e outros 3% para a pecuária. "No entanto, mesmo com essa forte redução, a expressiva valorização real dos preços do setor impulsionou as estimativas do PIB do agronegócio para o ano", explicam o coordenador científico, Geraldo Barros, e a pesquisadora do Cepea, Nicole Rennó.

O PIB do agronegócio calculado pelos representantes do setor fala em um crescimento de 3,43% no acumulado de 2016 até agosto. A primeira (e grande) diferença em relação ao levantamento feito pelo IBGE está na metodologia.

A pesquisadora do instituto, Amanda Rodrigues, afirma que a avaliação é realizada trimestralmente e considera apenas a produção primária na cadeia. Para as lavouras, utiliza-se o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), uma previsão anual onde é aplicada uma estimativa de perfil trimestral. Na pecuária, são utilizados dados de conjuntura, aliados a uma verificação junto à indústria. Nos casos da produção florestal e pesca, variáveis que também compõem o segmento agropecuário na leitura do IBGE, é aplicado apenas o dado industrial.

"Os produtos que tiveram peso concentrado no terceiro trimestre foram milho, algodão, laranja e cana-de-açúcar", destaca a especialista.

Em resposta ao número negativo de 1,4% no trimestre, ante o período imediatamente anterior, o coordenador de Estudos e Análises da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, José Gasques, disse, em nota, que a estiagem ocorrida no cerrado brasileiro, afetando especialmente a segunda safra de milho no Mato Grosso, contribuiu para a retração.

Já o PIB do CNA/Cepea avalia o comportamento de todos os elos da cadeia, antes e depois da porteira, incluindo, além dos pastos e lavouras, a indústria de insumos, agroindústria e serviços relacionados à agropecuária, como logística e distribuição.

Outra grande diferença está na consideração das receitas reais do setor.

"Nós conversamos com o mercado e conseguimos captar o movimento dos preços. Isto é, o fato da produção ter caído não significa que o produtor que conseguiu colher não ganhou dinheiro", pondera o coordenador do Núcleo Econômico da CNA, Renato Conchon, ao DCI.

"Considera-se, portanto, no cômputo do PIB do agronegócio, tanto o crescimento do volume produzido como dos preços, já descontada a inflação. Neste ponto consta uma importante diferença em relação ao PIB agropecuário do IBGE, que reporta seus cálculos pelo critério de preços constantes, isto é, entre dois anos consecutivos, as produções de ambos são avaliadas a preços do primeiro ano", enfatizam os especialistas do Cepea.

Trata-se de critério mundialmente utilizado que expressa a expansão ou retração do volume produzido em cada setor ou na economia como um todo, mas que, na prática, não reflete o comportamento de toda a cadeia produtiva pois atua apenas estatisticamente.

Nayara Figueiredo

Fonte : DCI

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