Agronegócios – Agropecuária ainda detém alta informalidade

Empregos sem carteira assinada, vigentes apenas nos períodos de safra, são frequentes no setor. Perto de 60% dos contratados para lavouras não chegam a iniciar o ensino médio, indica o Cepea

Déficit educacional dificulta a manutenção do homem no campo e põe em risco a segurança alimentar

Déficit educacional dificulta a manutenção do homem no campo e põe em risco a segurança alimentar
Foto: Agência Brasil

São Paulo – Apesar dos avanços tecnológicos que posicionam o agronegócio brasileiro entre os maiores players do mundo, o setor ainda sofre com alta taxa de emprego informal e mantém trabalhadores de baixa escolaridade, sem perspectivas de mudança no curto prazo.

Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) revela que, atualmente, a cadeia emprega cerca de 19 milhões de pessoas, das quais 9,09 milhões atuantes no segmento de produção primária, também conhecido como ‘dentro da porteira’.

O percentual de funcionários sem carteira assinada está em 15%, contra 18% da média nacional. Porém, nas atividades diretamente ligadas ao campo, o número sobe para 18,6%. A pesquisadora do instituto, Nicole Rennó Castro, explica que essa característica acontece em função dos trabalhos temporários, sazonais, que acompanham os períodos de safra das culturas. "A mão-de-obra familiar também tem um peso importante", diz.

Há elevada concentração de pessoas que não chegaram a iniciar o ensino médio, somando quase 60% do total de ocupações. "As atividades primárias têm os níveis de escolaridade mais baixos do agronegócio. A média do setor pode ser considerada inferior quando comparada aos demais", avalia Nicole.

Ao mesmo tempo, o percentual de empregados com ensino superior completo se limita a 8,5%, frente a uma taxa total de quase 17% para o mercado de trabalho brasileiro.

O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado federal Marcos Montes (PSD/MG), afirma que a questão do emprego informal e do déficit na educação leva ao êxodo rural e põe em risco a segurança alimentar. "Estamos tendo cada vez mais dificuldade para segurar o homem no campo", ressalta. Os filhos de agricultores já optam por viver no meio urbano.

Vale lembrar que o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) atua na capacitação de pessoal, mas, para o parlamentar, seria necessária a implementação de uma política nacional para minimizar estes gargalos. No entanto, não há sinais que indiquem estas mudanças no curto prazo.

Previdência

Em linha com o desempenho nacional, no ano passado, o setor rural também teve déficit: R$ 105 bilhões, resultado de uma arrecadação de R$ 8 bilhões e despesa com pagamento de benefícios de R$ 113 bilhões, conforme dados da Secretaria de Previdência divulgados na última semana. A arrecadação foi 2,4% maior que a registrada em 2015 e a despesa teve aumento de 3,9% em relação ao mesmo período.

A diretoria da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag) alerta, em nota, que grande parte dos empregados do setor inicia suas atividades abaixo dos 15 anos de idade. "Contribui para o sistema com base na venda da sua produção agrícola e se aposenta com apenas um salário mínimo", enfatiza.

Nayara Figueiredo

Fonte : DCI

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