Agronegócios – Abiove eleva previsão de exportação de soja

Entidade que reúne indústrias como Louis Dreyfus e Cargill acredita que os embarques devem ficar em 57,5 milhões de toneladas durante todo o próximo ano

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Foto: Divulgação

São Paulo – As exportações de soja do Brasil devem atingir um recorde de 57,5 milhões de toneladas em 2017, estimou ontem a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), superando a previsão de embarques de 57 milhões de toneladas feita no final de outubro.

O volume maior deverá elevar o faturamento das exportações do complexo soja (grãos, farelo e óleo) para US$ 26,057 bilhões no próximo ano, ante US$ 25,882 bilhões projetados em outubro.

O aumento na previsão de embarques é sustentado por uma colheita ligeiramente superior ao estimado anteriormente e por mais grãos que deverão restar de temporada 2016.

A Abiove projetou que a produção de 2017 (ano safra 2016/17) deverá ficar em 101,4 milhões de toneladas, 100 mil toneladas a mais que o previsto anteriormente.

A associação, que representa grandes indústrias e exportadores como ADM, Bunge, Cargill e Louis Dreyfus, também estimou que o estoque final de 2016, que estará disponível em 2017, deverá alcançar 4,231 milhões de toneladas, o maior volume desde 2012.

Anteriormente, a Abiove previa que o volume disponível ao final deste ano ficasse em 3,431 milhões. O ajuste deveu-se a uma queda nas exportações e no processamento – que recuarão juntos 1,3 milhão de toneladas -, superando uma previsão de safra 500 mil toneladas menor durante este ano.

Preços em alta

A recente valorização do dólar, preocupações com chuvas mal distribuídas na Argentina, umidade abaixo do esperado em algumas regiões do Brasil e a firme demanda pela oleaginosa norte-americana sustentaram os preços internos da soja. Por outro lado, conforme pesquisadores do Cepea, esse cenário reduziu o ritmo de venda do grão da safra 2016/17, visto que, agora, sojicultores nacionais têm expectativa de preços ainda maiores no início de 2017. Vale lembrar que as negociações estiveram mais aquecidas em meados de novembro, com valores já acima da paridade de exportação. Entre 25 de novembro e 2 de dezembro, o Indicador da soja Paranaguá Esalq/BM&FBovespa, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no porto de Paranaguá (PR), subiu 0,2%, fechando a R$ 80,08 a saca de 60 quilos na sexta-feira (2). Já a média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador Cepea/Esalq, foi de R$ 76,42 a saca de 60 kg, pequena queda de 0,9% no período.

Chuva nas áreas de soja

A semana começou com muita nebulosidade e com registros de chuvas em diversas localidades do Mato Grosso, Goiás, Rondônia e Tocantins, e esse deverá ser o padrão ao longo de todo o período nas regiões Centro-Oeste e Sudeste e no Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) e Pará, favorecendo o desenvolvimento das lavouras de soja, disseram meteorologistas.

A presença de áreas de instabilidade provocará a ocorrência de pancadas de chuvas, ora mais intensas, ora menos, disse o agrometeorologista Marco Antônio dos Santos.

"A tendência para esses próximos dez dias é que não venham a ocorrer anomalias que possam causar perdas generalizadas, apenas se observará relatos de alguns produtores de perdas bastante pontuais", disse ele. Dados da Somar Meteorologia apontam chuvas em praticamente todos os dias.

Renê Gardim e Agências

Fonte : DCI

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