Agronegócio tem que operar cada vez mais via mercados, afirmam especialistas

O agronegócio do futuro passa pela transformação cada vez mais intensiva de produtores em empresários rurais, que passem a ter como foco a aplicação de boas práticas de gestão de risco em seus negócios, bem como pela diminuição da presença do Estado no financiamento das safras e comercialização dos produtos. Foi o que destacaram especialistas do setor reunidos em seminário sobre comercialização e riscos agropecuários, promovido pela BMF, nesta semana em São Paulo (SP).

Só que para isso, alertou o presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Gustavo Diniz Junqueira, o produtor rural precisa ter segurança jurídica, que lhe dê o devido resguardo para que ele possa avançar na profissionalização de suas operações de captação de crédito, financiamento, comercialização, entre outras. “Desta forma, será possível melhorar a administração de riscos e consequentemente a avaliação de investimento e retorno.”

Também participante do seminário, Vitor Ozaki, do departamento de crédito, recursos e riscos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), pontuou que hoje o produtor rural ainda faz gestão de custos, mas precisa fazer é gestão de risco. “O ministério vem, por exemplo, trabalhando para viabilizar a criação de um plano safra plurianual, que modernize o financiamento agrícola do País. Se a política de crédito não mudar, entrará em colapso.“

Outro palestrante do evento, Seneri Paludo, atual secretário de desenvolvimento econômico do Estado do Mato Grosso e que registra passagens pelo Mapa e entidades de classe do setor rural, assinalou que é preciso quebrar o monopólio de que somente os bancos oficiais possam operar dentro do sistema de crédito rural oficial.

Na avaliação de Paludo, o formato atual de financiamento precisa ser modificado e esta mudança passa também por alterações tributárias, que criem um ambiente propício para que o produtor rural deixe de ser pessoa física e migre para a categoria de pessoa jurídica. “Com isso, ele terá possibilidade de acesso a novas fontes de captação de crédito.“

Estado

Por sua vez, o presidente da Rural defendeu, ainda, a saída gradativa do Estado do mercado agrícola, com o fim de subsídios de qualquer natureza. “O agro do futuro tem que operar cada vez mais via mecanismos de mercado.”

Por outro lado, de acordo com Junqueira, o Estado tem um papel fundamental, por exemplo, no campo das negociações internacionais, especialmente na esfera da OMC.

Segundo o presidente da Rural, todo o investimento que o Brasil vem fazendo em sustentabilidade, via regularização ambiental por meio do novo Código Florestal e pelos ganhos socioeconômicos promovidos pela agricultura – e auferidos por indicadores de IDH, por exemplo – precisarão ser reconhecidos internacionalmente. “Caso contrário, o produtor e o País quebrarão.”

Conforme explicou Junqueira, o Estado brasileiro tem a obrigação de mostrar ao mundo este investimento em sustentabilidade que o País vem fazendo, a fim de que isso seja visto e compreendido como um atributo de diferenciação para o produto nacional no comércio exterior.  “E a OMC é o fórum mais adequado para este tipo de ação.

Universo Agro


Fonte: Famasul

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