Agronegócio recebe atenção diferenciada

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Lassalvia, do BB: 4.879 CNPJs ou CPFs na carteira de private agronegócio

O agronegócio é um dos focos dos private bankings não é de hoje, mas cada vez mais ganha atenção diferenciada das instituições. O setor responde por 23% a 24% do PIB brasileiro. Além disso, uma pequena parte dos 5,07 milhões de estabelecimentos encontrados pelo Censo Agropecuário 2017 do IBGE no país concentra altíssima renda. O alvo estimado por especialistas não é grande – 7 mil proprietários individuais ou sociedades rurais – mas o cofre sim: mais de R$ 10 milhões de receita bruta anual.

O Banco do Brasil domina mais de metade do segmento, mas não está sozinho na disputa. O Santander aumentou já há quatro anos a atenção sobre a elite do campo. Equipes fortalecidas em escritórios regionalizados com assessoria especializada buscam estabelecer diferenciais na sedução de clientes com cultura de negócio peculiares. O desafio é gerar crescimento e valor para os reis do gado e da soja.

"O agronegócio é cada vez mais importante na indústria de private", diz Francisco Lassalvia, gerente-geral da unidade de private banking do Banco do Brasil. "É um dos pilares de crescimento do banco e do segmento de private", afirma Vitor Ohtsuki, superintendente executivo de private banking do Santander.

A estagnação do setor no ano passado não desestimula os bancos. A queda de 0,1% foi registrada pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ), da USP, em parceria com a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA). Em dezembro houve queda de 0,10%.

O private do agronegócio se concentra fora do eixo Rio-São Paulo. A região Centro-Oeste fica com 40% do resultado do segmento no Banco do Brasil. Rio e São Paulo, que dominam o private convencional, ficam com menos de 20% de participação no agronegócio. Os dados do Censo Agropecuário 2017 do IBGE explicam. Mato Grosso é o maior produtor de soja do país, com 29,2 bilhões de toneladas da matéria-prima, e tem também o maior rebanho bovino, com 24,1 milhões de cabeças. Goiás é o quarto maior produtor de soja, com 10,1 bilhões de toneladas, e o quarto maior rebanho bovino, com 17,2 milhões de cabeças de gado. O Mato Grosso do Sul é o quinto na produção de soja com 7,9 bilhões de toneladas, e o terceiro na criação de gado, com 18,1 milhões de cabeças.

O Rio Grande do Sul é outro grande mercado para o private banking do agronegócio. O Estado produz 17,2 bilhões de toneladas de soja e reúne o sexto maior rebanho bovino com 11,4 milhões de cabeças de gado. No Sudeste, a capital do agronegócio é Minas Gerais: segundo maior rebanho de gado, com 19,4 milhões de cabeças, e sétimo produtor de soja, com 4,4 bilhões de toneladas.

Para atender os megaprodutores de soja e carne o Banco do Brasil tem 11 escritórios de negócios nas grandes capitais, 68 plataformas interiorizadas e 76 bankers. Advisers, agrônomos, especialistas em previdência e comércio exterior participam na gestão de recursos, consultoria patrimonial e operações de mitigação de riscos. O BB tem 4.879 CNPJs ou CPFs na carteira de private agronegócio.

O Santander não divulga o tamanho da carteira, mas está de olho em um segmento de 7 mil megaprodutores. Tem 22 agências especializadas em agronegócio no interior do país – este ano serão mais quinze. E 20 bankers atendem o produtor rural, assessorados por engenheiros agrônomos.

Por Paulo Vasconcellos | Para o Valor, de Porto Alegre

Fonte : Valor